A família não para de crescer.
Chegou Aline: um e-book que segue o estilo de conto fantástico com final surpreendente, semelhante à Ângela, Anita, Anete e Analice,
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Aline é um conto que narra a estória emocionante de um personagem que durante uma viagem faz uma parada no sertão baiano. Forçado a permanecer por mais dias, ficou fascinado com as histórias do lugarejo contadas por um amigo recente. Nesse período conheceu uma linda mulher e ficou apaixonado. A obsessão pela moça causou a sua derrocada em um final surpreendente.
O sofrimento do personagem é causado pela espera de um amor que foi embora e não retornou. A decepção causou-lhe uma alienação mental, a ponto de se anular como pessoa. Contudo ele continuou obcecado aguardando a volta da sua amada. Será que ele vai ter a amada de volta depois de tanta angústia?’
Ângela: um e-book que segue o estilo de conto fantástico com final surpreendente, semelhante à Anita, Anete e Analice,
Ângela é um conto que relata uma estória onde o personagem fica deslumbrado ao encontrar o amor da sua vida em uma festa de largo em Salvador, Bahia. Depois da festa, ele é convidado pela linda mulher para terminar a noitada na residência dela. No dia seguinte ele acorda aterrorizado com a realidade brutal. Será que vai sobreviver ao terrível susto?
A fantasia do conto indica que a mente humana é livre, embora muitas vezes seja cerceada, por isso a sinopse não poderá dar detalhes que poderão malograr a intenção da estória ter um final fantástico.
‘Junhão’ ganhou uma irmã: Anita
A família continua crescendo. Chegou Analice!
Qual não foi a nossa alegria ao saber que tem mais uma novidade para os leitores morrenses que acompanham os Episódios do Junhão de qualquer parte do planeta: Analice.
Analice é um conto que relata uma estória onde o personagem fica deslumbrado ao encontrar o amor da sua vida. Depois de estarem enamorados e ele fazer muitas promessas, será que vai conseguir cumpri-las ou ela não irá aceitar o casamento proposto?
A fantasia do conto indica que a mente humana é livre, embora muitas vezes seja cerceada, por isso a sinopse não poderá dar detalhes que poderão malograr a intenção da estória ter um final fantástico.
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O escritor Joswilton Lima registrou os seus livros na Biblioteca Nacional do Brasil e está de posse dos Certificados. Para aquisição do livro físico ou digital é só clicar na capa:
Agora que você chegou até aqui, continuamos a usufruir da criatividade de amigos (as) que, por meio da sua atividade literária, presenteiam nosso leitores com textos de encher os olhos e fazer a alma viajar:
TRAMBIQUE EM FAMÍLIA
JUNHÃO
Quarenta e sete anos de idade. É meio-dia quando ele acorda e vai para o banheiro. Farreou a noite inteira, por isso ainda está tonto e anda trôpego por causa da ressaca. Ao passar pela cozinha está mal-humorado e não fala com a mãe que está na pia lavando pratos.
CEIÇA
Sessenta e sete anos de idade. Está revoltada com a conduta do filho e quando ele sai do banho, interpela-o com raiva:
– Espera aí, mocinho! Eu sou um pedaço de papel jogado no chão que você passa pra lá e pra cá e não me dá um bom-dia, sequer? Isso é forma de tratar uma mãe zelosa que nem eu? Você pensa que é quem, seu ingrato?!
JUNHÃO
Não dá importância ao que ela fala e senta-se à mesa para comer o desjejum. Antes de iniciar a refeição aproveita o momento para dar um esporro desaforado na mãe:
– Quem tem de esperar é você, sua velha intriguenta! Ou melhor, deixe de conversa-fiada e vá logo esquentar a feijoada, porque estou faminto e depois do café matinal quero almoçar. Estou com uma fome de leão!
CEIÇA
Subserviente ao filho, imediatamente vai aprontar a comida e depois põe na mesa. A seguir se senta ao lado dele para ficar observando o sujeito comer com a gana de um esfomeado. Com muito jeito ela se arrisca a iniciar uma conversa com ele:
– Filhinho, você está com algum problema, porque ultimamente só anda irritado?
Junhão continua comendo e nada responde. Incentivada pelo silêncio dele, resolve continuar perguntando para satisfazer a sua curiosidade:
– Será que o motivo da sua zanga é por causa de alguma trapalhada que você fez na rua durante as suas noitadas?
Como ele não responde ela continua a fala de forma suave para ver se consegue arrancar uma confissão dele:
– Uma boa mãe precisa saber se o filhinho está afligido porque está passando por algum problema. Caso queira me dizer o motivo da sua angústia eu posso ajudá-lo a arranjar uma solução.
Ele continua calado, embora está cada vez mais inchando de raiva com a prosa da mãe. O silêncio dele dá ênfase a Ceiça para continuar falando:
– Tem um amigo seu que passa o dia todo ligando querendo falar com você. Quando eu digo que você não está em casa o sujeito se zanga, fica bruto e começa a me ofender.
A seguir faz uma advertência:
– Diga ao sujeito grosseirão e mal-educado que eu não sou da laia dele, porque sou uma senhora decente e mãe de família, portanto não admito que um elemento mequetrefe fique me xingando e proferindo palavrões.
JUNHÃO
Ao ouvir o relato da mãe fica enraivado por estar sendo incomodado com bolodório dela e ao terminar de comer, retira-se da mesa de modo brusco. A seguir vai para o quarto dormir, porque precisa descansar a fim de ficar recuperado para poder ir farrear, quando anoitecer.
CEIÇA
Desiludida por não ter obtido nenhuma resposta do filho vai cuidar dos afazeres domésticos na cozinha. Contudo, ela é ranzinza e, enquanto lava as panelas, está enraivada e esfrega a esponja de aço com força, jurando que ainda vai descobrir qual é o segredo que o filho está escondendo.
JUNHÃO
No início da noite ele acorda e, como é arteiro, vai para o banheiro com o semblante tranquilo, muito diferente do que tinha antes. Ao passar na cozinha cumprimenta a mãe de modo afável:
– Boa noite querida mainha! Sonhei com a senhora o tempo inteiro.
CEIÇA
Ao notar a ótima mudança no comportamento dele fica muito feliz. Estando satisfeita, continua preparando o jantar e fica sorrindo o tempo inteiro, porque está acreditando que finalmente o filho reconheceu que ela é uma boa mãe. Às vezes murmura com felicidade:
– Glória a Deus! Enfim, o meu filhinho está de volta! Jesus, o meu advogado das causas impossíveis, operou em meu favor.
A seguir louva e faz uma promessa com fervor religioso:
– Vou aumentar o dízimo que pago ao pastor em agradecimento a esse milagre recebido, apesar de não ter preço que pague. De agora em diante vou louvar muito por essa graça recebida.
JUNHÃO
Depois do banho ele se perfuma e fica arrumado para sair. Demonstrando que está bem-disposto, continua tratando a mãe de modo gentil e senta-se à mesa para jantar.
CEIÇA
Sabendo que o filho vai sair, porque é impossível mantê-lo em casa durante a noite e por estar muito contente com o modo cortês que ele está tratando-a, preparou uma comida especial. Cozinhou mocotó de boi com tutano, fez o pirão e preparou um molho lambão com pimenta malagueta e de cheiro. Como acompanhamento para o jantar do filho, serviu a ele uma cerveja da moda bem gelada. Ela não quer que o seu filhinho fique com fome durante a farra que irá fazer.
JUNHÃO
Ao terminar o lauto jantar ele se levanta e antes de sair, pede à Ceiça:
– Mãezinha querida, quero que me dê dinheiro. Hoje eu preciso de uma grana maior, porque vou ter uma reunião importante com os amigos.
CEIÇA
Fica irritada na hora e enfeza a cara, mas logo resolve ficar calma por causa do modo carinhoso que ele está tratando-a. A seguir vai no quarto e pega um maço de dinheiro que estava escondido e depois volta sorridente para a sala e entrega a grana ao filho. A seguir se despede dele muito sorridente:
– Tenha boa noite meu filhinho adorável! Que Deus te acompanhe e te proteja de todos os males.
JUNHÃO
Arregala os olhos ao receber o montante do dinheiro e, apesar de estar contente, muda de conduta e destrata a mãe ao se despedir:
– Valeu coroa! Fui!!!
E sai rápido do apartamento.
CEIÇA
Ficando sozinha está triste com a mudança radical no comportamento do filho e percebe que minguaram as suas esperanças de dias felizes. Fica enraivada e resolve deixar para lavar no dia seguinte os pratos e as panelas, porque está muito cansada devido à sua luta diária. Senta-se no sofá e antes que possa pensar em alguma coisa o telefone toca. Imediatamente ela atende à ligação pensando ser alguma amiga para se distraírem conversando, mas logo reconhece a voz do sujeito que tem ligado diariamente cheio de desaforos procurando pelo filho dela. Nervosa, pergunta:
– O que é que você quer com o meu filho Júnior? Você está enchendo o saco perguntando toda hora por ele. Diga logo o que quer, porque eu resolvo tudo por ele!
O homem fala e Ceiça pergunta demonstrando espanto:
– O quê?!!!… Que conversa errada de empréstimo é essa?!… O senhor é gerente de algum banco? O Júnior assinou alguma Nota Promissória? Caso não tenha nenhum papel assinado eu não pago nada, ouviu bem?!
O elemento fica enfezado e informa qual é a profissão dele. Nesse momento ela arregala os olhos com assombro e exclama repetindo o que ouviu:
– “Nepussível” uma merda dessa! Quer dizer que você é um agiota?! Você não pesquisou nada sobre ele quando emprestou o dinheiro, por quê? Pois fique sabendo que ele é de menor e tem problemas na mente por ser autista!
Ela fica revoltada quando o homem dá uma gargalhada ensurdecedora. Apesar de estar zangada com a risada debochada, resolve continuar a conversa:
– Ele não responde por nada, porque eu sou a tutora dele. Agora vamos encurtar a conversa e diga quanto o Júnior tomou emprestado, que vou ver o que posso fazer. Não quero que nenhuma alma sebosa com a boca imunda fale mal do meu filho.
Ao ser informada do montante do empréstimo, ela quase desmaia e grita:
– Misericórdia!!! Como é que entrega uma dinheirama dessa a uma criança, seu miserável irresponsável?!…
Agoniada com o alto valor do débito que lhe foi dito, ela tenta amenizar a situação e faz uma oferta para solucionar o problema:
– Eu não tenho dez mil para lhe pagar! Veja se quinhentos reais resolvem tudo, porque é o único dinheiro que vou ver se posso arranjar.
Ao ouvir a resposta mal humorada do homem ela fica desespera e exclama:
– Quer dizer que juntando o dinheiro emprestado com os juros, o débito agora é de trinta mil? Onde é que você aprendeu a fazer essa conta de aritmética? Que horror, isso é um absurdo!!! Por isso não vou lhe pagar nada!
O homem fica revoltado e diz alguma coisa. Ao ouvir o que foi dito ela fica com medo e fala com a voz trêmula:
– Calma, meu senhor, não precisa ameaçar a gente de morte, ouviu? Amanhã eu vou conversar com o meu filho e com certeza a gente vai conseguir resolver esse problema seu. Tenha boa-noite e fique com a paz de Jesus no coração.
CEIÇA
Nessa noite ela não dorme com o juízo ardendo, porque não consegue enxergar uma saída para resolver o problema que o filho arranjou sem comunicar nada a ela. De vez em quando exclama injuriada:
– Que filho infame esse tal do Júnior!… Ah, sujeito ordinário! Não sei mais o que fazer pra botar juízo na cabeça de bagre desse tonto! Ele está desgraçando a minha vida, porque a todo momento eu tenho de pagar um débito dele.
Apesar de ser a responsável pela formação moral do filho que criou para viver do ócio explorando o pai, começa a difamar os familiares do marido:
– Do jeito que ele é, deve ter puxado à família do pai dele. Misericórdia, naquela raça não tem uma pessoa que preste pra nada!
E assim passa a noite lamentando e se queixando dos desatinos do filho. Perto de amanhecer o dia ela é vencida pelo sono e adormece no sofá.
JUNHÃO
Às cinco horas da manhã ele chega bêbado no apartamento e tem dificuldades para introduzir a chave na fechadura para abrir a porta. Depois de muitas tentativas ele consegue e entra silencioso tendo ânsias de vômito, mas vai ligeiro para o quarto dormir com medo que a mãe acorde e lhe dê um esporro por causa do horário avançado e do seu estado de embriaguez.
CEIÇA
Meio-dia ela acorda toda dolorida por ter dormido de mal jeito no sofá e levanta-se embrutecida para saber do filho se a história do agiota é verdadeira. Ao chegar na porta do quarto dele fica estarrecida com os sons altos dos roncos e dos gases que ele expele do tubo digestivo. Mesmo assim resolve entrar no quarto e na hora grita enfurecida:
– Levanta da cama, sua “miséra”! Misericórdia, que fedor de bafo de onça é esse?! Será possível que para entrar nesse cafofo é preciso usar máscara? O que foi que você comeu o que na rua, porque os seus gases parecem carniça!
E continua com a reclamação:
– Antes de você sair à noite eu me esmero na cozinha fazendo comida para você não ficar na rua comendo porcarias nas barracas! Você é um guloso que não tem limites!
Deu o esporro com o nariz tampado por causa do mau cheiro dentro do quarto.
JUNHÃO
Continua ressonando porque está dormindo a sono solto e não ouve o escarcéu que a mãe está fazendo.
CEIÇA
Percebendo que é impossível acordar o filho gorducho, ela fica revoltada e pensa no que poderá fazer para conseguir o seu intento. Depois de raciocinar acha uma solução e vai ligeiro para a cozinha buscar duas tampas de alumínio para fazer zoada.
JUNHÃO
Ao voltar para o quarto Ceiça faz muito barulho batendo as tampas. Depois de algum tempo ele acorda e abre os olhos vermelhos, remelentos, e fica enfurecido reclamando com a mãe:
– “Peraí” rapaz, não viu que eu estava dormindo? Que agonia é essa em querer me acordar antes de amanhecer o dia?!
A seguir resolve dar ordem na mãe:
– Se é por falta do que fazer, vá lavar uma bacia de roupas e depois prepare o meu desjejum e o almoço, porque quando levantar vou estar com fome!
CEIÇA
Está espumando de raiva por causa da atitude de desprezo que o filho lhe tratou. Enlouquecida, brada:
– Você tem lá condições de me dar ordem, seu salafrário, cínico! Levante logo da cama para me explicar tudo, tintim por tintim, qual é o problema que existe entre você e um agiota que liga pra aqui o dia inteiro.
JUNHÃO
Ao ouvir o motivo da zanga da mãe, ele se levanta da cama com algum esforço e tenta minorar a situação:
– Pelo seu bafafá eu pensei que fosse algo grave.
CEIÇA
Fica revoltada e interrompe-o na hora:
– Mentiroso!!!… Ontem à noite ele fez a cobrança do dinheiro que lhe emprestou e afirmou que se não recebesse a grana ia matar a gente. Como é que você se mete com um bandido barra pesada, meu filho?
Depois ela fala demonstrando amargura:
– Todas as noites eu lhe dou dinheiro para as suas farras. Não tem nenhuma necessidade de você andar igual a um esmoler pedindo dinheiro a bandido. Bote juízo na sua cabeça, seu ordinário!
JUNHÃO
Ao ouvir o relato demonstra tranquilidade e disfarça falando para apaziguar a mãe:
– Ele é gente boa, meu parceiro e amigo.
CEIÇA
Está explodindo de raiva com a desfaçatez do filho e pergunta:
– A sua inocência me deixa enervada. Júnior, quando é que você vai aprender a ficar esperto?! Onde você conheceu um elemento com uma estirpe ruim dessa?
JUNHÃO
Continua calmo e relata:
– Foi em um bar boêmio no Rio Vermelho. Eu estava em uma mesa tomando umas, quando ele chegou e se apresentou como Edilberto, um rico empreendedor financeiro. A seguir ficamos conversando e bebendo. Terminamos ficando amigos.
A seguir narra:
– Durante a conversa ele me perguntou sobre a minha família. Para não ficar por baixo parecendo um pobretão eu disse que era filho de milionários.
Depois comenta sorrindo:
– Disse a ele que o meu pai é engenheiro civil, dono de uma grande empresa de construção civil e a minha mãe é uma médica conceituada, dona de uma clínica grã-fina, por isso paguei a conta toda.
E demonstra o lado oportunista dele:
– Na despedida eu aproveitei para pedir um empréstimo alegando que vocês estavam viajando em um cruzeiro pelo mundo e o dinheiro que me deixaram estava acabando.
CEIÇA
Ao ouvir a justificativa do filho ela fica revoltada e esbraveja:
– Você é idiota completo! Parece um imbecil que foi parido de uma jumenta! O delinquente disse que era rico e você, bobalhão, usou o meu dinheiro para pagar a conta.
A seguir relata com amargura:
– Você gosta de se amostrar, vive ostentando pra aparentar que é rico. Vive fazendo tanta besteira, por quê, Júnior?! Você ainda vai me matar de tanto desgosto que me dá, sujeito!
Desesperada sem saber como vai pagar o débito, grita:
– E não adianta eu perguntar onde vou conseguir o dinheiro pra quitar o débito, porque o meu filho é um vagabundo e o pau sempre quebra nas minhas costas! Não sei mais o que fazer pra consertar você!
Depois fica mais calma e sugere uma solução que poderá tomar:
– Para me ajudar a pagar o empréstimo, o jeito vai ser eu falar com Alcebíades, seu pai. Vou pedir para arranjar um serviço para você como carregador de sacos de cimento nos caminhões da firma que ele trabalha.
Contente por acreditar que essa é uma atitude acertada, informa ao filho:
– Só assim você se torna um trabalhador responsável e vai me dar o seu salário para ajudar a pagar o débito que você fez.
JUNHÃO
Sabendo que a mãe nunca cumpre as punições que promete, não se altera e diz com insolência:
– Você é uma barraqueira muito estressada, cria confusão por qualquer coisa. A sua mente é azoada e faz tumulto à toa, por isso eu não aguento mais esse porre seu todo dia. Agora saia do quarto porque tive o sono interrompido e preciso dormir.
CEIÇA
Estando sem alternativa ela se retira do quarto, principalmente depois que o filho se deita e vira as costas para ela e solta um pum alto. Desolada vai para a sala e senta no sofá para lamuriar choramingando. Murmura sobre a sua infelicidade:
– Que menino da cabeça-de-vento! Vou terminar ficando maluca por causa das loucuras dele! Valei-me meu Deus, como será que vou conseguir sair da arapuca que o miserável me botou?
E continua lamentando porque está sem saber o que fazer para resolver o problema:
– Deus que me livre de contar uma miséria dessa a Alcebíades. Com certeza o meu marido vai me largar, alegando que não sei cuidar do nosso filhinho.
Depois fica com medo e comenta:
– E agora o que faço se o agiota resolver me matar? Me acode Jesus, porque eu estou muito nova pra morrer de morte matada…
Tristonha, diz:
– Estou lascada! Não posso contar com ajuda do meu marido e também estou toda encalacrada, cheia de empréstimos bancários que tomei por causa dos gastos excessivos do Júnior.
Depois de ficar muito tempo matutando para ver se consegue uma saída para o problema, finalmente ela acredita que achou uma solução e telefona animada para uma amiga:
– Marilene, fale com aquela amiga sua que é agiota e diga que estou precisando com urgência de cinquenta mil emprestados.
Ceiça aumentou muito o valor necessário para pagar o dinheiro que Junhão deve ao agiota para se aproveitar da amizade, porque não tem a intenção de pagar o empréstimo que Marilene irá tomar no próprio nome. A grana a maior é para que ela possa aproveitar o excedente comprando roupas grã-finas e indo a salões de beleza. A amiga se assusta com a alta quantia solicitada e fala alguma coisa. Ceiça fica nervosa e reclama:
– Isso não tem nada com o meu filho Júnior. Em tudo vocês querem botar o meu filhinho no meio, que é um menino correto. Eu é que estou com um probleminha, mas se ela não tiver a quantia toda, só trinta mil vai quebrar o galho.
Marilene dá uma informação e Ceiça brada revoltada:
– Que agiota fuleira é essa?!… A sujeita não tem uma merreca dessa?! É melhor ela sair do ramo da agiotagem, porque é uma falida.
A amiga fica sem jeito por causa da deselegância de Ceiça em ofender a prima dela que empresta dinheiro a juros e, apesar de contrariada, informa a ela como poderá resolver o problema.
Ceiça fica triste porque não conseguiu aplicar o golpe na amiga e pede:
– Então pergunte ao seu marido Everaldo o endereço do agiota Tonhão na Cidade Baixa que eu mesma vou pessoalmente tomar o empréstimo na mão dele.
Com o endereço do Tonhão em mãos, ela fica tranquila e adormece no sofá.
JUNHÃO
Quando anoitece ele acorda e vai para o banheiro. Ao passar na sala vê que a mãe continua dormindo por causa da noite insone, fica zangado e acorda-a de modo brusco dizendo:
– Que folga é essa?!… O nome disso é preguiça mórbida, sabia? Você tem afazeres domésticos para fazer e não pode ficar espojada no sofá parecendo que é a patroa da casa!
Depois ordena com império:
– Agora vá pra cozinha preparar o meu jantar, porque depois do banho vou me arrumar pra ir na rua farrear!
CEIÇA
Levanta-se imediatamente e vai atender a ordem do filho.
JUNHÃO
Ao terminar de comer bastante, levanta-se da mesa e fala com a mãe:
– Agora me dá logo o dinheiro, porque eu preciso ir curtir a noitada. A vida lá fora fervilha e eu não posso perder a festança.
CEIÇA
Nesse momento perde as estribeiras e vocifera enraivada:
– Depois do que aprontou você ainda tem coragem de “vim” me pedir dinheiro, seu patife!
Chateada com o desatino do filho, continua a reclamar:
– Você é um ordinário rueiro, porque ao invés de ficar em casa me ajudando a achar uma solução para resolver o problema que criou, quer continuar na curtição.
A seguir faz uma sugestão:
– Dinheiro eu não tenho e se você está precisando, que vá pedir ao seu amigo, o tal do agiota Edilberto.
JUNHÃO
Fica enraivado com a negativa, faz um bicão com os beiços, engrossa a voz e responde:
– Eu vou mesmo, porque sei onde ele mora.
CEIÇA
Fica estarrecida com o que ouve e fala com a voz trêmula:
– Calma, meu filhinho. Não quero que você tenha contato com aquele brutamontes violento, enquanto eu não pagar o débito. Eu tenho um dinheiro guardado e vou lhe dar para não se meter em mais encrenca com aquele fulano.
JUNHÃO
Recebe o dinheiro e sai de casa sorridente, contente por ter obtido mais uma vitória sobre a mãe.
ALCEBÍADES
Enquanto o extremado pai de família viaja a trabalho para manter a casa, a esposa Ceiça é coiteira e encobre todos os erros do filho malandro. O coitado não tem nenhum conhecimento dos desatinos que acontecem dentro do seu lar.
ALGUÉM ESCLARECE ESSA DÚVIDA?
Será que o Junhão mandou um amigo telefonar ameaçando Ceiça de morte? Será que o motivo é para conseguir arranjar uma grana extra e por isso o agiota só liga quando ele não está em casa? Apesar de também estar ameaçado de morte ele sai de casa tranquilo para ir farrear de noite. Corre à boca miúda que ele convidou três das suas namoradas “ficantes” para irem curtir todos os dias de carnaval em um camarote de luxo no Bairro de Ondina, em Salvador. Isso é possível, devido ao fato de Ceiça não ter pago ao agiota e ele ficar enraivado com ela.
Por outro lado, Ceiça está atormentada querendo salvar o filho da morte. Mesmo sabendo que não tem condições financeiras de quitar o débito, ela assume correr o risco de ser morta pelo agiota Tonhão e irá tomar o empréstimo para livrar o filho vagabundo. Qual será o fim dessa mãe infeliz?
Autor: Joswilton Lima









