Temporariamente os Episódios do Junhão serão substituídos por textos de contos do autor Joswilton Lima. O primeiro livro que vai iniciar a jornada literária e será publicado em capítulos aos domingos é a estória fantasiosa com o título de “O Cigano Violeiro”.
As situações hilárias e as malandragens do Junhão vão continuar, porém em outro estilo. A ficção certamente irá agradar os leitores na medida que a narração do conto avançar para terminar com um final fantástico.
SINOPSE

O título do conto é fictício e narra uma estória fantasiosa, onde um sujeito bem-falante disfarçado de cigano visita fazendeiros ingênuos para vender belíssimos cavalos. Muito convincente e astucioso, consegue despertar neles a ganância para ficarem ávidos em comprar os animais.
O enredo é iniciado em uma zona rural do sertão baiano e relata a vida simples de quem mora na roça e também sobre as superstições existentes nas comunidades do interior. A estória narra o desespero dos compradores ao perceberem que foram ludibriados pelo esperto mercador de cavalos, que sumiu depois de receber todo o dinheiro que eles tinham guardado em casa.
O final do conto é surpreendente, quando descobrem que nada poderão fazer diante de forças ocultas para recuperar o dinheiro perdido. Estão amargurados porque caíram na lábia do hábil vendedor e ficou apenas a lição de que devem desconfiar de conversa-fiada que oferece grandes vantagens.
O autor
Capítulo 6
A LONGA ESPERA
O ganancioso velho Mega ficou tão envolvido com a lábia do Malaquias que na hora do cigano viajar para a cidade não se lembrou de que não possuía conta em nenhuma instituição bancária e também que no horário da ida dele não poderia sacar nenhum dinheiro, porque o banco já estava com o expediente fechado. O velho Mega relata aos fazendeiros que após se lembrar sua falha, ficou agoniado porque o horário avançava e o Malaquias não retornava para pagar a conta das despesas efetuadas, o empréstimo que tomou, dar a fabulosa gorjeta prometida e devolver o dinheiro que levou para depositar no banco. Anoiteceu e o malandro não chegou, então seu Mega ficou pensando que poderia ter ocorrido algum imprevisto que poderia ter atrasado a viagem de volta do Malaquias. Mesmo tendo um mau pressentimento ele resolveu aguardar o cigano sentado em um tamborete de madeira na frente do estabelecimento e assim permaneceu na expectativa durante a noite inteira.
A espera pelo cigano continuou por dias a fio e seu Mega passava horas até o anoitecer com os olhos fixos espiando a estrada, esperançoso de que o cigano iria aparecer a qualquer momento cheio de conversa-fiada para justificar a demora e cumprir com os compromissos assumidos. Por ter se vangloriado de que era um homem abastado, o velho Melquíades fica sem querer acreditar de que havia caído em um golpe do ardiloso Malaquias que lhe roubou até os seus últimos tostões.
Depois de muito tempo o velho Mega finalmente se convenceu de que o indivíduo ladino não iria mais aparecer e desde então sempre fica muito irritado quando se lembra de que foi roubado. E todos os dias fica praguejando o cigano que foi o responsável pelo seu infortúnio de ter ficado pobre. A tramoia do cigano era um segredo guardado por temer ser zombado pelas pessoas e só relatou o fato após saber que o Malaquias havia feito muitas vítimas. Depois de ter narrado o golpe que sofreu, ele grita raivoso:
– Quando eu encontrar aquele vigarista ele vai pagar tudo que me deve, tim-tim por tim-tim, a todo custo! Estou quase falido de tanto prejuízo que tomo no comércio. Desse jeito eu vou terminar pedindo esmola na rua.
Os presentes desdenham da mentira dele sobre a falência e comentam entre si:
– Esse sujeito é avarento e ganancioso. A vida dele é ficar chorando à toa para ver se o freguês sente pena dele. Muito tempo antes do Malaquias aparecer aqui ele sempre contava a mesma lengalenga dizendo que estava arruinado.
A seguir os fazendeiros fazem algazarra dando risadas da mentira que o velho Mega disse. Este, ao perceber que é o alvo dos gracejos, imediatamente se retira enfezado para os fundos do estabelecimento. As risadas e comentários sobre o calote que o velho birrento sofreu não param. Estão contentes porque o velho Mega não vende fiado a ninguém da região, mas havia escancarado todo o estoque do comércio e ainda deu todo o dinheiro que tinha para um cigano que nunca havia visto antes. Alguns afirmam:
– Foi bem feito o prejuízo que esse velho mão-de-vaca teve!
A seguir o grupo resolve ir para a porta do bar, porque a todo momento passa um fazendeiro agoniado que também havia sido enganado pelo cigano violeiro. Eles sorriem ao verem o infeliz tentando tanger uma tropa de jumentos velhos em direção ao cercado na feira. De repente seu Gastão fica contente ao ver Manéo, seu vizinho de propriedade, chegando irritado na feira pelejando para tanger muitos jegues velhos. A alegria é porque sabe que o Manéo não irá zombar dele, porque também foi ludibriado pelo Malaquias.
Algum tempo depois eles têm a atenção atraída pelo estardalhaço promovido pelo fazendeiro mais rico da região que grita impropérios ao tentar tanger uma imensa tropa de jumentos velhos. O fazendeiro apelidado de Zeca Piau está enfurecido proferindo palavrões, enquanto espanca os asnos com um chicote que ficaram empacados na frente da feira. Nesse momento o grupo faz algazarra zombando do fazendeiro e ficam abismados como o cigano havia conseguido aplicar o conto do vigário naquele velho esperto e pão-duro. Por ele ser muito rico e ganancioso o Malaquias lhe vendeu a maior quantidade de cavalos, por isso a frente da feira fica lotada de jumentos velhos. Ao ter conhecimento de que haviam muitos jegues velhos à venda ele fica enfezado, abandona os animais e resolve voltar para a sua fazenda caminhando rápido na estrada poeirenta.
Os fazendeiros que estavam se divertindo com a situação comentam que foi merecido o Malaquias ter levado todo o dinheiro dele. O comentário geral era de que o Zeca Piau costumava roubar as pessoas que trabalhavam para ele na fazenda, demitindo-os quando terminava o serviço sem efetuar nenhum pagamento alegando que havia sido roubado pelos funcionários. Quando Zeca Piau foi embora a sua enorme tropa de jumentos velhos voltou a se movimentar normalmente e todos os jegues ficaram zanzando na feira.
Os fazendeiros estão conformados com o prejuízo e resolvem voltar para o balcão do bar. Querem continuar bebendo cachaça para ficarem alegres e resenhando sobre o ocorrido, fato que jamais irão esquecer.
Nota: a estória fantasiosa continua no próximo domingo com mais surpresas.









