Episódios do Junhão: ‘AS CONSEQUÊNCIAS DA FESTANÇA’

A família não para de crescer.

 

Chegou Aline: um e-book que segue o estilo de conto fantástico com final surpreendente, semelhante à Ângela, Anita, Anete e Analice,

Aline é um conto que narra a estória emocionante de um personagem que durante uma viagem faz uma parada no sertão baiano. Forçado a permanecer por mais dias, ficou fascinado com as histórias do lugarejo contadas por um amigo recente. Nesse período conheceu uma linda mulher e ficou apaixonado. A obsessão pela moça causou a sua derrocada em um final surpreendente.

O sofrimento do personagem é causado pela espera de um amor que foi embora e não retornou. A decepção causou-lhe uma alienação mental, a ponto de se anular como pessoa. Contudo ele continuou obcecado aguardando a volta da sua amada. Será que ele vai ter a amada de volta depois de tanta angústia?’

 

Ângela: um e-book que segue o estilo de conto fantástico com final surpreendente, semelhante à Anita, Anete e Analice,

 

Ângela é um conto que relata uma estória onde o personagem fica deslumbrado ao encontrar o amor da sua vida em uma festa de largo em Salvador, Bahia. Depois da festa, ele é convidado pela linda mulher para terminar a noitada na residência dela. No dia seguinte ele acorda aterrorizado com a realidade brutal. Será que vai sobreviver ao terrível susto?

A fantasia do conto indica que a mente humana é livre, embora muitas vezes seja cerceada, por isso a sinopse não poderá dar detalhes que poderão malograr a intenção da estória ter um final fantástico.

‘Junhão’ ganhou uma irmã: Anita

 

Qual não foi a nossa felicidade ao saber que tem novidade para os leitores morrenses e de qualquer parte do planete: Anita.

Será irmã do Junhão?

De certo que Anita é um conto que relata uma estória com um desfecho surpreendente, onde o personagem se desdobra em narrar sobre o seu passado e culmina com a frustração do presente. A fantasia do conto indica que a mente humana é livre, embora muitas vezes seja cerceada, por isso a sinopse não poderá dar detalhes que poderão malograr a intenção da estória ter um final fantástico.

A obra literária já está disponível na plataforma amazon.com.br e para adquiri-la basta clicar na imagem:

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A família continua crescendo. Chegou Analice!

 

Qual não foi a nossa alegria ao saber que tem mais uma novidade para os leitores morrenses que acompanham os Episódios do Junhão de qualquer parte do planeta: Analice.

Analice é um conto que relata uma estória onde o personagem fica deslumbrado ao encontrar o amor da sua vida. Depois de estarem enamorados e ele fazer muitas promessas, será que vai conseguir cumpri-las ou ela não irá aceitar o casamento proposto?

A fantasia do conto indica que a mente humana é livre, embora muitas vezes seja cerceada, por isso a sinopse não poderá dar detalhes que poderão malograr a intenção da estória ter um final fantástico.

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O escritor Joswilton Lima registrou os seus livros na Biblioteca Nacional do Brasil e está de posse dos Certificados. Para aquisição do livro físico ou digital é só clicar na capa:

Mais um livro do escritor Joswilton Lima, autor dos Episódios do Junhão. Com o título de “O Cigano Violeiro” é um conto fantasioso destinado ao público adulto e juvenil que narra as superstições existentes nas comunidades rurais do interior.

O livro relata a vida simples e feliz dos personagens, mas que é totalmente alterada devido a visita inesperada na região de um indivíduo pernicioso.

A ficção da estória irá deixar os leitores surpreendidos por causa do final fantástico.

As ilustrações também são autor. A capa é uma pintura digital com o mouse, experiência nova que mesmo com toda a dificuldade da adaptação, deu um bom resultado.

As ilustrações internas são fotos de pinturas a óleo, também do autor.

A seguir, Episódios do Junhão I e II. Para adquirir basta clicar na imagem:

 

Joswilton Lima também é autor de ‘Enígmas da Escuridão’ e você também tem acesso ao livro para aquisição, pelo link que está na imagem, basta clicar:

 

Agora que você chegou até aqui, continuamos a usufruir da criatividade de amigos (as) que, por meio da sua atividade literária, presenteiam nosso leitores com textos de encher os olhos e fazer a alma viajar:

 

AS CONSEQUÊNCIAS DA FESTANÇA

 

JUNHÃO

Quarenta e seis anos de idade. Depois que foi preso ele continua encarcerado no presídio, porque tentou pagar com cédulas antigas e sem valor a enorme conta das despesas que efetuou em um restaurante no Festival da Virada, na orla de Salvador. Encolhido em um canto da cela ele está amargurado e remoendo com raiva um pensamento fixo de que a sua mãe, por perversidade, é a responsável por ele ter sido registrado na delegacia como estelionatário. Revoltado com o fato, promete se vingar dela:

– Nem que eu seja libertado depois de trinta anos, aquela velha cheia de maldade vai me pagar! Por culpa dela agora estou fixado na polícia e não sou mais réu primário. O sossego dela vai acabar quando eu chegar! Tenho fé em Deus!

CEIÇA

Sessenta e seis anos de idade. Enquanto Junhão está amargurado na prisão, são onze horas da manhã e ela ainda não tomou o banho matinal e nem comeu o desjejum. O motivo do desleixo pessoal é por causa da tristeza profunda que está sentindo com a falta do filho em casa, porque o mesmo ainda não retornou para casa depois de três dias que aconteceu a festa. Ela está preocupada e sofrendo muito, porque se confundiu e entregou ao filho um maço de cédulas de dinheiro antigo e sem nenhum valor para financiar a farra do Junhão na festa de passagem do ano.

Na noite anterior ela tomou um susto enorme quando estava se preparando para dormir e descobriu, ao trocar o lençol da cama, que o pacote correto do dinheiro que iria dar ao filho estava embaixo do colchão. Por isso ela está quebrantada e perambula devagar pela casa parecendo uma alma penada. Está vestida com um robe de chambre rosa, em cetim longo, e usa pantufas com a estampa de pele de onça. Os cabelos estão desalinhados, o rosto amarrotado e os olhos estão vermelhos demonstrando que passou a noite insone.

Agoniada por estar sem saber o que fazer, porque Junhão saiu apressado e esqueceu o celular em casa. Ela suspeita que ele poderá estar sendo obrigado a lavar pratos na cozinha de algum restaurante para pagar o débito que efetuou no estabelecimento. O problema é que ela não sabe para onde o filho foi, portanto não pode entregar-lhe o maço de dinheiro para que ele pague a conta. Para preencher o tempo e diminuir a angústia que sente, resolve telefonar para uma antiga amiga, a fim de conversarem. Apesar de estar enfezada, inicia a conversa trivial tentando ser agradável:

– Você viu a desgraceira nos noticiários do que ocorreu na festa durante a passagem de ano, Sueli? A decadência imperou no tal de Festival da Virada. Viu o grande número de mortos e feridos? Aquilo é lá festa de gente decente?!…

Empolgada com o assunto, continua:

– Essas festas que promovem é coisa do satanás. Além dos desatinos que cometem, os devassos transformam a cidade em Sodoma e Gomorra!

Depois ela demonstra temor e revela:

– Por causa do desvario do povo nessas ocasiões eu tenho medo que Deus resolva destruir a nossa cidade pra acabar com tanta permissividade durante essas festas pagãs.

Não querendo ser punida junto com os participantes dos festejos e castigada sem culpa, declara:

– Tenho orado muito quando tem essas badernas na cidade. O meu desejo é ser poupada quando houver a justiça divina. Não quero ser transformada em “estáuta” de sal, como ocorreu na bíblia com os habitantes daquelas cidades.

SUELI

Sorri da inocência dela e esclarece:

– Isso foi no tempo antigo; hoje em dia é tudo liberado e não acontece mais essas punições religiosas. A gente que vive no mundo moderno, quer mais é se divertir participando da gandaia nas festas!

CEIÇA

Ao ouvir a declaração da amiga, fica horrorizada e a repreende:

– Que diabo de conversa errada é essa, Sueli?! Não estou lhe reconhecendo! Pense bem, você é uma mãe de família… Falando desse jeito você vai desencaminhar as suas filhas. Seja honrada e bote juízo nessa sua cabeça-de-vento, criatura!…

E continua falando enraivada:

– Que festa nada, sua tonta!… Isso é uma invenção do demônio que transforma a cidade numa orgia condenada por Deus. Não demora e Ele vai destruir tudo como fez no antigo testamento.

SUELI

Começa a ficar chateada com o radicalismo de Ceiça, mas se controla. Para evitar que ela fique exaltada antes do tempo previsto, diz com calma:

– Estou percebendo que você está com um certo fanatismo religioso… Acho que está exagerando com essa sua convicção e isso pode dar problema na sua cabeça. Olhe lá…, eu não quero que a minha amiga fique amalucada.

Conclui a fala dando um riso discreto por saber que Ceiça não gira bem da cabeça.

CEIÇA

Fica irritada com a opinião e repele com veemência. Aproveita a ocasião para alfinetar a amiga:

– Eu não tenho nenhum “pobrema” no juízo! Sou uma crente fiel à doutrina cristã, ao contrário de uma certa herege que conheço, dada a farras e orgias. Você é quem está doida por ficar apoiando a vagabundagem.

A seguir continua a relatar:

– Por causa dos ímpios da sua qualidade eu não tenho sossego com a bandalheira solta nas festas. Por isso fico em tempo de endoidar quando o Juninho vai pra esses antros do inferno. Mas, graças a Deus, ele é muito comportado e volta em paz.

SUELI

Aproveita a deixa e pergunta demonstrando curiosidade:

– E por falar em Junhão, cadê ele?… Depois do Festival da Virada na passagem ano ele sumiu, porquê?!… Estou precisando perguntar um negócio a ele, você sabe onde ele está no momento?

Ela pergunta na falsidade, porque todas as amigas já sabem sobre a prisão dele quando terminou o Festival da Virada, mas nada podem dizer a Ceiça, porque ela é facilmente irritável quando alguém lhe informa sobre algum malfeito do filho. Ao ouvir qualquer crítica sobre o filho ela fica irada e tenta defende-lo com unhas e dentes. A partir de então fica inimiga da pessoa. Por isso as amigas pediram a Sueli para telefonar informando a Ceiça sobre a prisão de Junhão, porque gostam de deixá-la irritada.

A intenção de Sueli é a de gravar a ligação para depois se reunir com as amigas e darem muitas gargalhadas se divertindo com os desatinos de Ceiça para defender o filho. Querem saber se ela vai conseguir acobertar esse fato que já é de domínio público.

CEIÇA

Antes que a amiga continue a conversa fazendo mais questionamentos, ela explode de raiva e brada com ignorância:

– O que é que você quer com meu filho?! Pra seu governo, o nome dele é Alcebíades Júnior, e não Junhão, entendeu?! Ele é um rapaz honesto e direito, por isso não tem nenhum vulgo ou apelido que é coisa de ladrão, ouviu bem, sua ordinária?!

Estando revoltada com a curiosidade da amiga acerca do filho, resolve mentir:

– O meu Juninho resolveu dar um basta na agitação daqui da capital e foi passar uns tempos no interior do estado, na casa dos parentes que temos na cidade de Morro do Chapéu. Graças a Deus ele está livre das suas maledicências.

Achando que conseguiu enganar a amiga, completa:

– Ele adora ir passear na Chapada Diamantina, porque se diverte muito com os amigos que tem lá.

E conclui demonstrando tranquilidade:

– Pelo menos ele está sendo bem tratado onde está. Estando longe das festas infernais daqui de Salvador, uma coisa eu garanto: ninguém vai inventar fofoca com o nome dele. Está satisfeita agora, sujeita?!

A seguir enfeza a cara e fica aguardando a resposta.

SUELI

Após ouvir a desculpa esfarrapada, resolve enfrentar a fera contando-lhe a verdade:

– Pelo que estou vendo você está sonegando a verdade sobre o paradeiro de seu filho. Uma pessoa de minha inteira confiança garantiu que sabe onde ele está e não é no lugar onde você disse. O malandro está quieto aqui na capital.

E continua relatando o que sabe para desmentir Ceiça:

– Eu tenho certeza que você também sabe sobre o paradeiro de Junhão e o que ele fez para estar lá. Você quer esconder o que houve por quê?

Muito zangada, conclui:

– De que adianta ficar mentindo?! Você acha que todo mundo é besta? E agora fica com a cara-de-pau encobrindo os malfeitos dele, sua velha coiteira!

CEIÇA

Ao ser confrontada com a verdade, fica enlouquecida e começa a gritar:

– Eu estou escondendo o quê, sua maloqueira?!… Você é uma vagabunda que fica inventando mentiras pra querer “mim” desmoralizar, sua peste!!!

SUELI

Fica irritada com a ofensa e porque Ceiça fica se esquivando em querer saber da verdade sobre o filho, então resolve dizer o que sabe:

– A minha filha Glaucieny estava voltando para casa na manhã do primeiro dia do ano e viu uma grande movimentação de policiais na praça onde havia ocorrido o festival da virada. Curiosa, aproximou-se para ver qual era o problema.

Para um pouco, sorri com sarcasmo, e depois continua:

– Ela ficou surpresa ao ver o Junhão algemado puxando uma enorme fila de gatunos, na corda de caranguejo, nome dado pela população à fila indiana na qual a polícia conduz dezenas de marginais para a delegacia.

E continua dizendo:

– Ela chegou em casa e contou que viu o Junhão detido junto com ladrões que se aproveitam das festas de largo para praticarem furtos.

A seguir faz uma insinuação maliciosa para deixa-la ainda mais enlouquecida:

–  Quem diria que você, cheia de pose, tem um filho que é ladrão… Deve ser muito triste para uma mãe zelosa saber de uma miséria dessa, não é?!…

E aproveita para ferir os brios dela, dizendo:

– Isso acontece por causa da sua conivência em ficar protegendo o vagabundo e não reclama quando ele age de forma errada. Ou então…, a não ser que você esteja sendo beneficiada com os furtos praticados pelo safado…

CEIÇA

Fica fora de si na hora e começa a gritar:

– Você é mentirosa!!!… Isso é “feiqui nius”, sua sem-vergonha! Quem é ladrona é você e a vagabunda da sua filha! Você está inventando mentira sobre o Júnior, porque ele nunca quis namorar com a sua filha. Pare de atormentar o meu juízo, sua vaca!

SUELI

Apesar de ficar contrariada com os xingamentos de Ceiça, ela dá uma gargalhada e diz:

– Peguei você na mentira, sua treteira, velha descarada! Não adiantou inventar que o malandro está no interior do estado! Numa hora dessa ele deve estar no interior, mas é no da penitenciária!

Expressando sentimento de vingança, afirma:

– Dessa vez ele vai pagar todos os pecados dele!

E continua sorrindo alto.

CEIÇA

Ao descobrir o possível paradeiro do filho ela desliga o telefone na cara da amiga e depois fica irritada resmungando sozinha:

– Pagar o quê?!… Qual é o pecado que o Juninho tem? Ele é um rapaz abençoado, graças a Deus!… Um Levita do Senhor!…

Muito zangada, continua lamuriando:

– O pobre do Juninho não pode nem se coçar que as diabas ficam fuçando a vida do coitado pra infernizar a minha. Só Jesus na causa!

Depois muda de humor e reclama:

– Mas, quem são elas pra criticarem um menino adorável igual ao meu filho? Todas elas são “pombas sujas”; a vida delas é um mar de lama e ficam fingindo que são perfeitas pra ficarem fofocando sobre a vida dos outros.

E começa a reclamar das amigas:

– Elas são despeitadas e têm inveja, porque a minha família é feliz! Essas endemoniadas saíram dos quintos dos infernos só pra “mim” perturbar!  Até parece que joguei pedra na cruz de Cristo!

Ainda revoltada, aproveita para esculhambar Sueli:

– Essa fulana é uma perdida desde quando era nova. Eu soube que Antoninho, o marido dela, largou a sujeita na rua da amargura porque descobriu que ela era vezeira em cornear o infeliz.

E continua zangada falando:

– As filhas dela também vivem na safadeza. Dizem que elas andam no erro parindo de ladrões e traficantes. Também…, foram criadas vendo em casa o mau exemplo da mãe, que é uma mulher sem noção!…

Espumando de raiva, diz:

–  É como diz o ditado: casa de pai, escola de filho. Agora eu pergunto: qual é a moral que essas cachorras têm pra querer desmoralizar o meu filho, fazendo fofoca? Deus é testemunha de que o Júnior tem bons exemplos aqui em casa.

Fica entusiasmada e comenta gabando o filho:

– Eu, além de ser uma excelente dona de casa, não sou rueira. E o meu marido Alcebíades é um homem muito trabalhador. Portanto somos o espelho de uma família muito correta. E o Júnior é muito obediente e segue os nossos exemplos de retidão.

A seguir fica indignada e diz:

– Vou acabar a amizade que tenho com essas fulanas mau faladas, porque não fica bem eu, dona Ceiça, matrimoniada, ficar batendo papo com esse tipo de gente da laia ruim.

E para confirmar a sua decisão, exclama eufórica:

– Estou fora dessas amizades malignas! Xô urubus, “tá” amarrado!!!

Depois que finalmente se acalma da confusão mental, lembra do filho e fica agoniada:

– Coitado do Juninho… Ele está sumido e parece que aquela miserável informou onde o coitado está por minha culpa. Estou mortificada em saber que o meu filhinho poderá estar sofrendo em uma cela imunda, mas Jesus vai dar o livramento a ele.

Preocupada com a situação de Junhão no presídio, pergunta-se:

– Será que o menino está sendo bem-alimentado naquele lugar horroroso? Será que estão deixando o Juninho dormir até o horário que está acostumado acordar? Será que estão esquentando a água pra ele tomar banho morno?

Depois fica revoltada e faz ameaça aos funcionários do presídio:

– Eu vou virar doida e atacar os miseráveis na porrada se eles maltratarem o meu filhinho. Eu vou lá e se constatar que houve maus-tratos, os sujeitos vão saber quem é dona Ceiça! Ora, se vão!…

Depois ela decide que vai tomar uma atitude para livrar o filho do presídio:

– O dinheiro que era para o Júnior ter levado pra farra ficou aqui em casa, porque a culpa foi dele em não ter conferido na hora o pacote que dei. Agora vou lá no tal de presídio levando toda a grana pra corromper algum funcionário.

E demonstrando prepotência, conclui resoluta:

– Dinheiro compra tudo! Quando o sujeito ver o pacote com a dinheirama, vai crescer os olhos e eu vou tirar o Juninho pela porta da frente. Os que prenderam o coitado vão ficar desmoralizados, porque vou mandar rasgar o processo contra ele.

A seguir Ceiça sai de casa disposta a ir soltar o filho de qualquer jeito e embarca em um ônibus com destino ao Bairro da Mata Escura, onde pretende exigir que o carcereiro libere o Junhão da prisão.

À noite, ela chega do presídio depois das vinte e uma horas e senta logo na frente da televisão. Fica com muita atenção vendo o noticiário da cidade, porque teme ter sido filmada pelas câmeras da repartição e a filmagem tenha sido entregue aos repórteres. Caso isso tenha ocorrido ela tem medo que o marido Alcebíades, em viagem a trabalho no interior, veja o seu rosto estampado na televisão e a reportagem relate a sua ação malfadada para libertar o filho. Por isso ela está agoniada, porque se houver a notícia ela terá de ligar urgente para o marido e mentir dizendo que o ocorrido foi com uma sósia que tem o mesmo nome dela.

Sentada no sofá, choraminga porque está com o corpo todo dolorido, principalmente as pernas que não aguentam nem andar devido ao longo percurso que fez da Mata Escura até o Bairro da Pituba, porque não tinha dinheiro para voltar de ônibus. Ela chegou exausta em casa, com a roupa toda rasgada e o corpo ralado, cheio de escoriações causados pelos garranchos e espinhos de calumbi, quando estava em fuga correndo na mata.

Está muito amargurada e fica conversando sozinha como forma de aliviar o seu sofrimento. A seguir revela o motivo que ocasionou o fato:

– No intuito de livrar Júnior do xadrez, caí na besteira de oferecer uma propina gorda ao carcereiro para soltar o meu filho na surdina.

Demonstrando um certo arrependimento, diz:

– Entrei numa enrascada que até agora fico arrepiada quando lembro. Misericórdia!… Foi o mesmo que futucar numa casa de marimbondos. O funcionário que ofereci o dinheiro fez um escarcéu chamando os colegas.

Arrependida com a loucura que fez, lamenta:

– Nessa hora eu vi que tinha feito merda!

A seguir continua narrando:

– Os “polícia” do presídio se juntaram e pelejaram pra “mim” prender a todo custo por corrupção ativa.  Tentaram agarrar o meu braço com força, mas eu consegui escapulir da fúria deles.

Depois ela narra se vangloriando de como foi a sua fuga cinematográfica:

– Na hora que vi “o bicho pegando”, consegui escapar dos brutamontes e passei sebo de carneiro capado nas canelas para correr igual a bala na direção de uma mata existente nos fundos do presídio. Na fuga não parei a carreira de modo nenhum.

Depois descreve com tristeza o prejuízo que teve devido à sua aventura amalucada:

– Infelizmente, na correria o pacote de dinheiro que levei para corromper o funcionário e a minha bolsa com uns trocados caíram durante a fuga dentro da mata. Com medo de ser presa não pude voltar para procurar onde estavam os meus pertences.

E lamenta o infortúnio:

– Perdi todo o dinheiro que levei e como castigo tive que voltar pra casa “de a pé”, por isso estou até agora com as canelas doendo. Nunca mais eu vou querer ir tirar o Júnior da cadeia de maneira ilegal.

A seguir fala com preocupação:

– Não posso nem falar a Alcebíades sobre a prisão do Júnior, porque ele precisa continuar trabalhando. Principalmente agora que vou ter que gastar dinheiro a rodo pra livrar o menino do aperto.

Depois comenta:

– Se Deus quiser o meu marido não vai saber de uma “miséra” dessa, senão ele vai “mim” crucificar por eu ter sido a culpada em colocar o Júnior nessa situação vexatória.

A seguir revela o que pretende fazer para ter proteção divina:

– Para “mim” livrar de tanto olho gordo vou comprar uma planta chamada de comigo-ninguém-pode e botar num vaso de plantas junto do aparelho telefônico pra tirar o mau-olhado e a inveja de cima da gente.

E, demonstrando um ar vitorioso, diz demonstrando segurança:

– Quanto ao Juninho já está tudo resolvido. Se Deus quiser vai dar tudo certo, porque os “adevogados” que vou contratar vão se esmerar para cuidar da soltura dele. Jesus vai iluminar a mente do juiz pra ele ver que Júnior é inocente.

De repente ela raciocina e fica preocupada por ser a culpada da prisão do filho. E desdiz o pedido que fez à divindade celestial:

– A mente do juiz não pode ser iluminada para provar a inocência de Júnior, porque nesse caso eu é que vou ser condenada.

A seguir justifica o motivo, de acordo com a sua ótica:

– Isso não pode ocorrer, porque se eu for presa, quem é que vai fazer a comida e cuidar de Júnior quando ele estiver livre? Portanto é melhor que ele cumpra a pena, afinal é jovem e vai aguentar as agruras no presídio.

Apesar de minimizar a sua situação, o juízo dela está ardendo porque não sabe onde vai arranjar dinheiro para conseguir pagar o advogado.

JUNHÃO

Estando aprisionado ele não sabe dos desatinos que a mãe cometeu para conseguir a soltura dele e passa dias infindáveis na cela espumando de raiva e jurando que irá se vingar de Ceiça, quando sair do presídio.

 

Autor: Joswilton Lima

Joswilton Lima é natural de Ilhéus-Ba, mas é domiciliado há mais de vinte anos em Morro do Chapéu. Tem formação em Ciências Econômicas, mas sempre foi voltado para as artes desde a infância quando começou a pintar as primeiras telas e a fazer os seus primeiros escritos. Como artista plástico participou de salões onde foi premiado com medalhas de ouro e também de inúmeras exposições coletivas nos estados da Bahia, Sergipe e Pernambuco. Possui obras que fazem parte do acervo de colecionadores particulares e entidades tanto no Brasil, quanto em países do exterior, a exemplo dos E.U.A, Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha.

Em determinada época, lecionou pintura em seu atelier no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, e foi membro de comissões julgadoras em concursos de pintura. Nesse período exerceu a função de Diretor na Associação dos Artistas Populares do Centro Histórico do Pelourinho (primitivistas e naif’s), em Salvador.

Como escritor também foi premiado em diversos concursos de contos tendo lançado um e-book com o título “Enigmas da Escuridão”, com abordagem espiritualista, tendo obtido a nota máxima de 5 estrelas de leitores do site www.amazon.com.br Outros contos e romances também estão sendo escritos.

Concomitante às atividades artísticas, sempre exerceu funções laboriosas em diversos setores produtivos e, por último, se aposentou na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, onde trabalhou por muitos anos na Fiscalização.

Agora tem o prazer de apresentar aos leitores do site www.leoricardonoticias.com.br o seriado de crônicas intituladas Episódios do Junhão, com as quais espera que tenham uma leitura agradável e de reflexão.

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