Carlos Karoá escreve: ‘TIGRES ASIÁTICOS’

Ásia e Europa jamais andaram de mãos dadas, o “arranca rabo” vem de longe, desde o século XIII, quando hordas dos generais de Gêngis Khan, desciam das montanhas da Mongólia e vinham pilhar e depredar tudo que lhes chegavam às mãos bandoleiras. Também o fim do Império Bizantino com a conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos, que impuseram um oneroso pedágio às caravanas europeias, que buscavam um paladar mais refinado, nas especiarias das Índias.

Para completar a antipatia secular, já em nossos dias, em 1973, a OPEP, Organização dos países produtores de petróleo, em retaliação ao ocidente, que apoiava Israel na guerra do “YOM KIPPUR”, (data da expiação, a mais sagrada do calendário judaico) quadruplicaram o preço do barril de petróleo, passando de 03 para 12 dólares. A escaramuça foi entre Egito e Israel, com o povo das pirâmides tentando recuperar a península do Sinai, tomada por Israel na guerra dos seis dias, em 1967. É por estas ladainhas sem o santo padroeiro, que nenhum deles chama o outro pra ir em casa tomar um “cafezin” com um “pedacin” de bolo.

Israel e Egito, trocaram tapas e catiripapos, durante um bom tempo nesta época e acho que o perrengue vai durar para sempre, pois onde tem religião no juízo, não se compra, não se vende, não se negocia a consciência.

Foi o começo da revolução sócio cultural e financeira do oriente, em busca da sua própria identidade.

Anos 80 do século passado, era comum a amostragem televisiva de jovem asiáticos copiando a cultura musical americana, em ruas ou calçadões. Garotos japoneses por exemplo, entoavam canções da ícone “pop” Madonna, ou imitavam os trejeitos dançantes do inigualável Michael Jackson. Tinham por companhia, imensos aparelhos sonoros gritando as melodias que incrivelmente, eles traziam decoradas. Hoje, estão bem mais narcisistas, cultuam as tradições das terras do sol nascente sem o apego imbecilizado de jovens sem a devida orientação dos seus governantes. O JAPÃO nos dias de hoje, é uma nação invejável, nominada a mais limpa e educada entre os povos do oriente. Está dando novos rumos nacionalistas, às gerações que nos dias de agora, vivem a maravilhosa era da adolescência.

Em 1975, após uma guerra fraticida, os VIETNÃS DO NORTE E DO SUL depuseram armas, entenderam que eliminar uns aos outros, era uma burrice generalizada que atingia seguidores de ideologias diferentes, tipo socialismo e capitalismo. Mais de 2 milhões de Vietnamitas pagaram por esta estupidez, deixando um saldo social de pobreza, sofrimento e fome. Abriram os olhinhos rasgados, reunificaram o país sob os auspícios de um socialismo responsável e hoje o Vietnã é uma das mais pujantes economias dos países do sudeste asiático.

SINGAPURA, em 1965, tinha em suas ruas pobres, perambulando por favelas a céu aberto, malaios, chineses, indianos e uma população de gentios, mergulhada em desencanto. Foi praticamente abandonada pela Malásia e teve que procurar sozinha, o caminho que a tirasse das suas desventuras. Um homem, de corpo inteiro banhado em nacionalismo e vergonha no rosto, fez o milagre do iluminismo, onde o negrume do atraso apagava a luz da esperança. Seu nome: Lee Kuan Yee. Confiante, intuitivo, visionário, atraiu investimentos estrangeiros, numa sociedade emergente merecedora de Confiança Institucional e os resultados foram surgindo pouco a pouco, os investidores estrangeiros, preferiam pagar mais caro, porém com a certeza de que não corriam o risco de calote por corrupção. Baixou impostos com isenção fiscal por dez anos, leis severas para corruptos, modernizou os portos, adotou o idioma inglês para atrair investimentos e investiu pesadamente em educação. Criou leis duríssimas para infratores, tipo não mascar chicletes e jogá-lo nas ruas, não descartar qualquer tipo de lixo em via pública sob pena de pesadas multas, instituiu o castigo de morte para usuários de drogas e em médio prazo, o país emergiu das cinzas, hoje, considerando as nuances de custo de vida social nas grandes cidades do mundo, é a maior renda “per capita” do planeta.

A península coreana abriga dois povos distintos. Coréia do Norte, um poço de vergonha humana e a Coréia do Sul, uma vitrine fulgurante de olhinhos rasgados e astutos, ávidos por evolução. Em meados do século passado, um conflito de ideias entre as duas, deixaram-nas em covas rasas, amargando infortúnios por tamanha idiocrasia. Fútil, inútil, morticida. Depois de alguns tapas e tiros de estupidez, resolveram as contas e cada uma seguiu o seu caminho. A comunista, por associação, se tornou uma ditadura sanguinário e digna de comiseração pela humanidade, por um povo oprimido, nus de corpo inteiro de fé e liberdade. A outra, capitalista, abandonou o “limbo dos insignificantes”, renasceu como uma Fênix dourada e hoje é referência mundial em IDH. Domina o mercado eletrônico no mundo, é o quinto em mercantilismo automotivo. Em uma, o negrume é absoluto, em outra, na mesma proporção, o luminar é ofuscante.

Os Emirados Árabes, pequenos estados independentes no Oriente Médio, deram um salto de qualidade praticamente em todos os quesitos ligados à riqueza e desenvolvimento social. Com o solo afogado em petróleo, Kuwait, Dubai, Qatar, a mãe Arábia Saudita e mais alguns sultanatos da península arábica, aprenderam a contabilizar positivamente o nacionalismo e o tilintar de dólares em suas registradoras se tornou constante. Literalmente não têm mais onde guardar dinheiro. É certo que em alguns “feudos” onde o óleo negro não está sob o chão, nômades e mercadores ainda cultuam velhas tradições e a pujança social praticamente não existe, mas, já não andam só em lombos de camelos nem dormem somente em tendas no deserto, as informações mundanas lhes chegam facilmente via satélite. Devagarinho, mas constantes, estão virando a página do obscurantismo, com a contemporaneidade do conhecimento universal, chegando para todos.

A China é predadora, não há concessões em quaisquer de suas atividades. Se é bom para ela, a China vai, vai, vai. Se há divisão de benesses, a China não vai, não vai, não vai. Repensa os acordos firmados, exige novos adendos, choraminga por aditivos porque ela sabe que não há hipóteses para a filantropia, tem um bilhão e quatrocentos milhões de bocas famintas, para vestir, educar e matar a fome diuturnamente. Sem disparar sequer uma bombinha de são João, ameaça a supremacia americana em valores econômicos. Capitaneia o levante da Ásia, na busca por um lugar de sol na “arquibancada”, e hoje tá difícil encontrar um “palito de fósforo” que não tenha o carimbo amarelo de “fabricado na China”. Estima-se que em cinco anos (2031), em cada cinco automóveis rodando em estradas brasileiras, um, será Chinês.

Primeiro oferecem custo baixo

Segundo estrangulam o concorrente

Terceiro implantam o monopólio.

Volto à afirmação de que a China é e será sempre predadora. Não alteram a voz, mostram paciência, mas, dos seus propósitos, jamais arrendam o pé. Carece, cuidado “cá” China.

A Ásia despertou do seu sono milenar, da aceitação passiva de trilhar os caminhos ditados por preceitos e dogmas religiosos, coisa que lhes pertencia desde o começo das “eras”. Respeitosamente, sem abdicar de deveres e obrigações doutrinárias, resolveu buscar o protagonismo em detrimento da coadjuvancia desbotada que sempre representou diante do mundo.  Assim, permite algumas extravagâncias ocidentais em seus domínios, tipo consumo de álcool e noitadas festivas em casas noturnas. Para fugir da alcunha pejorativa de uma misoginia exacerbada, em quase todos os países muçulmanos, exceto o Afeganistão, as mulheres já podem perambular pelas ruas, sem a odiosa “burca”. A Ásia é perigosa, tem em suas terras, mais da metade da população do planeta. A onda amarela se espalha silenciosamente e sorrateira, o povo de olhinhos rasgados é determinado e disciplinado, parece não dormir. Vai demorar um pouco, mas o engasgo do ocidente é inevitável, quem viver verá. Num dia lá adiante, vai ser obrigatório nas escolas, ensinar o “mandarim” e antes dos garotos adentrarem para as aulas, nos pátios militarizados, vão entoar o “hino chinês”. Cruz credo, pé de pato, mangalô três vezes.

Carlos Karoá, amante de música e cinema, também tem paixão pelo universo das letras. Em 1970, deixou Morro do Chapéu com destino a Salvador, como fazia todo jovem interiorano daquela época. Hoje aposentado, retorna à nossa cidade em busca de uma vida mais tranquila. Gosta de escrever crônicas e pequenos contos, sejam eles verdadeiros ou não.

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