PEDRO HONORATO: ‘Múltiplos olhares da Saúde Coletiva na pandemia da COVID-19. ‘

Iniciada de forma aparentemente localizada em uma província chinesa, a epidemia de Covid-19 rapidamente se alastrou, primeiro para países europeus e logo para as Américas. Bateu às nossas portas no final de fevereiro, quando foi confirmado o primeiro caso em São Paulo. Em meados de março, o vírus e a ameaça da Covid-19 invadiram definitivamente a vida dos brasileiros. Hoje resta-nos lamentar a morte de 191 mil brasileiros mortos pela pandemia e as expectativas por uma vacina.

A peculiar conjuntura política do país, com um presidente “negacionista” cuja postura é claramente anticientífica, compromete o planejamento e a execução de um combate organizado à doença. Em evidente o contraste, vários profissionais do campo da saúde, entre os quais destacaria os epidemiologistas e os especialistas em gestão e planejamento em saúde, têm trabalhado com afinco para a implementação de ações eficazes nos diferentes estados, encontrando-se neste momento na linha de frente desse combate, porém esses se esbarram nas incompetências de um governo que tem dificuldade de lidar com a ciência.

Lembremos que o coronavírus tem uma vida social, interage com um mundo de diferenças, impacta países, faixas etárias, grupos de risco, classes sociais, gênero e raça de modos distintos. Estamos todos sujeitos a este vírus, mas o seu caráter democrático para por aí. O conjunto de informações veiculadas acerca de como se prevenir e evitar o contágio tem efeitos diferentes sobre camadas diferentes das populações. A indicação supostamente banal de higienizar as mãos encontra barreiras em um acesso desigual a saneamento, porque falta o item mais básico, a água, os demais o sabão etc ficam em segundo lugar. O isolamento social, pivô das ações de prevenção, pode ser literalmente impossível em algumas comunidades, onde as pessoas moram praticamente amontoadas com diferença de poucos metros. Do mesmo modo, a definição de tarefas indispensáveis realizada por profissionais de saúde tem um significado muito importante. A exemplo daqueles que atuam na última camada da saúde, dentro da casa, da qual devemos nos isolar, mas, pode ser um local de segurança e refúgio ou nas circunstâncias citadas de perigo constante.

A pandemia da COVID-19 é a crise mais forte do mundo atual, mas não será a última, a menos que nós, humanos, moderemos as pressões que exercemos sobre o planeta. O poder que nós, humanos, exercemos sobre o planeta não tem precedentes. Diante da COVID-19, de temperaturas que quebram recordes históricos e de uma desigualdade que vem se reproduzindo, é chegado o momento de usar tudo isso para redefinir o que entendemos como progresso, para que não possamos perder de vistas o equilíbrio da vida.

A saúde precisa da coletividade, pois a comunidade é a grande responsável pela saúde que temos, sendo que nela crescem os índices de saúde, sejam eles positivos ou negativos, mas este é um espaço privilegiado devido a importância que essa assume recebe atenção do governo através do Ministério da Saúde que financia as ações dos Agentes Comunitários de Saúde que visitam periodicamente as residências para coletar dados a respeitos da saúde das pessoas e criar estatísticas para o setor saúde.

Pedro Honorato

Profissional de saúde pública

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