UM APELO: É tempo de fazer uma reparação

O bonfinense José Soares França, nasceu em 01 de janeiro de 1912 na Fazenda Canavieiras, no município de Senhor do Bonfim. No dia 06 de janeiro de 1935, ele foi ordenado padre, recebendo a titulação de Cônego França, tendo sido nomeado sacerdote de Ribeira do Pombal, assumindo ele aquela paróquia em 02/02/35. Em 01/06/36 foi transferido para a paróquia de Senhor do Bonfim e na sua cidade, dentre outras influências, teve participação direta na criação do Colégio das Sacramentinas, vinculado à irmandade Maristas daquela cidade.

O bispo da diocese daquela cidade o nomeou pároco de Morro do Chapéu e ele chagou à cidade no dia 16/03/1947, em cuja paróquia foi sacerdote por 50 anos. Ainda jovem, ele pregou numa vasta região onde se localizam os atuais municípios de América Dourada, Barro Alto, Cafarnaum, Canarana, Ibititá, Irecê, João Dourado, Lapão, Mulungu do Morro e São Gabriel. E depois de décadas como pregador da fé cristã em distantes rincões do sertão, ele passou a ser Monsenhor França. Mas, não obstante esses dois títulos, de Cônego e de Monsenhor, para os fiéis da cidade e das localidades por onde pregou como sacerdote, simplesmente ele era PADRE JUCA. Com as suas muitas visitas para pregar o evangelho, celebrar missas, fazer batizados e casamentos, ele se tornou muito querido por famílias dessas localidades, a ponto da sua fotografia ser encontrada na parede de algumas residências de famílias, cujos membros tinham grande apreço por ele.

Em Morro do Chapéu, além de pároco por cinco décadas, ele teve grande participação na trajetória política-social do município. Foi ele eleito Presidente da Sociedade Filarmônica Minerva em 1950, cargo que estava vago desde 1923, cuja instituição ele reergueu depois de quase três décadas sem funcionar; participou da Sociedade São Vicente de Paulo; exerceu o mandato de Vereador na legislatura de 1963 a 1967; criou escolas leigas para alfabetizar as crianças de algumas localidades sem escolas públicas; e, destacou-se mais ainda, ao liderar o movimento que fundou o Ginásio, hoje Colégio Nossa Senhora da Graça em 1961, do qual ele foi diretor e professor por muitos anos.

Não obstante, a sua importância em face da sua dedicação por Morro do Chapéu, as autoridades do município até então, não reconheceram todo o seu trabalho em prol da terra do frio. Cabe ressaltar, que a única homenagem póstuma, feita simbolicamente à sua memória, foi a criação da Comenda Padre Juca em 09/11/2009, para condecorar personagens não-morrenses por relevantes serviços prestados ao município. Contudo, falta uma homenagem concreta dando o seu nome a uma escola, colégio, ou mesmo, a uma rua, praça ou avenida que passou do tempo para acontecer, depois de passados mais de 20 anos da sua morte. Mas, tem-se a esperança que nunca vai ser tarde para fazer essa reparação, bastando para isso, uma simples e acertada decisão dos poderes legislativo e executivo para dar o seu nome a algum marco público da nossa cidade.

Cabe ressaltar, por oportuno, que uma postagem no grupo GENTE DE MORRO DO CHAPÉU que o homenageou, até então, é a publicação que mais vezes foi comentada (76), curtida (546) e compartilhada (346). E, assim sendo, fica aqui lançada uma campanha para que todas que se manifestaram sobre o insigne PADRE JUCA nesse grupo, engajem-se no movimento para sensibilizar os vereadores e a gestora do município, no sentido de ser feita uma justa homenagem póstuma a esse saudoso homem público, que tinha Morro do Chapéu como a sua terra.

Salvador, abril de 2021

Octaviano Oliveira

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