QUANTO TEMPO FAZ 30 ANOS?

YANG: quando a música reencontra o tempo e a amizade nunca envelhece

Quanto tempo faz 30 anos? Para alguns, uma eternidade. Para outros, apenas uma pausa entre uma música e outra. Mas, para um grupo de amigos de Morro do Chapéu, foram necessários apenas trinta anos para que a vontade de tocar, cantar e celebrar a vida falasse mais alto.

A BANDA YANG, conhecida por sua dedicação ao bom e velho rock brasileiro e até internacional, marcou uma época na cidade. Lá atrás, seus integrantes se reuniam nas praças da terra dos colibris não apenas para cantar, mas também para fazer declarações de amor. E que maneira bonita de declarar amor! Utilizando as letras e melodias de bandas e cantores que embalaram gerações por todo o país.
Seria uma ingratidão de minha parte citar alguns nomes e correr o risco de esquecer outros. Mas vou correr esse risco, pedindo antecipadamente o perdão dos amantes do rock.

De Renato à Legião, que era Urbana e vinha de Brasília. Do Barão, que era Vermelho. Dos Engenheiros, que não moravam no Havaí. Do Kiko, que era Zambianchi. E tantos outros que fizeram da música brasileira uma verdadeira trilha sonora de nossas juventudes.

O tempo passou. Os grandes bailes e bandas foram extintas. Como sempre acontece, a vida foi abrindo caminhos e distribuindo seus integrantes por diferentes destinos. Alguns ganharam a cidade em busca de outros projetos e sonhos; outros permaneceram. E quem ficou acompanhou de perto as transformações da música local e nacional, vivendo também suas próprias histórias, entre encontros, desencontros e, quem sabe, um gole de cerveja, como canta Belchior.

E, se estamos falando de rock, não podemos esquecer Raul Seixas, com sua metamorfose ambulante. Afinal, mudar faz parte da vida, mas algumas paixões permanecem intactas.

Pensando nisso, não poderia deixar de citar Franco. Aquele jovem que resolveu ficar! Que, de alguma maneira, manteve viva uma parte dessa história e continuou acompanhando as mudanças e os movimentos da música na cidade.

E eis que surge uma ideia brilhante: reunir novamente a turma do Yang depois de longos trinta anos!
Mas o melhor dessa história é que os antigos integrantes não quiseram guardar a festa apenas para si. Resolveram presentear os fãs, admiradores e todos aqueles que, em algum momento, tiveram suas vidas embaladas por aquelas canções. O reencontro transformou-se em um grande baile de rock, cerveja, gente bonita, boas lembranças e muita emoção em plena praça.

E ACONTECEU DE TUDO […]

Montaram um palco pequeno, propositalmente próximo das pessoas, como quem desejava diminuir a distância entre artistas e público. Afinal, naquela noite, não havia grandes estrelas nem simples espectadores. Havia AMIGOS, HISTÓRIAS e uma GERAÇÃO INTEIRA compartilhando sentimentos.

Houve homenagens àqueles que já partiram. Cartazes, camisas pretas e lembranças que ganharam vida em cada acorde. Houve choro e alegria. Abraços, reencontros e aquela sensação de que algumas coisas nunca deveriam ter terminado.

As músicas do rock brasileiro e mundial voltaram a ocupar seu lugar. E, junto com elas, vieram as memórias de uma juventude que talvez já não tenha a mesma disposição de antes, mas conserva a mesma capacidade de se emocionar.

Também chegaram pessoas especiais, algumas mais discretas, como LUCAS BRITO, cuja presença certamente ajudou a tornar aquela noite ainda mais significativa.

E foi assim que o sábado (31) entrou para a memória afetiva de Morro do Chapéu.

A cidade do frio esquentou!

Esquentou pela música, pela amizade, pelas lembranças e pela oportunidade de reencontrar pessoas que, mesmo seguindo caminhos diferentes, continuam ligadas por uma história em comum.

No fundo, talvez o maior espetáculo daquela noite não tenha sido o palco, os instrumentos ou o repertório. Foi perceber que o tempo pode até mudar os cabelos, os rostos, os endereços e os projetos de vida, mas não consegue apagar determinadas experiências.

Trinta anos depois, o Yang mostrou que algumas bandas não acabam. Apenas fazem uma longa pausa. E quando voltam, não precisam começar tudo novamente. Basta ligar os instrumentos, escolher a primeira música e deixar que o coração reconheça os acordes.

E naquela noite de sábado, em Morro do Chapéu, o passado não voltou para ficar. Voltou apenas para nos lembrar de que valeu muito a pena ter vivido tudo aquilo.

Afinal, trinta anos é muito tempo para quem conta os dias, mas podem ser apenas um intervalo para quem nunca deixou de ouvir a mesma música.

 

Por Florisvaldo Batista dos Santos

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