Pedro Honorato escreve: ‘Vacinação contra COVID-19, não haverá efeito imediato

O efeito de vacina contra a COVID-19 somente se dará a partir de três ou quatro meses de início da vacinação, onde veremos um início dos seus efeitos na pandemia. Antes de maio, não teremos impacto de vacinação na pandemia. Só vamos começar a ter diminuição de óbitos, progressiva, diminuições de internação, progressiva, sentir de fato a partir do segundo semestre para o fim do ano. O impacto não é imediato porque as vacinas que estão sendo usadas não impedem a doença, mas a gravidade dela.

Tomar a vacina e achar que não vai ter COVID-19 é um pensamento errado, você não terá a forma mais grave da doença. De fato, ele não vai ter o quadro grave, não vai ficar hospitalizado, não vai desenvolver pneumonia, mas vai ter sintoma sim. Esse é o efeito de uma vacina, ela impede a gravidade da doença, vai impedir a infecção grave a longo prazo, à medida que os casos vão diminuindo, as pessoas vão sendo imunizadas naturalmente pelo próprio vírus, assim, a epidemia vai diminuindo.

A hipótese mais provável é que a COVID-19 permaneça e tenha ocorrência sazonal. Se o vírus se mantiver ativo, precisará ser incorporado a vacina ao calendário nacional de vacinação. Se serão uma ou duas doses, essas vacinas ainda estão na fase inicial de desenvolvimento, ainda são muito precoces. Ainda vai haver espaço para crescimento tecnológico dessas vacinas, o desenvolvimento, aperfeiçoamento, até que lá na frente tenhamos uma vacina de excelente qualidade, com uma interface entre doses a cada dez anos, por exemplo, esse é o sonho de todo mundo que trabalha com vacinas e, de todos nós profissionais de saúde.

Um levantamento junto as secretarias de Saúde até esta sexta dia 12 apontam que 4.909.251 pessoas tomaram a primeira dose da vacina e 155.652, a segunda, num total de 4,69 milhões de doses aplicadas, isso é pouco para atingirmos a imunidade de rebanho que dar-se-á quando chegarmos a 60% ou mais da população brasileira, um pouco mais de 120 milhões de pessoas.

No ritmo de vacinação que estamos será possível vacinar cerca de até 10 milhões por mês, para tanto seria um ano para chegarmos ao número desejado de doses aplicadas.

 

Pedro Honorato

Profissional de saúde

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