Pedro Honorato escreve: PORQUE O SUS ESTÁ FERIDO DE MORTE? PARTE II

Transcorridos 15 meses desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a covid-19 como uma pandemia, o vírus e a doença não dão trégua ao mundo. Temos três situações em andamento: países do Norte, mais ricos, que abocanharam a maior parte das doses de vacina disponíveis estão com esquema vacinal avançado e a epidemia razoavelmente controlada, a América Latina e o subcontinente indiano, que são hoje o epicentro da pandemia e tem grandes dificuldades de conseguir vacinas para sua população e o continente africano, onde a epidemia ainda não chegou com força, mas que preocupa pela pobreza e vulnerabilidade da maioria de sua população e pela fragilidade dos sistemas de saúde.

É importante recordar alguns dos números devastadores na terceira semana de junho no mundo, cerca de 175 milhões de casos confirmados, mais de 3,7 milhões de mortes em torno de 2,2 bilhões de doses de vacinas administradas, 76% das quais concentradas em apenas 10 países, segundo Tedros Adahanom, diretor geral da OMS. Entre os dez países que proporcionalmente mais vacinaram sua população, nove são países desenvolvidos, mostrando a desigualdade global que ocorre também em muitos outros indicadores da pandemia.

Com este pano de fundo, as duas últimas semanas de junho foram cruciais para os rumos da pandemia e da saúde global, o brasil nem se quer foi representado por executivos do SUS. Três momentos políticos decisivos recentes referente a saúde, com seus desdobramentos, foi a 74ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, a Cúpula sobre Saúde Global do G20 que reúne as 20 maiores economias do planeta, nós simplesmente seremos comunicados, mas não participamos diretamente dos discursões, em Roma, e a Cúpula do G7, exclusivo das sete maiores economias do mundo, em Cornwal, no Reino Unido, mais uma vez estamos isolados não fomos representados, pelos não divulgado a menos que os representantes brasileiros ficaram no anonimato.

As três cidades aparecem no registro das reuniões por uma questão de tradição, uma vez que foram realizadas no modo virtual, o que viabilizaria presença de todos. A Cúpula do G20 sobre Saúde Global seria interessante pela dedicação exclusiva à pandemia de covid-19, bem como pelas propostas que seriam adotadas, indicando caminhos de saída e recuperação, e exibindo medidas para evitar outras emergências sanitárias.

A reunião do G20 havia sido convocada, entre outras coisas, para considerar a proposta de suspensão temporária de patentes durante a pandemia, solicitada à Organização Mundial do Comércio (OMC), em outubro de 2020, por África do Sul e Índia. A medida é apoiada por mais de cem países e, mais tarde, por quase duzentos ex-líderes e Prêmios Nobel, senadores e deputados norte-americanos, organizações da sociedade civil e, por último, respondendo à enorme pressão, o próprio presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. A União Europeia, tomada de surpresa com o gesto inesperado do governo norte-americano, aceitou debater a questão no âmbito da OMC, deixando entrever resistências internas. O Brasil, como tem ocorrido nos últimos tempos, ficou contra, depois se omitiu e, agora, parece que apoia timidamente.

Os temas mais urgentes a serem considerados pelos líderes no encontro dedicado à saúde global, em plena pandemia da covid-19, deveriam ser os seguintes, sem desmerecer outros que poderiam despertar interesse: medidas para corrigir as inequidades na distribuição de vacinas; iniciativas para aumentar a oferta mundial de imunizantes; ações para minorar os efeitos devastadores da covid-19 nos campos da saúde e da economia, sobretudo nos países em desenvolvimento como é o nosso caso. Participar de eventual acordo internacional para fortalecer a resposta dos Estados e da OMS a futuras emergências sanitárias.

Enquanto isto no Brasil a comissão parlamentar de inquérito CPI é a principal protagonistas coadjuvando muito bem com o vírus da covid que segue contaminando em um nível muito alto ainda.

Pedro Honorato

Profissional de saúde

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