No dia 12 de fevereiro de 1809, nascia no atual condado de Lá Rue, no estado do Kentucky, nos Estados Unidos, um garoto que viria ser mais tarde, o presidente do seu país e sem nenhuma dúvida, um dos maiores estadistas da história americana, seu nome: Abraham Lincoln. Sulista de nascimento, ponderado, inteligente, cristão, teve em suas mãos, um dos maiores problemas que pode surgir numa administração pública: um conflito social entre a sua própria gente. A guerra de “secessão”, briga entre nortistas e sulistas que por anos manteve os dois lados sem uma cordialidade sincera, foi por motivos abolicionistas, o norte queria a extinção da escravatura, mas o sul, por interesses econômicos, por ser a região especialmente agrícola, não queria perder a mão de obra farta e gratuita. Abraham Lincoln, presidente, escolheu apoiar o norte. Homem probo, ungido em coragem e lisura, enfrentou a contenda com sabedoria e justiça, coisas que se escafederam por estas bandas de cá, a sabedoria anda em falta nas “prateleiras” e a justiça, sórdida, desceu pelos esgotos da vergonha. Abraham Lincoln resistiu de modo determinado em não aceitar a proposta dos estados confederados, em separação do resto da União, a América no seu jeito de pensar, era uma unidade, uma pátria sem escravidão e com todos os condados em harmonia. De 1861, a 1865, milhares de vidas foram ceifadas em nome da intolerância e da falta de humanidade, mas por fim, Abraham Lincoln, foi o vencedor.
Israel e a Palestina serão inimigos até o final dos tempos, o que está em jogo na verdade, para que o passado se torne apenas tristes lembranças, não é a posse das colinas de Golan, invadidas e apossadas por Israel durante a guerra dos seis dias em junho de 1967, não é o quantitativo de valores, é o peso incalculável e intransponível das suas ideologias. As futuras gerações poderão até perdoar as mortes lamentadas em ambos os lados, mas a religião, jamais vai permitir a sinceridade num aperto de mão, num abraço, numa assinatura de tratado, porque envolve sentimentos e não se negocia, não se compra, não se vende a consciência. Este mesmo ódio racial está em ascensão, nestas bandas de cá.
Perigosamente, tristemente, estupidamente, por terras brasileiras está se desenhando um conflito entre irmãos. O chamado sul maravilha, industrializado, com uma economia pujante, antagoniza com o nordeste rico em cultura, mas financeiramente precisando de reparos. A contenda que se avizinha, caso ao longo do tempo seja sentida, será uma luta sabidamente injusta, cruel e desumana.
O motivo da guerra de secessão americana, era e é nobre por natureza, o direito à liberdade é natural e sagrado.
O perrengue entre judeus e palestinos, mistura sentimentos religiosos, não tem como aceitar as diferenças.
O motivo do imbróglio entre sul e nordeste, numa terra que em se plantando tudo dá, onde o sol é mais luzente, onde o luar acalenta com mais doçura a noite dos amantes, é a bestialidade coletiva, a ignorância, o fanatismo, o que atesta que estamos anos luz, aquém da civilidade.
O ano de Nosso Senhor Jesus Cristo é 2026, que este registro seja necessário para a posteridade. As vestes que me cobrem nesta hora são de vergonha, tristeza e desilusão, não há dúvidas que em todas as suas pluralidades, o país infelizmente atingiu o fundo do poço. A juventude, reserva de esperança de um povo, hiberna emburrecida, as forças armadas, vergonhosamente foram alijadas por corrupção e a classe política, esta, uma das piores do planeta, perdeu a representatividade. O poder judiciário, cuja cúpula maior, exala um odor fétido e putrefato, nos causa nojo e o maior dos desenganos, a guerra de secessão entre sulistas e nordestinos, nesta contenda, o viés sofrimento, será inevitável. Estivéssemos unidos, a reconstrução seria um desafio esperançoso e aceitável, às turras, contudo, ungidos em ódio xenofóbico, lágrimas tardias terão nascentes em meio aos mais vulneráveis.
Temos hoje a maior carga tributária do planeta.
Temos hoje uma dívida pública impagável, cerca de 11 trilhões de reais.
A falta de credibilidade fiscal afugenta investidores, já existe fuga de capitais
Incompetência administrativa gera inflação.
População endividada, corrupção endêmica, fechamento de empresas, desemprego, a visão chega a ser aterradora. A conta vai chegar.
Há um legado pós eleições: A separação de almas, d’antes irmanadas desde a primeira república. A quem interessa, é fácil a percepção. Só aos donos desta canoa sem rumo, rende dividendos, esta “guerra de secessão”. O vaticínio é de lamentação.
Ao criador, a quem tudo pode, um apelo de salvação.

Carlos Karoá, amante de música e cinema, também tem paixão pelo universo das letras. Em 1970, deixou Morro do Chapéu com destino a Salvador, como fazia todo jovem interiorano daquela época. Hoje aposentado, retorna à nossa cidade em busca de uma vida mais tranquila. Gosta de escrever crônicas e pequenos contos, sejam eles verdadeiros ou não.