ROBIN HOOD, não é fruto de um cérebro criativo de um contador de “causos” ou de um escritor de fértil imaginação, foi criando asas na frondosa árvore do folclore inglês, recebendo aditivos literários ao longo dos anos de ” disse me disse”, em ” Pubs” e tavernas escuras da velha Inglaterra, até se tornar personagem de cinema e depois Tv, chegando às letrinhas de livros de histórias e revistas em quadrinhos. Debaixo do meu colchão, escondidas do meu pai, muitas delas estavam lá. A afirmação romantizada, era que ele roubava dos ricos para dar aos pobres, armando emboscadas nas florestas de Sherwoods, território britânico da época do rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda.
JESSE JAMES, nascido em 05 de setembro de 1847, no condado de Clay no estado do Missouri, também era por profissão, um assaltante, ganhava a vida depenando passageiros e roubando caixas de valores, nos comboios das linhas férreas americanas. Evitava assaltar bancos, pilhando trens de cargas se sentia mais seguro. Por ajudar vizinhos e defensores da causa sulista, granjeou a fama de justiceiro, apesar de ter nas mãos, o sangue de vários assassinatos. Foi morto à traição por um dos asseclas do bando, que viu nesta oportunidade a chance de abiscoitar uma recompensa de 10.000,00 mil dólares, oferecidos por banqueiros e donos de Trens de Ferro.
HENRY MC CARTY, mais conhecido com Billy, The Kid (Billy, o garoto) nascido no estado de Nova Yorque, em 23 de novembro de 1857, no decorrer de sua breve existência, apenas 21 anos, conheceu a agonia do primeiro assassinato, com apenas 17 anos. Uma briga acalorada, o levou a tirar a vida de um ferreiro de nome Frank P. Carril, atirando no ventre do então adversário. Foi um fora da lei, enquanto piscou os olhos na turbulenta era do velho oeste americano.
VIRGULINO FERREIRA DA SILVA, O LAMPIÃO, aqui por estas bandas tupiniquins, também dividiu opiniões quanto a sua natureza humana. A afirmação de ser um bandoleiro, ganha força quando observamos o seu modo de vida, dormindo em grutas ou a céu aberto, tendo na pilhagem armada, o sustento para o bando que o acompanhava. Há relatos de boas ações pontuais de sua parte, mas de modo algum, lhes cabe a alcunha de “paladino”, em seu “embornal”, trazia um cabedal vermelho do sangue de muitos inocentes. No dia 28 de julho de 1938, numa gruta do estado de Sergipe, deixou este mundo sem o lamento de ninguém, nenhuma “carpideira” derramou seu pranto por alguns trocados, numa referência paga por quem evidentemente, não merecia.
Os personagens citados, alcançaram a notoriedade brandindo espadas ou empunhando o cabo de um revólver, nada infelizmente em nome da lei, todos tinham por decorrência, a justiça em seus calcanhares. Por que, apesar de estarem cobertos com o manto do banditismo, estes homens inspiravam adoração? ROBIN HOOD, foi uma lenda do século V, isto é, ano 500 depois de Cristo. JESSE JAMES e BILLY THE KID, perambulavam pelo oeste americano em meados do século XlX e o velho LAMPIÃO, nos deixou arrodeando a metade do século XX. Todos, foram agraciados com a túnica branca da eternidade, graças ao beneplácito generoso da sociedade, que por razões intrínsecas, idolatram quem vive às margens da lei.
Hoje, uma analogia bandoleira é pertinente, nossos malfeitores são reais, mais danosos, mais cruéis, todavia, de aparência diferente. O “habitat” é indubitavelmente câmeras públicas, modernamente humanizadas, custeadas evidentemente por quem nunca lá põe os pés. Homens ou mulheres, são reconhecidamente elegantes, a “verve” soa doce e atraente, mas a língua é dúbia, igual à da serpente. Não usam mais o cavalo como meio de transporte, autos luxuosos e aviões da FAB os levam aonde dormir, ou jatinhos particulares gratuitos, onde eles querem ir.
No coldre, não usam mais o revólver, manejam com espantosa destreza, uma caneta, com ela, bem mais poderosa, podem até mudar de sexo. Corruptos, mentirosos, ladrões, contumazes em promessas vazias, diaristas em escândalos escabrosos, porém vergonhosamente o idílio permanece.
Deus dos céus, até quando.

Carlos Karoá, amante de música e cinema, também tem paixão pelo universo das letras. Em 1970, deixou Morro do Chapéu com destino a Salvador, como fazia todo jovem interiorano daquela época. Hoje aposentado, retorna à nossa cidade em busca de uma vida mais tranquila. Gosta de escrever crônicas e pequenos contos, sejam eles verdadeiros ou não.