PEDRO HONORATO escreve : Como a sociedade enxerga o sistema único de saúde – SUS?

Certamente a saúde que temos hoje no Brasil é muito superior àquela que tínhamos no final dos anos 80. Não é à toa que a sociedade dar um bom reconhecimento ao SUS, exceto uma camada de pessoas alineadas da verdade da sociedade que não usa o SUS ou pensam dessa forma, que não precisam do sistema de saúde mais completo do mundo, uma tremenda ignorância. Para termos um bom exemplo, nesse contexto de crise sanitária, econômica e humanitária pela qual estamos passando com a pandemia de covid-19, com um número de casos muito expressivo, com uma letalidade muito elevada, a população reconhece que sem o SUS estaríamos numa condição infinitamente pior.

É como se a gente estivesse incorporando cada vez mais a ideia de que sem esse sistema de saúde não há futuro para a saúde dos brasileiros pobres. O SUS é a principal porta de entrada da saúde, não seria possível para a gente ter de fato saúde no país sem este sistema complexo e completo que atende a maioria das camadas mais empobrecida do país que somam cerca de 85% da nossa sociedade. Deste ponto de vista podemos considera que o SUS é o único projeto que envolve a questão da universalidade e a equidade, é óbvio que ainda temos muitos desafios a enfrentar, principalmente na ponta da saúde, que é o município. Até porque os determinantes sociais, que estão na origem das desigualdades estão nos municípios de forma muito mais acentuadas demonstrando toda as suas fragilidades.

Ver-se então necessidades de fortalecimento das políticas de saúde de forma que permitam reduzir a expressão das desigualdades sociais na saúde. Os trabalhadores agentes comunitários de saúde sabem onde estão cada uma dessas pessoas e, atuam levando atenção, uma palavra de carinho e acolhimento no sistema de saúde. A pandemia da covid 19 nos mostra que a ocorrência da doença e sua letalidade é muito maior para alguns grupos socioeconômicos e isso é expressão das desigualdades históricas socialmente determinadas no Brasil.

O governo federal tem um papel importante na efetivação das políticas de saúde, mas, os governos estaduais e municipais são cruciais para a valorização da dimensão regional na formulação e implementação de políticas de saúde em suas instancias. Uma questão que atravessa a regionalização tem a ver com as características do arranjo federativo brasileiro, principalmente no quesito financiamento. Em 2021 os municípios necessitam de mais dinheiro para cuidar da saúde de seus munícipes, caso o governo federal não compreenda dessa forma, isso pode gerar uma crise sem precedente na área de saúde em 2021. Mas para isso não acontecer você precisa participar, o SUS não pode ser defendido somente por pessoas vinculadas à saúde pública. Tem que ser valorizado e defendido pela população de forma geral e por outras organizações da sociedade civil não ligadas diretamente ao setor.

 

Pedro Honorato

Profissional de saúde

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