Pedro Honorato: ‘O amanhã será sempre amanhã ‘

Tem muita gente que suspendeu projetos e atividades. As pessoas acham que basta mudar o calendário, será que você não está apenas adiando compromisso, como se tudo fosse voltar ao normal, está vivendo no passado. Não sabemos se estaremos vivos amanhã. Temos de parar de vender o amanhã, como se fosse coisa rara.  O amanhã não está à venda, ele é uma realidade que chegará, basta você estar vivo pra o alcançar. Pois, um segundo separa o homem entre a vida e a morte, as suas atitudes promovem mudanças significativas e profundas no modo como vivemos agora.

O futuro está ligado de como você vai sair da pandemia os sintomas psicológicos estarão relacionados com as fases da epidemia. A primeira fase é caracterizada por uma mudança radical de estilo de vida. A primeira reação é a do medo de ser contaminado pelo vírus invisível. As dificuldades começam a surgir com a necessidade da redução e distanciamento do contato físico. Não é nada fácil deixar de se abraçar e de se tocar. É difícil mudar de comportamentos, mas precisamos nos policiar para evitar os abraços e outros contatos. A primeira reação é de estresse agudo relacionado com a pandemia que ocasiona uma circunstância súbita e inesperada. O foco de apreensão é o medo de ser contaminado, o que não difere muito de situações traumáticas.

A epidemia é, portanto, um forte fator de estresse que, por sua vez, é fator causal de desequilíbrios neurofisiológicos. Os profissionais de saúde são os mais vulneráveis pelo maior risco de contaminação. A persistência e o prolongamento destes desequilíbrios hormonais, inflamatórios e neuroquímicos podem desencadear um transtorno mental mais grave. A segunda fase da epidemia está relacionada com o confinamento compulsório, que exige uma forçada mudança de rotina. Nesta fase, são comuns as manifestações de desamparo, tédio e raiva pela perda da liberdade.

É uma reação de ajustamento situacional caracterizado por ansiedade, irritabilidade, e desconforto em relação à nova realidade. Estas reações são esperadas e preocupam do ponto de vista da saúde mental quando passam a afetar a funcionalidade do indivíduo. A terceira fase está relacionada com as possíveis perdas econômicas e afetivas decorrentes da epidemia. As pessoas confinadas estão tendo perdas econômicas importantes. As pessoas que foram internadas vão passar por uma experiência traumática, principalmente aqueles que exigem intubação e tratamento intensivo. Elas têm uma experiência próxima da morte, sendo as sequelas mais importantes a depressão e risco de suicídio e o desenvolvimento posterior do estresse pós-traumático.

Pedro Honorato

Profissional de saúde

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