Carlos Karoá escreve: ‘ENCONTRO DOS AMIGOS’

Há uma afirmação biológica de que nós humanos, somos feitos de carne e osso. A afirmação é correta, mas, para que não sejamos peças mecânicas no contexto “vida”, é preciso de algo que nos torne diferentes dos animais irracionais: As emoções. Sendo assim, nós humanos, somos feitos de carne, osso e sentimentos.

 

Estas sensibilidades, nominadas de estado da alma, têm uma mandala onde a diversidade é quase infinita. Mas, uma em especial, é tão nobelesca quanto o amor que inebria: É a amizade. E é ela que a cada ano nos conduz para os nossos encontros exclusivamente masculinos, nos remidos dias de sábado de aleluia, onde celebramos a libertação. Neste tête a tête onde mostrar os dentes é uma obrigação, os abraços são por demais calorosos, sorrisos excessivamente copiosos, matamos a saudade de uma ausência as vezes demorada, nos tornamos uma aldeia e a equidade, é tão presente quanto o sol que nos rodeia.

 

A cada ano, de algum jeito existe surpresas, não há cópia do ano passado, sempre existe algum amigo cuja ausência nos enchia de saudades e é neste dia, que nos fartamos em abraços.

 

Também neste dia, a felicidade vem em borbotões, nos braços do momesco Flavinho Vasconcelos. Ele dança, sapateia, canta, trina as cordas da viola e exemplifica que para ser feliz, estar entre amigos é o primeiro mandamento. É o mais brilhante folião. Sem ele, sem nada, tudo falta.

 

A música, como diz o amigo Zeca de Alaíde, é a única unanimidade que existe e lá no nosso festim sacrossanto, ela é incessante e dezenas de artistas locais, não nos permite as benesses do silêncio.

Sione e Dodô são figurinhas carimbadas, os aplausos são merecidos.

Cleová Barreto dispensa comentários

O velho Peixoto com sua voz rouca e bela, exala no suor da testa, o gênio Raul Seixas

Nito Barreto com seu “Mata o Véio” estilizado, ano que vem tá lá de novo.

Mateus Garcez fazendo a afirmação do Rock and Roll

Sandro Matos de Cafarnaum, num tributo às noites perdidas entre amigos

Marcelo Bagano, Eugênio Cerqueira, onde a música está no seu habitat natural.

Nery Salvador, versatilidade, paixão pelo que faz.

Mas, um grupo de sangue de uma cor só, merece contrato pro ano que vem:

“Mariinha Fest”

Eugênio, Danilo Cristóvão e João Cerqueira

Botaramprarombar. Aplaudi de pé.

 

Parabenizo os gestores deste “Sarau diurno”, percebe-se a vontade expressa de tornar esta festa, uma celebração relevante no calendário cultural da cidade. A cada versão, arestas são aparadas, novidades inclusas e os propósitos merecidamente alcançados, que é semear alegria, amizade, diversão, cidadania, qualidade de vida e saudades, quando o futuro, for o presente das nossas vidas. Ano que vem, se vivo estiver, tô lá de novo.

 

Sugestão de texto: Rafael Vasconcelos.

 

Abraços,

Carlos Karoá, amante de música e cinema, também tem paixão pelo universo das letras. Em 1970, deixou Morro do Chapéu com destino a Salvador, como fazia todo jovem interiorano daquela época. Hoje aposentado, retorna à nossa cidade em busca de uma vida mais tranquila. Gosta de escrever crônicas e pequenos contos, sejam eles verdadeiros ou não.

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