Temporariamente os Episódios do Junhão serão substituídos por textos de contos do autor Joswilton Lima. O primeiro livro que vai iniciar a jornada literária e será publicado em capítulos aos domingos é a estória fantasiosa com o título de “O Cigano Violeiro”.
As situações hilárias e as malandragens do Junhão vão continuar, porém em outro estilo. A ficção certamente irá agradar os leitores na medida que a narração do conto avançar para terminar com um final fantástico.
SINOPSE

O título do conto é fictício e narra uma estória fantasiosa, onde um sujeito bem-falante disfarçado de cigano visita fazendeiros ingênuos para vender belíssimos cavalos. Muito convincente e astucioso, consegue despertar neles a ganância para ficarem ávidos em comprar os animais.
O enredo é iniciado em uma zona rural do sertão baiano e relata a vida simples de quem mora na roça e também sobre as superstições existentes nas comunidades do interior. A estória narra o desespero dos compradores ao perceberem que foram ludibriados pelo esperto mercador de cavalos, que sumiu depois de receber todo o dinheiro que eles tinham guardado em casa.
O final do conto é surpreendente, quando descobrem que nada poderão fazer diante de forças ocultas para recuperar o dinheiro perdido. Estão amargurados porque caíram na lábia do hábil vendedor e ficou apenas a lição de que devem desconfiar de conversa-fiada que oferece grandes vantagens.
O autor
Capítulo 8
A VOLTA DO MALAQUIAS
Os fazendeiros estão ouvindo o bolodório do fiscal e ficam assombrados de repente ao ouvirem um assovio fino que os seus ouvidos ficam doendo. De imediato se lembram do som característico do cigano violeiro na hora que ele ia embora das suas fazendas levando os cavalos que haviam comprado. Nesse momento todos ficam temerosos por saberem que tem uma criatura maligna por perto, mas logo ficam tranquilos quando o fiscal Petronio fala alto com pedantismo:
– Investido do alto poder de minha autoridade e cumprindo o que determina a lei de número 666 da Nova Ordem Mundial, eu determino o confisco dos jegues velhos a partir deste momento. Portanto, vocês estão livres do pagamento das multas!
O alívio foi geral, apesar de não entenderem o motivo da repentina mudança de atitude dele. Após o perdão das dívidas, o fiscal Petrônio guarda o talão das multas no bolso do colete. Os fazendeiros se abraçam de contentamento e vão inocentemente apertar a mão do fiscal Pepe para agradecerem o benefício que ele havia concedido. O Petrônio torce o beiço demonstrando contrariedade e não aceita os cumprimentos de ninguém. Todavia, os fazendeiros estão alegres e não se sentem ofendidos pela falta de gentileza do fiscal, porque acreditam que ele é um homem muito generoso. Estão satisfeitos com o desfecho favorável do problema, afinal estavam livres daqueles animais inúteis e, principalmente, das pesadas multas que Pepe iria impingir neles.
A seguir o fiscal sai do bar em direção à feira e os fazendeiros vão para a porta do bar olhar a ida dele que está andando sorridente e se despede dando adeuses aos infelizes fazendeiros. Estes estão muito alegres por terem se livrado dos encargos financeiros e comentam com ingenuidade:
– Esse fiscal Pepe é gente boa! Nem parece que é um homem tão importante…
Depois falam elogiando o benfeitor:
– Ele agiu certo! Mandou à merda as leis que só servem para explorar os pobres!
A seguir ficam observando o sujeitinho de andar claudicante atravessando a rua. Notam que ele tenta aprumar os passos no calçamento irregular, por causa dos saltos das botinas que usa e do arqueado das pernas cambotas. Logo depois estão admirados porque a aproximação do fiscal na feira foi suficiente para imediatamente os jegues ficarem ativos e logo param de sujar a rua. Os fazendeiros estão boquiabertos ao verem a transformação dos animais magros e preguiçosos ficarem bem-dispostos e ariscos com a presença de Pepe. Estão impressionados ao verem os jegues de Zeca Piau seguindo o fiscal como cordeiros por onde ele caminha. Os fazendeiros estão intrigados porque os asnos vão atrás de Pepe sem que o mesmo tivesse ordenado ou fizesse algum sinal para atraí-los. Eles não entendem como jumentos velhos que mal conseguiam andar, agora estão ágeis iguais a potros.
E continuam observando o fiscal Petronio transitando por entre as barracas da feira todo posudo acompanhado dos jumentos. Muito sorridente ele cumprimenta educadamente os feirantes e fregueses por onde passa. Os fazendeiros estão fascinados com a educação daquele homem miúdo que momentos antes tinha um semblante de mau no exercício das suas funções. Apesar do medo que sentiram dele agora estão agradecidos, porque acham aquele indivíduo um bom cidadão por ter livrado todos eles dos jegues velhos e das pesadas multas.
Os fazendeiros ficam perplexos ao verem o fiscal Pepe se modificar de repente, porque ele começa a caminhar ereto sem o manquejar de antes e estão abismados ao notarem que as pernas dele não estão cambotas. Andando com firmeza logo ele chega perto do cercado onde os jegues velhos estão presos. Os fazendeiros estão muito assustados com todas as transformações súbitas que estavam vendo ocorrer e ficam cismados. Um deles comenta que o fiscal Petronio deve ser um macumbeiro e outro refuta dando a sua opinião:
– Isso não tem nada a ver com feitiço. Pelo que tenho visto, aquele fulano deve ser o diabo em pessoa!
Os fazendeiros ficam arrepiados de medo quando ouvem a suposição e imediatamente se benzem fazendo o sinal da cruz para se livrarem de forças malignas. Mesmos estando assombrados com a hipótese sobre a presença do capeta na feira do povoado, continuam olhando para o Pepe que chegou em um terreno baldio vizinho da área do cercado. Nesse momento os jegues que estavam presos se libertam rápidos para ficarem juntos com os jumentos que haviam acompanhado Pepe. Na mesma hora os fazendeiros ouvem o sonoro dedilhar do cigano em sua viola para tocar uma melodia e arregalam os olhos tremendo de medo. Eles conhecem muito bem aquele som medonho que causou a derrota financeira de todos. No início o som parecia estar longínquo, porém o tom do volume aumentou com incrível rapidez.
Ficam sem entender qual seria o motivo da coincidência do cigano aparecer na feira justamente quando todos os fazendeiros logrados por ele estão ali. Estão muito assustados e exclamam:
– É ele, o Malaquias! O cigano que roubou a gente!
A seguir um deles sugere:
– Vamos lá para mandar o fiscal Pepe prender aquele ladrão!
Alguém comenta com esperança:
– Será que esse miserável do cigano se arrependeu do roubo que fez e veio para devolver o nosso dinheiro?
Mesmo com a área repleta de jegues eles conseguem ver o Malaquias dedilhando a sua viola, cujo som atrai todos os jumentos para ficarem em volta dele. Os fazendeiros têm vontade de irem até lá para forçá-lo a devolver o dinheiro roubado, mas notam que Pepe chegou para perto do cigano. Logo desistem, porque nutrem o desejo de que a autoridade fiscal irá cobrar os impostos de todos os jumentos por saber que o Malaquias é o verdadeiro dono daqueles jumentos velhos. Estão ansiosos e observam com expectativa o resultado daquele encontro que irá deixar o cigano pobre, porque vai pagar em impostos todo o dinheiro que roubou, fato que deixará os fazendeiros ficarem satisfeitos porque o Malaquias vai ser punido pelo crime que cometeu. No entanto, ficam frustrados porque o Malaquias continua cantarolando e tocando a viola sem dar importância ao Pepe. Pouco depois os fazendeiros ficam abismados ao verem Petrônio ficar de cócoras aos pés do cigano violeiro que continua cantando tranquilamente. Não entendem o motivo de um fiscal austero, autoritário e arrogante ficar em uma posição de submissão perante um vigarista que é contumaz em roubar quem encontra pela frente.
Um homem fala demonstrando revolta:
– Não adianta a gente se queixar, porque aquele cabra safado está acocorado para bajular o cigano! O Pepe está com medo do Malaquias, por quê?
Outro está desconfiado e comenta:
– Embaixo desse angu tem carne!…
Enquanto se perguntam sobre o absurdo que está ocorrendo, o cigano continua tocando a sua melodia enfadonha. Os jegues estão cada vez mais agitados e o fiscal Pepe continua pacientemente naquela posição de subserviência. Ainda atônitos com o que estão vendo, eles ficam surpresos vendo o Malaquias demonstrando satisfação com um sorriso deixando à mostra os seus dentes de ouro que começam a brilhar refletindo a luz do sol de modo muito intenso.
Um dos presentes faz uma crítica se referindo ao fiscal Pepe:
– Quem diria!… Como pode uma autoridade tão importante ficar agachado no meio dos jegues que momentos antes ele estava esculhambando?
Os homens ficam pasmados quando notam que o fiscal Pepe se ajoelha, coloca as mãos no chão e fica de quatro. A seguir o cigano Malaquias passa a perna esquerda por cima dele com a intenção de que lhe sirva de montaria. Nesse momento ouvem um silvo longo e estridente doerem os seus ouvidos e ficam sem acreditar ao verem que aquele fiscal pequeno, indagador e posudo, imediatamente se transformar no fogoso e grande corcel negro do cigano violeiro.
Todos estão pasmados e ficam indignados, porque momentos antes haviam conversado e foram ameaçados por um cavalo, apesar de ele ter chegado no bar como se fosse gente e depois se apresentou como sendo o rigoroso fiscal Petrônio. Revoltados com o que houve, logo deduzem que o cavalo é comparsa do cigano Malaquias e veio para concluir o golpe tomando os jegues de volta para venderem em outra região. Eles estão surpresos por não saberem como pode um homem se transformar rápido em um garanhão, como se fosse num passe de mágica. Intrigados com o fato, comentam:
– Como pode haver uma transformação desse tipo?
Depois indagam procurando uma explicação:
– Como pode um homem petulante, mesmo sendo aquela coisinha miúda com aparência de gente se transformar de repente em um selvagem e enorme cavalo negro?
Ficam sem entender o motivo de um homem educado que exercia as funções de fiscal da ordem pública haver se transformado naquele garanhão bravio. Antes que se refaçam do susto, notam que os jegues decrépitos imediatamente voltam a ser aqueles cavalos portentosos que haviam sido comprados por eles. Enquanto os fazendeiros fazem conjeturas a respeito do fato, o cavalo Pepe empina com o cigano Malaquias montado no lombo e depois faz malabarismos escoiceando no ar deixando à mostra as ferraduras de prata que resplandecem. O brilho nas patas coincide com o emitido pelos dentes do cigano Malaquias que está sorrindo para os fazendeiros para demonstrar que obteve uma grande vitória.
Além do Junhão e de O Cigano Violeiro, o autor presenta outras obras:
Ilustrações e pinturas: Joswilton Lima
Ângela – e-book – O personagem tem uma grande alegria ao encontrar o amor da sua vida em uma festa, porém fica decepcionado no final surpreendente. Será que a desilusão dele foi um engano?
A obra literária já está disponível na plataforma amazon.com.br e para adquiri-la basta clicar na imagem:
Ilustrações e pinturas: Joswilton Lima
NOTICIAS-MORRO-LRN-JUNHÃO-ANITA-Certidão-Registro-Biblioteca-Nacional
Ilustrações e pinturas: Joswilton Lima
Analice – e-book – Em uma viagem para a capital, o personagem fica deslumbrado ao conhecer o grande amor da sua vida. Ficam apaixonados nesse primeiro encontro e fazem planos para o futuro, porém ele não sabe que o final será surpreendente. Será que o planejamento de ambos é coincidente?
A obra literária já está disponível na plataforma amazon.com.br e para adquiri-la basta clicar na imagem:

NOTICIAS-MORRO-LRN-JUNHÃO-ANALICE-Certidão-Registro-Biblioteca-Nacional
Ilustrações e pinturas: Joswilton Lima
Resumo da biografia do autor

Joswilton Lima é natural de Ilhéus-Ba, mas é domiciliado há mais de vinte anos em Morro do Chapéu. Tem formação em Ciências Econômicas, mas sempre foi voltado para as artes desde a infância quando começou a pintar as primeiras telas e a fazer os seus primeiros escritos. Como artista plástico participou de salões onde foi premiado com medalhas de ouro e também de inúmeras exposições coletivas nos estados da Bahia, Sergipe e Pernambuco. Possui obras que fazem parte do acervo de colecionadores particulares e entidades tanto no Brasil, quanto em países do exterior, a exemplo dos EUA, Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha.
Em determinada época pretérita, lecionou pintura em seu atelier no Bairro Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, e foi membro de comissões julgadoras em concursos de pintura. Nesse período exerceu a função de Diretor na Associação dos Artistas Populares do Centro Histórico do Pelourinho, entidade de artistas primitivistas que produziam obras no estilo Naif.
Como escritor também foi premiado em diversos concursos de contos e já lançou vários livros. Na literatura dois estilos se destacam em suas obras e praticamente são interligadas: a ficção com estórias de finais surpreendentes e a crônica, onde o autor aborda situações da atualidade de modo crítico, satírico e hilariante. Concomitante com as atividades artísticas, sempre exerceu funções laboriosas em diversos setores produtivos.
O Cigano Violeiro – e-book e livro impresso – A ficção relata a ingenuidade dos sertanejos que aprenderam na infância sobre as superstições nos lugarejos. Devido à essa credulidade, os personagens foram enganados por malandros astuciosos. O final inesperado é surpreendente.
A obra literária já está disponível na plataforma amazon.com.br e para adquiri-la basta clicar na imagem:
Autor: Joswilton Lima

Resumo da biografia do autor:
Joswilton Lima é natural de Ilhéus-Ba, mas é domiciliado há mais de vinte anos em Morro do Chapéu. Tem formação em Ciências Econômicas, mas sempre foi voltado para as artes desde a infância quando começou a pintar as primeiras telas e a fazer os seus primeiros escritos. Como artista plástico participou de salões onde foi premiado com medalhas de ouro e também de inúmeras exposições coletivas nos estados da Bahia, Sergipe e Pernambuco. Possui obras que fazem parte do acervo de colecionadores particulares e entidades tanto no Brasil, quanto em países do exterior, a exemplo dos E.U.A, Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha.
Em determinada época, lecionou pintura em seu atelier no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, e foi membro de comissões julgadoras em concursos de pintura. Nesse período exerceu a função de Diretor na Associação dos Artistas Populares do Centro Histórico do Pelourinho (primitivistas e naif’s), em Salvador.
Como escritor também foi premiado em diversos concursos de contos tendo lançado um e-book com o título “Enigmas da Escuridão”, com abordagem espiritualista, tendo obtido a nota máxima de 5 estrelas de leitores do site www.amazon.com.br Outros contos e romances também estão sendo escritos.
Concomitante às atividades artísticas, sempre exerceu funções laboriosas em diversos setores produtivos e, por último, se aposentou na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, onde trabalhou por muitos anos na Fiscalização.
Agora tem o prazer de apresentar aos leitores do site www.leoricardonoticias.com.br o seriado de crônicas intituladas Episódios do Junhão, com as quais espera que tenham uma leitura agradável e de reflexão.






