Pedro Honorato escreve: ‘Por Mais Equidade Étnico-Racial e de Gênero na Saúde Pública’

O racismo é uma realidade presente no cotidiano, uma prática dinâmica sem fronteiras, fluida, amorfa, que se adapta a qualquer época e está presente em todos os espaços sociais como saude, educação, esportes entre outras. Isso pode ser observado nas instituições, ambiente de trabalho, na família, relações sociais, no meio acadêmico e na pesquisa. Isso acontece por que o racismo praticado no Brasil se comporta de forma difusa, evasiva, camuflada, assimétrica, mascarada e ainda assim se mantém implacável e persistente, liquidando homens, mulheres e crianças negras.

A eliminação dessas vidas ocorre não somente a partir da violência da mão armada, mas também pela a inobservância do Estado do não acesso a direitos básicos para manutenção da vida como, alimento, saneamento básico, educação, trabalho e saúde indo além da cotidiana desumanização que aniquila a saúde mental e autoestima dos discriminados. A sociedade compreende que “o lugar de negro” ainda é imposto por práticas segregacionistas e pelo ódio racial, a minimização do ser humano de cor e descendência negra colocando a pessoa negra em um lugar da exclusão. Precisamos de uma sociedade que acreditem que negros e brancos possam conviver harmoniosamente, desfrutando iguais oportunidades de existência, sem nenhuma interferência de cunho racial.

Apesar de avanços nas últimas décadas quanto às lutas de combate ao racismo, ainda é necessário esforço para haver uma mudança estrutural em nossa sociedade, é lamentável ouvir relatos de profissionais de saúde diferenciando o tratamento cientifico ofertado ao negro daquele ofertado ao branco. Não esquecendo que existem algumas doenças características das pessoas negras com mais incidências, porém não se pode dizer que existe doença negra e nem branca, mas aquelas que acometem a qualquer um, e, como saúde e educação são descritas na carta magna brasileira como um direito de todos nada justifica umas telas mais do que outras. Hoje todos nós devemos nos levantar contra o racismo institucional que, corresponde a formas organizativas, políticas, práticas e normas que resultam em tratamentos e resultados desiguais. A Política Nacional da Saúde é Integral e para a População Negra promovendo equidade étnico-racial como um todo para a população brasileira. O debate público é que as questões raciais de gênero e discriminação não deve ser percebido no ambiente de saúde, principalmente nos ambientes de saúde pública, jamais se deve praticar atos discriminatórios.

É preciso compreender de que modo se concretiza a visão do outro nas relações entre indivíduos de grupos com maior ou menor poder social, expressos nas hierarquias socioeconômicas, de gênero, cor, raça, entre outras, em meio a configurações sociais que fomentam processos discriminatórios na oferta, esses episódios são protagonizados por pessoas despreparadas e pouco humanizadas.

Pedro Honorato

Profissional de saúde pública

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