Temporariamente os Episódios do Junhão serão substituídos por textos de contos do autor Joswilton Lima. O primeiro livro que vai iniciar a jornada literária e será publicado em capítulos aos domingos é a estória fantasiosa com o título de “O Cigano Violeiro”.
As situações hilárias e as malandragens do Junhão vão continuar, porém em outro estilo. A ficção certamente irá agradar os leitores na medida que a narração do conto avançar para terminar com um final fantástico.
SINOPSE

O título do conto é fictício e narra uma estória fantasiosa, onde um sujeito bem-falante disfarçado de cigano visita fazendeiros ingênuos para vender belíssimos cavalos. Muito convincente e astucioso, consegue despertar neles a ganância para ficarem ávidos em comprar os animais.
O enredo é iniciado em uma zona rural do sertão baiano e relata a vida simples de quem mora na roça e também sobre as superstições existentes nas comunidades do interior. A estória narra o desespero dos compradores ao perceberem que foram ludibriados pelo esperto mercador de cavalos, que sumiu depois de receber todo o dinheiro que eles tinham guardado em casa.
O final do conto é surpreendente, quando descobrem que nada poderão fazer diante de forças ocultas para recuperar o dinheiro perdido. Estão amargurados porque caíram na lábia do hábil vendedor e ficou apenas a lição de que devem desconfiar de conversa-fiada que oferece grandes vantagens.
O autor
Capítulo 4
A SURPRESA
Assim que o cigano monta em seu corcel negro para sair da propriedade, seu Gastão entra ligeiro em casa para buscar dona Jovelina a fim de que ela aprecie a sua excelente compra que está exposta no terreiro. Enquanto estava contando que a surpresa era uma tropa de belos cavalos, eles ouvem um assovio tão fino e estridente que os ouvidos de ambos doeram. Imediatamente eles correm para fora da casa a fim de verificarem o que estava ocorrendo. Ao chegarem na varanda ficam assombrados ao verem o cigano Malaquias todo garboso montado em seu lindo cavalo negro de crinas longas e esvoaçantes voando por cima da cerca. O cavalo galopa velozmente em direção às nuvens, enquanto Malaquias continua assobiando.
Nesse momento seu Gastão e dona Jovelina tem a atenção voltada ao notarem a agitação da tropa de cavalos recém-adquirida. Os animais estavam indóceis com o som agudo do assobio, como se estivessem prestes a obedecerem a alguma ordem do cigano. Não demora e o casal fica muito assustado quando vê os cavalos voarem leves iguais a pássaros galopando velozmente como se estivessem em terra firme para acompanharem o Malaquias. Pouco tempo depois somem no horizonte, deixando para trás a amarga frustração para o infeliz fazendeiro.
O casal fica desolado olhando com tristeza para o céu ao verem o dinheiro que seria utilizado para o plantio da lavoura desaparecer no ar. Algumas lágrimas escorrem pela face deles por causa do prejuízo e continuam tristonhos olhando para o céu na esperança de que os animais retornem. Tempos depois eles perdem a esperança de que os cavalos voltem e ficam remoendo sobre a perda financeira. Ainda continuam olhando para cima e deduzem que aquilo que acabaram de ver só poderia ser coisa de bruxaria, porque nunca haviam visto cavalos voarem. Inconsolável com a perda de todo o seu dinheiro, seu Gastão percebe que havia caído em um golpe de estelionato bem articulado pelo trambiqueiro Malaquias.
Abatido com o fato, algum tempo depois seu Gastão olha para o lugar no terreiro onde estavam os cavalos que ele havia comprado. Nesse momento ele fica surpreso ao ver que os animais adquiridos haviam sido substituídos na mesma quantidade por jegues velhos. Ao contrário dos vistosos cavalos, os jericos são feios, magros, fracos, de beiços moles pendurados, além de serem docas e cheios de feridas nos lombos. Seu Gastão fica intrigado olhando para os asnos cochilando e conclui que foi logrado pelo Malaquias que usou de magia negra para enganá-lo. Estando muito revoltado com o golpe aplicado pelo malandro, fala tristonho para a esposa:
– Como pode os cavalos voarem? De onde vieram esses jegues velhos se o cigano chegou aqui só com os cavalos?!
Logo depois ele completa:
– Aquele miserável é esperto, porque mostrou lindos cavalos, mas na realidade o que ele estava me vendendo eram esses jumentos inúteis.
Indignado, exclama:
– Fui roubado por aquele feiticeiro malvado!
Seu Gastão sabe que ele e a sua família terão um futuro sombrio e irão passar por necessidades, porque todo o dinheiro que seria utilizado para comprar insumos e sementes para o plantio da roça foi entregue ao cigano. Para remediar o prejuízo e na tentativa de reaver uma pequena parte do dinheiro perdido, ele resolve ir vender os jegues velhos na feira livre dominical no povoado de Aguada Nova. O lugarejo é onde a população das redondezas vai para comprar alimentos necessários à subsistência da família e também para vender e comprar animais.
Decidido e esperançoso em reaver parte do que o cigano levou, seu Gastão acorda bem cedo no domingo para ir à feira tentar vender os jegues velhos a fim de apurar o dinheiro necessário para comprar víveres destinados à manutenção do lar. No raiar do dia ele inicia o trajeto em direção ao povoado tangendo a tropa de jumentos e logo fica desesperado, porque os jericos são lerdos, treteiros que empacam a todo momento durante o trajeto, além de se deitarem na estrada dando um enorme trabalho para se levantarem, atrasando ainda mais a viagem. Amargando o arrependimento por ter caído na lábia do Malaquias, fica contrariado e pensa em abandonar os animais imprestáveis na estrada. Porém sabe que não poderá fazer isso, porque precisa vender os jegues para comprar os gêneros alimentícios. Tristonho, prossegue resignado com a viagem desditosa.
Após o percurso dificultoso de seis quilômetros tangendo os jegues velhos e inúteis, finalmente seu Gastão chega ao meio-dia na entrada do povoado. Então fica animado com o término da demorada viagem e conduz os jumentos para a área destinada ao comércio de animais na feira.
Nota: a estória fantasiosa continua no próximo domingo com mais surpresas.









