Pedro Honorato escreve: ‘MAIS VENENO NA MESA (Agrotóxicos)’

Muitas pessoas tem se deparado com cartazes e folhetos de campanhas de saúde nas unidades de atendimento que frequentou. Também já deve ter tido contato com anúncios, pronunciamentos e orientações técnicas sobre determinadas medidas preventivas e de cuidado, por meio de veículos de mídia, e até mesmo buscado informações sobre saúde ou doenças na internet.

A educação em saude vem conceitualmente, a estratégica para o fomento de ações de cuidado, porém, não se ver cartazes falando da ameaça a sua saúde devido ao uso indiscriminado de agrotóxicos incentivado pelo próprio governo através da aprovação da ANVISA.

Do início de 2019 até setembro de 2022, 1.961 novos agrotóxicos foram liberados no Brasil, de acordo com levantamento da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, com dados consolidados a partir do Diário Oficial da União. Desse total, 30% são proibidos em países da União Europeia pelos riscos à saúde e ao meio ambiente e 20% são considerados extremamente tóxicos. O número é maior do que a soma de todos os produtos liberados em uma década, de 2005 a 2015, uma atitude criminosa, por ser uma liberação de venenos para a mesa dos brasileiros.

O que vemos é um despejo de produtos que já foram banidos em muitos outros países, inclusive onde são fabricados, por serem considerados de alta periculosidade e toxidade para a saúde humana, principalmente. A pressão da indústria nos órgãos reguladores sempre existiu, mas a correlação de forças agora parece estar ainda mais a favor dos interesses do setor regulado, que argumenta que a fila para registro é muito grande no Brasil e que produtos mais modernos precisam entrar no mercado.

Estamos falando da presença de substâncias tóxicas além do limite permitido para a cultura de alimentos que consumimos diariamente, como o arroz, o feijão, o tomate, a laranja. As consequências silenciosas são mais veneno na mesa dos brasileiros e brasileiras. O que o mercado quer é aumentar seus lucros sempre, custe o que custar, mas o Estado não pode ser conivente com isso.

Entre os 14 alimentos de origem vegetal mais comuns na dieta da população brasileira, como abacaxi, arroz, alface, alho, cenoura, laranja, tomate e uva, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em conjunto com órgãos estaduais e municipais, mostrou ainda que um a cada 100 amostras analisadas foram encontrada concentração capaz de causar intoxicação aguda às pessoas que as consomem, é um “coquetel de veneno” que chega às mesas brasileiras, portanto, vivemos sobre ameaça de envenenamento todos dias.

Pedro Honorato

Profissionais de saúde pública

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