Pedro Honorato escreve: ‘CASOS DE HERPES-ZÓSTER SUBIRAM 35% APÓS A PANDEMIA DE COVID 19’

Os casos de herpes-zóster subiram 35% após o início da pandemia de coronavírus. O herpesvírus é um vírus que causa a varicela, catapora, persiste de forma latente no sistema nervoso, podendo se reativar e propagar através das raízes nervosas e se manifestar de forma tardia através de lesões cutâneas dolorosas, condição essa denominada herpes-zóster. O diagnóstico é primariamente clínico, devendo ser feito de forma diferencial com impetigo, dermatite de contato, dermatite herpetiforme e, também, com o próprio herpes simples. Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento deve ser instituído nas primeiras 72 horas após a erupção das lesões e tem como base a terapia antiviral.

A maioria dos casos de herpes diagnosticada clinicamente, sem a necessidade de exames complementares com várias outras patologias cutâneas podendo se apresentar de forma semelhante, devendo ser lembradas no diagnóstico diferencial. O diagnóstico tem maior probabilidade de reincidir em pessoas com história prévia conhecida de varicela e com todas as manifestações clássicas como dor, erupção cutâneas. Entretanto, a pessoa pode não lembrar de ter tido varicela, e o herpes-zóster também pode se manifestar de forma atípica, resultando em dúvida diagnóstica. Exemplos incluem apresentação visceral, ausência de erupção cutânea e presença de lesões cutâneas disseminadas, essa última sendo mais comum nos imunocomprometidos. Esses casos com maior dificuldade diagnóstica devem ser avaliados pelo dermatologista ou infectologista.

Recentemente foi introduzida no Brasil uma vacina de vírus atenuado para o herpes-zóster, composta pelo mesmo vírus da vacina contra varicela, porém em concentração maior. Entretanto, essa vacina ainda apresenta custo elevado e não está disponível no Sistema Único de Saúde ainda.

Calcula-se que entre 20% e 30% das pessoas que tiveram essa infecção na infância ou em qualquer outro momento da vida apresentarão o herpes-zóster anos depois se não se vacinarem contra essa doença. O risco do zóster é que o vírus se instala no nervo e o danifica para sempre. Isso pode não ter consequências, mas há casos em que as dores são fortes e persista por muito tempo.

Pedro Honorato

Profissional de saúde pública

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