Pedro Honorato escreve: ‘ AS DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS CONSTITUEM AS PRINCIPAIS CAUSAS DE MORTE NO MUNDO, EXCETUANDO A COVID-19 ‘

As doenças crônicas não transmissíveis agora constituem sete das 10 principais causas de morte no mundo, de acordo com as estimativas globais de saúde de 2019 publicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Quatro delas estão entre as principais causas de morte no período de 2000 a 2021.

As estimativas revelam tendências nas últimas duas décadas na mortalidade e morbidade causadas por doenças e lesões e estacam claramente a necessidade de um foco global intensificado na prevenção e no tratamento de doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas, bem como no combate a lesões, em todas as regiões do mundo, conforme estabelecido na agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

A pandemia já matou mais de 660 mil pessoas em todo o mundo desde do primeiro óbito registrado na cidade de Wuhan, na China. Especialistas alertam, no entanto, que o número pode estar muito abaixo do real, por causa da subnotificação causada pela falta de testes em muitos países, e pela dificuldade de obter dados padronizados e atualizados sobre mortes.

O cenário que vemos agora aponta para a possibilidade de que a covid-19 fique entre as principais causas de morte de 2020 no brasil, mas só saberemos disso com certeza daqui a alguns anos, quando tivermos os dados

Mesmo assim, os dados oficiais disponíveis dão uma ideia da dimensão da covid-19 diante de outras causas de morte, como doenças cardiovasculares e cânceres, que continuam sendo as mais mortíferas.

Mesmo assim, no pico entre meados de setembro e outubro, a covid superou a média de mortes semanais causadas por diversos males por ano até 2017 por diabetes, acidentes de trânsito e doenças do aparelho digestivo em todo o mundo, deixando também para trás problemas como tuberculose, HIV e malária.

A pandemia afeta as populações de todos os países, de forma brutal as baixas renda baixa, mas também afetou as de média e alta renda. Nós estamos vendo que o avanço da vacinação, aliado às medidas não farmacológicas como uso de máscaras, distanciamento físico, hábitos de higiene das mãos, evitar locais fechados com pouca ventilação natural e mesmo locais abertos, mas com aglomeração, tem sido ferramentas fundamentais para nos salvar desta doença.

Como o Sars-CoV-2 é um vírus de RNA, milhares de mutações já aconteceram no vírus, mas apenas quatro variantes de atenção preocupantes surgiram, Alfa, Beta, Gama e Delta. A variante Alfa, cerca de 60% mais transmissível do que o vírus original, foi detectada em setembro de 2020 no Reino Unido e se espalhou pelo mundo, sendo mais perigosa para pessoas com mais de 80 anos de idade. A variante Beta surgiu em dezembro de 2020 na África do Sul, tem capacidade de afetar pessoas mais jovens, que desenvolvem formas mais graves da doença.

A variante Gama foi detectada pela primeira vez em janeiro de 2021 no Amazonas e se espalhou pelo Brasil e países vizinhos. A Gama possui 17 mutações, sendo 3 na proteína Spike, que auxiliam o vírus a entrar mais facilmente nas células para, então, se multiplicar. A variante Delta foi detectada em outubro de 2020 na Índia, é mais transmissível, mais contagiosa e causa sintomas diferentes dos provocados pelas outras variantes. A variantes omícron têm em comum o fato de serem mais transmissíveis, mas felizmente não são mais patogênicas, nem mais letais. Isso é um bom sinal. Outro bom sinal é que todas as vacinas em uso contra a covid-19 protegem contra todas essas variantes. Isso nos leva a acreditar que as próximas mutações não levem a variantes capazes de escapar da resposta de proteção conferida pelas vacinas. Mas o cenário de vacinação lenta em países de baixa renda preocupa o mundo ainda.

A covid 19 veio pra ficar, porém depende de nós se permanecermos com os cuidados preventivos inseridos nos últimos dois anos. Enquanto as doenças infecto contagiosas e não, porém muitas delas com certa letalidade continuarão no mesmo ou em ritmo cada vez mais acelerados ceifando vidas.  

Pedro Honorato – Profissional de saude publica

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