Pedro Honorato: A Educação Fundamental X Pandemia

A pandemia trouxe a possibilidade de mudanças na educação nos três níveis, isso é muito preocupante, pois os resultados dessas mudanças, principalmente para alunos do ensino fundamental refletirão a ausência de conteúdos neste momento. Ensino resumido e aprendizagem também.

Existe, entretanto, uma urgência na revisão e adequação do atual modelo de educação mediada por tecnologia, por meio de novos formatos que garantam a aprendizagem significativa dos estudantes, bem como permitam que essa trajetória educativa seja avaliada de forma assertiva. Tais pontos, entretanto, dependem não somente da busca por novos formatos tecnológicos, mas de intensa e competente formação dos professores e outros profissionais da educação. Novos e melhorados modelos de ensino (presencial e remoto) deverão ser capazes de garantir o melhor dos dois mundos para educadores e estudantes e, uma vez implantados de forma competente, colaborarão diretamente na transição para modelos mais remotos em tempos de crise ou não.

É preciso testar novos modelos e estratégias educacionais de forma participativa e permanente, colaborativa e contextualizada, apoiadas por políticas públicas, com subsídios, capacitação profissional e garantia de acesso igualitário aos estudantes, são caminhos que se mostram fundamentais para o presente e para o futuro da educação e que emergem de forma ainda mais incisiva graças à pandemia da covid-19.

É preciso reduzir de forma urgente as desigualdades educacionais que emergem e compactuam de alguma forma com todas as outras formas de exclusão e injustiças sociais, cada vez mais acentuadas e que se agravaram nesse período desafiador. Veremos esse resultado refletido nas principais avaliações oficiais e, muito provavelmente, nos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e dos principais vestibulares quanto ao acesso ao ensino superior nas principais universidades públicas brasileiras. Vale ressaltar que o momento atual pode se configurar em uma onda de desigualdade ao longo dos próximos anos.

Apesar disso, talvez um dos aspectos mais relevantes trazidos à tona pela pesquisa sejam a resiliência, a persistência e o idealismo do educador brasileiro, que se mostra pronto e disposto a desempenhar seu papel com coragem e otimismo, mesmo frente a desafios os quais, muitas vezes, estão fora do seu controle imediato.

Acreditamos que esta pesquisa pode colaborar não somente com a rede de educação em todo país, principalmente aqui na Bahia onde os números mostram que no ensino regular estão matriculados 3.145,531, e na educação especial para portadores de necessidades especiais) estão 46.117 estudantes matriculados alunos, segundo dados do MEC. Dessa forma acredito que será necessário que se faça um grande esforço para recuperarmos todo esse tempo perdido na educação, procurando formas de fazer chegar até o aluno as informações necessárias para que este possa compreender conteúdos necessários para a sua formação. Entende-se que os alunos do ensino fundamental ainda não possuem a maturidade suficiente para aderir a forma de ensino remoto, ora utilizada.

 

Pedro Honorato

Professor de Formação

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