Anete: A nova componente da produção em família do Junhão chegou!
A produção literária da família do Junhão é de uma criatividade que nos inspira.
Quem nos foi apresentada agora foi Anete:
Anete é um conto de ficção onde o personagem se apaixona por uma linda mulher que acabou de conhecer. O final é surpreendente quando os enamorados são separados devido a uma situação inusitada.
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‘Junhão’ ganhou uma irmã: Anita
A família continua crescendo. Chegou Analice!
Qual não foi a nossa alegria ao saber que tem mais uma novidade para os leitores morrenses que acompanham os Episódios do Junhão de qualquer parte do planeta: Analice.
Analice é um conto que relata uma estória onde o personagem fica deslumbrado ao encontrar o amor da sua vida. Depois de estarem enamorados e ele fazer muitas promessas, será que vai conseguir cumpri-las ou ela não irá aceitar o casamento proposto?
A fantasia do conto indica que a mente humana é livre, embora muitas vezes seja cerceada, por isso a sinopse não poderá dar detalhes que poderão malograr a intenção da estória ter um final fantástico.
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O escritor Joswilton Lima registrou os seus livros na Biblioteca Nacional do Brasil e está de posse dos Certificados. Para aquisição do livro físico ou digital é só clicar na capa:
O DESVIADO
CEIÇA
Sessenta e seis anos de idade. Já é meio-dia quando ela entra no quarto do filho na ponta dos pés para surpreendê-lo dormindo. Fica exasperada quando vê o sujeito roncando em meio à bagunça na cama. Ele está deitado de bruços, muito suado, com lençóis e edredom jogados no chão. Está abraçado ao travesseiro todo ensopado de baba. O fedor no quarto é insuportável e ela sente enjoo por causa do odor horrível de bebida alcoólica que exala do Junhão. Para conseguir acordá-lo, grita enfurecida:
– Oh, sua “miséra”!… Isso são horas de estar escornado na cama, “inresponsável”?! Ninguém aguenta o seu bafo de onça! Não tem um ser humano normal que suporte uma catinga dessa. Misericórdia!…
JUNHÃO
Quarenta e seis anos de idade. Após muito falatório da mãe, ele abre lentamente os olhos vermelhos da cor de brasa e se espreguiça ainda deitado. Atordoado, passa algum tempo tentando entender o motivo da irritação dela. Depois fala demonstrando raiva:
– Que zorra!!!… Ninguém pode dormir em paz nesta casa! O que houve?! Morreu alguém?!… Se não, deixe-me descansar porque estou com ressaca!!!
CEIÇA
Ao ouvir o esporro que o filho deu, perde as estribeiras e vocifera enlouquecida:
– Seu ordinário imprestável! Quer passar o dia todo entrevado na cama?!… Esse sujeito é todo errado e fica se achando cheio de direito! Por que não fica em casa estudando, ao invés de ir farrear pra dormir embriagado todas as noites?!
JUNHÃO
Ao perceber que não foi atendido no seu intento de continuar deitado, senta-se na cama e resmunga contrariado:
– Quem está errada aqui é você que não deixa ninguém dormir com essa zoadeira. Quando começa a falar parece uma matraca. Não tem quem aguente um porre lento desse.
CEIÇA
Continua parada em pé junto à cabeceira da cama, porém a queixa do filho a faz arregalar os olhos. Então ela coloca as mãos nas cadeiras e balança nervosamente a ponta do pé, cuja perna não está apoiada com firmeza no chão. Ainda está viva na sua memória as imagens do desgosto que teve na igreja. Rancorosa, fala com deboche:
– É cada uma merda que eu ouço… Esse bicho preguiça pensa que é o dono do mundo. É um pra nada na vida! Um salafrário! Um peso morto! Por sua causa eu estou sofrendo sem poder ir aos cultos na igreja!
A seguir completa com raiva:
– Quem tem o direito de dizer o que está certo ou errado aqui é o seu pai, coitado, que anda sofrendo pelo sertão como caixeiro-viajante pra dar boa-vida a um parasita igual a você.
JUNHÃO
Fica irritado com a alegação da mãe e reage:
– É obrigação dele me sustentar, porque eu sou filho e não pedi pra nascer.
CEIÇA
Fica indignada com o que ouve. Tremendo de raiva, diz:
– A obrigação dele como pai cessou quando você completou dezoito anos. A partir dessa idade em diante o filho tem que trabalhar e se virar sozinho.
E diz incisiva:
– Quanto ao seu nascimento, a pedido ou não, eu tenho um grande desgosto porque a incompetente da cegonha errou de endereço e entregou esse mondrongo aqui em casa. Era pra aquela peste ter lhe jogado numa lata de lixo, longe daqui.
JUNHÃO
Fica retado porque a mãe derrubou o argumento dele. Contudo não se dá por vencido e continua a falar:
– O velho está trabalhando porque quer. Ele poderia já estar aposentado e ficar no bem-bom descansando em casa, cheio da grana, usufruindo da aposentadoria…
CEIÇA
Um rubor cobre-lhe a face e os olhos esbugalham quase saindo das órbitas. Está furiosa com o raciocínio do filho e grita para fazer com que ele entenda a situação:
– Curtindo o quê, infeliz?!… Ô seu jumento da cabeça de bagre, a aposentadoria que o “éni-pê-ésse” paga é uma miséria que não dá prá ninguém viver. Ele continua trabalhando por sua causa!
De repente ela resolve confessar:
– O coitado continua trabalhando igual a burro de carga porque acredita que você é um aplicado estudante de engenharia civil.
A seguir fala com amargor:
– Eu sou a culpada por ele ainda estar na labuta. Vivo mentindo para encobrir os seus erros. Eu devia dizer a ele que você é um imprestável; um picareta; um oportunista; um egoísta; um mal-agradecido…
JUNHÃO
Ouve calado e faz muxoxo desdenhando do que a mãe lhe diz. Gostaria de estar dormindo para não estar com esse bolodório no pé do ouvido.
CEIÇA
Depois continua num tom lamentoso:
– O infeliz do Alcebíades vive iludido pensando que você está prestes a se formar. Quando ele reclama que você já tem doze anos na faculdade, eu digo que o curso é de doutorado em engenharia, por isso é muito longo.
Depois conclui pesarosa:
– E o coitado acredita…
JUNHÃO
Ao ouvir a confissão de culpa, ele se sente confortado. Aproveita a situação para acusar a mãe:
– Está vendo aí? Não mandei você viver mentindo para o “paizão”. Era só dizer a verdade: que sou muito esforçado, pois já fiz dezoito vestibulares!
CEIÇA
Não se contém e dá uma gargalhada nervosa. Depois comenta com deboche:
– E daí? De que valeu tanto esforço? Não conseguiu ser aprovado em nenhum!…
Vingativa, continua a falar para zombar dele:
– Os três filhos de minha amiga Lindaura são estudiosos e passaram todos no vestibular de medicina! E de primeira!!!
Entristecida, lamenta:
– Quanto a você, só “mim” faz vergonha… Não aguento mais as minhas amigas perguntarem na falsidade: e o Júnior, conseguiu passar no vestibular dessa vez?!…
E conclui envergonhada:
– Não suporto saber que elas ficam rindo às minhas costas.
JUNHÃO
Confrontado com a verdade, tenta avocar a razão para si:
– Ora, não consegui aprovação no vestibular porque aquelas provas são muito difíceis, só passa quem é “cê-dê-éfi”. Não entrei para a faculdade porque respondi todas as questões no chute.
Infla o peito e fala com soberbia:
– Mas já descobri uma solução para acabar com o seu estresse. Agora vou estudar medicina! – A mãe se espanta com a declaração dele e arregala os olhos.
Percebendo que atingiu o seu alvo, continua:
– Tem uns países na América do Sul que não tem vestibular, basta comprar um cadáver e levar para entrar na faculdade.
Com o raciocínio rápido, ele vislumbra a possibilidade de arrancar dinheiro dos pais e tenta induzir a mãe falando:
– É só você falar com o velho pra me dar a grana que eu compro o finado e viajo. Como o investimento é alto, peça pra ele tomar um empréstimo bancário.
Acreditando que a mãe fará de tudo para que ele consiga alcançar o seu intento, afirma:
– Um ano depois eu volto com o diploma de médico para alegria de vocês.
CEIÇA
Está indignada com a desfaçatez do filho e dá-lhe um esporro:
– “Nepussível” que você queira subestimar a minha inteligência. Não tenho estudo, mas não sou burra! Você não vai fazer merda de medicina em canto nenhum, porque isso é mais uma vigarice sua!
Revoltada, comenta:
– Vem pra cá dizer que se forma em médico com apenas um ano de estudo… Só se fizer curso de magarefe em algum açougue fuleiro… E eu não sou louca pra sair por aí atrás de “difunto” pra você!
A seguir zomba dele:
– Mesmo que fosse estudar pra ser açougueiro eu duvido muito que você consiga tirar um diploma de marchante com essa falta de disposição que tem para os estudos…
Depois argumenta:
– Além do mais, mesmo se eu caísse na sua lábia, o que eu ia dizer a Alcebíades? Que argumento eu teria? Com certeza ele não vai aceitar!
E deduz qual será o motivo da recusa do marido:
– Ele não é burro e logo vai imaginar que você pra conseguir se formar em medicina vai demorar uns duzentos anos.
Revoltada com a pretensão do filho, critica:
– Você é um cara de pau mentiroso! Só se fizer mágica pra conseguir se tornar médico em apenas um ano!
E conclui enraivada:
– Jamais o seu pai vai cair na sua conversa-fiada, porque ele é esperto!
JUNHÃO
Está sentado ouvindo o esporro. Fica desanimado e apoia os cotovelos nos joelhos, abaixa a cabeça e segura-a com as mãos. A tristeza invade a sua alma. Lágrimas escorrem pela face demonstrando um choro mudo. A preocupação está consumindo a sua mente, porque prometeu levar a namorada Janete em uma viagem turística pelos países da América Latina, mormente nos andes. Está frustrado porque esperava, como sempre, a aprovação e o apoio integral da mãe.
CEIÇA
Percebendo que o filho está alquebrado, fica pesarosa por desenganar a aspiração dele. Deprime-se, porque não gosta de contrariá-lo desde quando ele ainda era uma criança. A seguir, diz-lhe de modo maternal:
– Você ia ficar bem encaminhado na igreja, mas incorporou uma entidade maligna que forçou você a fazer aquela besteira de afanar o dinheiro da coleta.
Inconformada com o sucedido, fica chateada e dá uma bronca nele:
– Depois daquele malfeito pensei que tinha se emendado, mas agora vejo que o satanás continua imperando na sua vida para desgosto meu. Você voltou às farras com o demônio no couro.
Depois lamenta demonstrando estar resignada:
– O meu sofrimento não cessa nunca, meu Deus!… Só Jesus na causa…
Para o relato e suspira fundo. A seguir olha longamente para o vazio como se estivesse rebuscando a mente para se lembrar de fatos passados. Depois reinicia:
– Tenho absoluta certeza de que você não ficou na fé religiosa por causa da fulana chamada Janete. Fiquei sabendo que a dita-cuja é dada à prática de feitiçaria.
Desesperada com a mudança de rumo na vida do filho, fala:
– Você ia se tornar um Levita de Deus, mas a sujeita macumbeira deve ter ficado fustigando o seu juízo para convencer você a cair na esbórnia.
JUNHÃO
Nesse momento, sentindo a compreensão da mãe porque ela colocou a sua culpa nas costas de outra pessoa – no caso, a Janete – ele se anima e expõe a sua verdade:
–Durante o período em que frequentei a igreja eu vi vários crentes dando depoimentos dizendo que Deus havia falado com eles, porque eram ungidos.
Continua a falar com despeito:
– Então fiquei encucado pensando qual seria o motivo daquela gente ter mais moral do que eu perante o Chefão. Por mais que eu orasse, Ele jamais entrou em contato comigo. Por isso eu resolvi abandonar a fé.
CEIÇA
Acha o motivo de pouca relevância para ficar revoltado e explica:
– Talvez as suas orações não tiveram o fervor necessário para que Ele pudesse entrar em sintonia com você. Também pode ser por causa dessa sua ligação com gente que mexe com magia negra.
JUNHÃO
Fica desesperado quando vê os seus planos de fazer turismo ruírem. Muito irritado, engrossa a voz e diz ordenando:
– Pô!… Que papo chato!!!… Como é coroa, vai arranjar o dinheiro para eu ir estudar medicina ou não?!
CEIÇA
Apesar de ter oferecido resistência, está feliz com a decisão do filho em ser médico. Mesmo com todos os dissabores que ele tem dado, Ceiça, no seu íntimo, tem a necessidade de agradá-lo. Enternecida em ver a vontade dele de querer estudar, fará de tudo para vê-lo formado.
Porém, ela não tem mais condições de tomar empréstimos bancários. O filho com a ganância por dinheiro para fazer farras, forçou a infeliz a estourar todos os seus limites. Então Ceiça decide arranjar um jeito de convencer o marido para ele tomar um grande empréstimo, já que o mesmo nunca fez transação bancária.
Animada, imediatamente raciocina e tem na ponta da língua o argumento que usará para persuadir o esposo. E explica ao filho que já tem a solução que irá convencê-lo:
– Vou dizer a Alcebíades que você desistiu do curso de engenharia, porque vai estudar medicina num país da América do Sul. E a conclusão do curso será rápida porque a maioria das matérias já estudou na faculdade.
Ciente de que a sua armação dará certo, afirma demonstrando confiança:
– Vou conversar com o seu pai. Apesar de ser vendedor de materiais de construção e desejar que você seja um engenheiro civil, acredito que ele irá ficar muito feliz em saber que você quer se tornar um médico.
JUNHÃO
Confiante de que o seu passeio turístico com Janete pelos países andinos já está certo, vai sorridente para o seu quarto. Estando sozinho, comenta satisfeito:
– Essa coroa é legal! Por mais que ela me contrarie, eu não consigo ter raiva da sujeita. Muito obrigado mainha!
Depois faz gozação aproveitando para treinar o idioma espanhol:
– Adiós, mi madre babolicona! Hasta la vista!