Em 1956, a Warner Bros. pictures, lança no mercado cinematográfico mundial, a espetacular película “Giants”, sob a direção do criativo cineasta George Stevens.
Encabeça o elenco, a maravilhosa inglesinha Elisabeth Taylor, o astro Rock Hudson e um garoto de apenas 24 anos, o talentoso ator James Dean, que rivalizava com a estrela maior das telas do mundo, o galã Marlon Brando, o título de rebelde sem causa, que curiosamente era o tema do seu segundo filme, o inesquecível Juventude Transviada.
James Dean fez apenas três filmes:
“Vidas Amargas”, “Juventude Transviada” e “Assim Caminha a Humanidade”. Morreu precocemente aos 24 anos de idade, uma semana depois do término das filmagens do seu último trabalho o acima citado “Giants”, numa batida de carro na Rota 466 no estado da Califórnia. Era em vida, a grande promessa de grandiosidade artística, vaticinado em praticamente todos os sets de filmagem dos grandes estúdios de Hollywood. A comoção foi mundial, na Seara de quem gostava de cinema.
Centenas de homens e mulheres escolheram a arte como profissão, pra ganhar o pão de centeio que abarrota o ventre, mais o pão de sonhos e vaidades que aquieta a alma temerosa. As luzes dos palcos por onde pisaram em suas vidas glamourosas, nem sempre tinham o colorido ofuscante, que deixavam as plateias do mundo em delírio e zelo, admiração e até mesmo inveja. Vida de artista nem sempre é um mar de rosas.
Atormentam-lhes e agoniza a cada minuto, a necessidade de estar no topo a cada amanhecer. Fazer sucesso ocasionalmente pode ter a ajuda de uma conhecida e velha máxima que diz estar em um lugar no tempo e na hora certa. Porém manter nas mãos a coroa e o cetro por um longo período é coisa de quem tem competência, talento e uma boa dose de carisma.
O mundo artístico é suscetível à admiração porque glamour não se compra na loja da esquina. Aura brilhante, porém, nem todos têm pra oferecer. Mas, é o esquecimento coletivo que lhes tira a vontade de dormir, quando imaginam que nesta hora em outra era, estava a receber aplausos por a arte que ofertou. Este texto é sobre cruezas que o tempo traz.
Giants, gigante na língua portuguesa, foi o último filme de James Dean. Aqui no Brasil recebeu estranhamente o nome de “Assim Caminha a Humanidade.” Coisas de tradutores que associam enredo com o nome que deve ir para as fachadas das casas de exibição, local da amostragem pública como propaganda dos filmes que serão mostrados. O nome deste filme representa, contudo, uma sentença filosófica, um alerta para quem vive neste mundo de sonhos e alucinações. Aqueles que viveram nos caminhos das artes, fossem elas de qualquer natureza, um dia, quando a brisa do reconhecimento não lhes bafejarem mais o rosto, marcharão dolorosamente para as terras do esquecimento público. A vida é assim: Desígnios, destinos, sinas ou venturas, vãs sempre estar de mãos entrelaçadas. As desilusões não têm limites diante da decepção.
O ator Oscarito, é considerado o maior comediante brasileiro das telas em imagem em movimento. Astro incontestável nos anos 50 e 60 fez por merecer tão brilhante Laurel. Assisti de olhos vívidos, dezenas de seus filmes, com parcerias importantes sendo a maior delas, o talentoso Sebastião Bernardes de Souza, mais conhecido como Grande Otelo. Porém, meus amores, não existe magnanimidade na inflexibilidade do tempo. O grande Oscarito, o maravilhoso Grande Otelo e mais uma centena de outras celebridades do cinema Brasileiro, mais precisamente da Atlântida Cinematográfica e suas chanchadas, vivem hoje no universo impiedoso do obscurantismo. Igualzinho ao cinema Americano que exibiu para todo o mundo, um cast incontestável dos maiores astros e estrelas deste jeito de se fazer arte, mas, lamentavelmente a juventude de agora, desconhece completamente os maravilhosos trabalhos daquela geração Cinéfilo apaixonado, poderia citar dezenas de nomes. Poderia mas sem a necessidade de citação, me basta pesarosamente a testificacão de que quase todos eles, também caminham para as terras do esquecimento.
Holofotes poderosos iluminaram em neon, as fachadas coloridas de teatros e casas de espetáculos. Em letras garrafais, cantores e cantoras emprestaram seus nomes para o protagonismo de cada noite de apresentação artística. A cada número apresentado, alguns segundos de aclamação calorosa, lhes alimenta a alma agradecida. Tinham os seus nomes gritados num louvor sincero porque o amor de quem admira o artista é leal, franco e verdadeiro. Alguns desses artistas atravessaram décadas pisando o topo da pirâmide do sucesso. Outros nem tanto e alguns infelizmente nem tão pouco. E comum, muitos ainda em vida, ao terem confrontados seus nomes publicamente, com rostinhos de decepção, ver o entrevistado afirmar: Não, infelizmente eu não sei quem ele é. Isto depois de estarem anos há fio nas páginas de jornais, nas capas de revistas, nos anúncios de neon, nas telas de cinema ou TV, ou nas ondas dos rádios, espalhados por salas de estar no mundo inteiro. Admira-me, mas na me espanta. Das verdades que existem na lavra do mundo das artes, a mais dolorosa é o negrume da inciência, que o tempo traz sem nenhum pudor ou piedade.
Outros palcos de amor incessante, de ovação, de suor e lágrimas de alegria e também tristeza, foram e são os campos de futebol espalhados mundo Afora.
Por ser um esporte e ter as pernas fortes como instrumento de trabalho, o período de encantamento é bem mais curto do que quem trabalha usando a voz ou a aparência física como apetrecho de labuta. Nomes adorados, que chegaram ao ápice da plena veneração, que tiveram seus nomes bramidos nas arquibancadas de estádios, que eram temas de conversas nas rodas de amigos, que provocavam calorosas discussões nos barzinhos lá da esquina.
O adentramento de times de futebol nos estádios é bonito de se ver.
Chuva de papel picado, revoada de pombos, banda percussiva de zuadeira festiva, queima de fogos de artifício e o troar impressionante dos milhões de torcedores. Neste universo, centenas de atletas milionários, têm as suas canelas de vidro valendo milhões de dólares. Alguns até, com rostinhos bonitos, dizem na TV o que é bom pro nosso consumo, no papel de garoto propaganda.
Cingidos de nutricionistas, médicos, trainings, enfermeiros, roupeiros, massagistas, milhões de admiradores e tratamento beirando a admiração.. Um luxo só.
O maior nome dos gramados do planeta, o hoje idoso Edson Arantes do Nascimento ou simplesmente Pelé, o mais famoso dissílabo em todos os tempos e em qualquer lugar do mundo, já experimenta por parte de alguns adolescentes a triste constatação de que não sabem quem ele foi no mundo esportivo. Fiquei sabendo, em espanto compulsivo, que até nas terras da rainha Elizabeth, berço do quarteto de Liverpool, alguns jovens pubescentes já desconhecem a palavra Beatles. Uma lástima. Até eles, que um dia se imaginavam eternos, caminham lentamente para o túmulo do obscurantismo.
É assim meus senhores, que dolorosamente, caminha a gloriosa humanidade.

Carlos Karoá, amante de música e cinema, também tem paixão pelo universo das letras. Em 1970, deixou Morro do Chapéu com destino a Salvador, como fazia todo jovem interiorano daquela época. Hoje aposentado, retorna à nossa cidade em busca de uma vida mais tranquila. Gosta de escrever crônicas e pequenos contos, sejam eles verdadeiros ou não.