Nonói escreve: ‘Sabor de Infância.’

Dos sabores da infância,

ainda guardo o sabor,

da nossa pipoca d’água,

e do gostoso avoador.

Do pipocão modelado

na folha da bananeira,

ou pelas curvas da massa

espremida na assadeira.

Da farinha com açúcar,

paçoca de licuri;

ou cuscuz de milho moído,

que tantas vezes comi.

Beiju de espirro, cartucho,

ou beiju de frigideira;

sequilhos e biscoitinhos,

guardados na biscoiteira.

Do requeijão, do machuca,

escaldado de farinha;

bolo de milho, pamonha

e a gostosa canjiquinha.

Do pão de ló, brevidade,

do milho assado na brasa…

Ainda guardo a saudade

das guloseimas de casa.

Conservo ainda também,

no baú da recordação,

o sabor do gastro sedante,

na hora da indigestão.

O tempo, que é gradativo,

levou minha brevidade,

queimou o meu pau de lenha

e acendeu a saudade.

Escondeu a biscoiteira

e os biscoitos da vovó;

detonou o meu cartucho,

e comeu meu pão de ló.

Por Noedson Valois.

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