Edimário Neres. JUSTIÇA FEITA ?!?!

O ano era 1997, o mês junho , o dia 05, a hora (por volta das 16 horas )…..
Foi uma quinta feira como qualquer outra, todos se preparavam para o São João daquele ano, o prefeito eleito era um jovem vaqueiro membro da família Brasil, Evilásio ou Bilau , a cidade fervia em especulações sobre os festejos, o Corinthians sagrava se campeão paulista empatando em 2 a 2 com o São Paulo.
Mas algo marcante nessa quinta-feira iria impactar para sempre a sociedade cafarnauense, havia uma movimentação atípica na cidade, que muitos relataram como perseguição automobilística típica dos filmes de Hollywood, dois carros cantavam pneus numa perseguição frenética por diversas ruas da então pacata Cafarnaum, dentro de um dos automóveis estava o ex prefeito Edimário Neres e seu amigo Adão do mato verde e no outro três homens, alguns identificados como policiais civis.
Eu apenas ouvia o cantar dos pneus pelas ruas, nesse momento minha atenção estava voltada para um filme de terror pastelão exibido pela tv Bandeirantes, denominado Cine Trash, porém algo estranho me chamou atenção, estampidos de armas de fogo e gritos vindo do fundo da casa de minha avó, o cruzamento das ruas Carlos Xavier e Sete de Abril, curioso e assustado saio na porta e me aproximo da esquina e de repente fiquei estarrecido como uma cena chocante e assustadora que não me sai da memória, Edimário caindo vagarosamente ao chão e no mesmo instante uma enorme poça de sangue se fazia em volta dele, enquanto dois homens colocavam outro ferido no fundo do carro e batiam a porta fortemente, no mesmo instante em quê ligavam o carro e saíam em disparada, ao mesmo tempo pude ver a cunhada de Edimário ( Neide de Josias) completamente transtornada e gritando aos berros, ” mataram Edimário, mataram Edimário” , enquanto corria alucinada para a praça José Gonçalves.
Eu trêmulo e atordoado vi duas pessoas colocando Edimário já desfalecido em cima da carroceria de uma picape C10 e provavelmente já sem vida.
Um pouco mais tarde e já um tanto mais calmo fui até a esquina e vi uma enorme poça de sangue, que logo em seguida moradores jogaram areia para secar.
28 anos após esse crime bárbaro, até que enfim houve o tão aguardado julgamento, uma resposta foi dada não só a população cafarnauense , mas principalmente aos filhos órfãos, a viúva, e a toda família de Edimário, acompanhei o sofrimento e a angústia dessa família que teve seu chefe covardemente assassinado por motivos fúteis.
Enfim, após anos de espera o caso foi levado a juri popular e o último réu vivo, foi considerado culpado pela atrocidade.
Não entendo de leis, mas entendo até que enfim justiça foi feita, tardia e morosa.
Facebook: Leandro Alves Barreto

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