PEDRO HONORATO: O desafio da saúde pública para 2021

Em 2021, a sociedade brasileira deverá chegar a 220 milhões de pessoas, com cerca de 25 milhões de idosos. o primeiro desafio será como cuidar dos idosos dando-lhes a possibilidade de envelhecer com autonomia e saúde, sem perder de vista os cuidados com a infância e com a saúde física e mental de todos os brasileiros.

É necessário cuidar dos idosos, mas também do desenvolvimento das crianças de que serão os adultos de amanhã. É preciso que o sus tenha em seu principal desafio, a ênfase à saúde mental e ao desenvolvimento emocional da população pós pandemia. Levando-se em conta que existem três momentos do desenvolvimento humano onde o cérebro sofre transformações fundamentais: gravidez, primeiros anos de vida e adolescência. Estas fases foram afetadas violentamente durante todo o ano de 2020, com a pandemia do novo corona vírus em todas as cidades do Brasil.

Nessas fases há mudanças profundas, inclusive, na reestruturação da rede de neurônios. Será preciso adotar políticas integradas que cuidem desse novo brasileiro, desde a concepção e gravidez, passando pela relação mãe-bebê e pelas famílias em situações de vulnerabilidade e pobreza, evitando consequências que nos parecem claras e dramáticas em relação à violência e à drogadição, por exemplo.

É preciso que a saúde funcione de forma consolidada com a educação de forma multidisciplinar não se preocupando apenas com ensinar códigos as crianças e jovens, mas também se faça um esforço para fazer um acompanhamento completo do ser humano no ambiente escolar.

Além de problemas de origem emocional será preciso cuidar também da questão da obesidade, sobrepeso, sedentarismo e reconhecer o novo padrão alimentar estabelecido, já hoje, em um cenário dramático de uma epidemia de diabetes tipo 2 e hipertensão. Isso se somará ao enfrentamento de pacientes com múltiplas condições clínicas e aumento da carga de doença determinada pelas demências senis, Alzheimer, depressões e distúrbios neuropsíquicos.

Parece exagero pensar assim mas, é a verdade esses problemas todos já existiam, porém estes foram potencializados pelo flagelo causado pela pandemia da covid 19, não se pode negar que existe um divisor de aguas com a pandemia e antes dessa que somente será amenizado se os governos tiverem a sensibilidade de tratarem o sistema único de saúde – SUS como politica fundamental para o desenvolvimento do país olhando para este apenas como despesas mas como possibilidade de formar uma sociedade mais saudável e produtiva.

Pedro Honorato

Profissional de saúde pública

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