JUNHÂO sai de cena e CEIÇA entra no ar

Nosso incansável e criativo autor, envereda por diversos caminhos em seus escritos, a coadjuvante do JUNHÃO estrelando seus momentos modernos. Confira:

 

BATE-PAPO DE CEIÇA – nº 01

Ela está sentada no sofá da sala com as pernas cruzadas fofocando ao telefone com uma amiga. Na realidade só ela conversa a maior parte do tempo. Veste um tubinho envelhecido da cor creme com pequenas flores de cores primárias, já desbotadas. Usa um lenço de cetim, puído, para encobrir os bóbis enormes. Apesar da sua aparência ser a de um ser extraterrestre ela conversa animada com uma amiga:

– Nem “mim” diga uma merda dessa, Marta! Eu também estou com um “pobrema” parecido com o seu e não vejo solução.

– Mas acho que isso é devido aos venenos que botam na nossa comida. Antigamente a gente comia toucinho de porco criado na lama de esgoto, carne do sol cheia de morotó, galinha caipira com gogo, fritava tudo na banha de porco e ninguém tinha essas doenças que estão aparecendo agora.

– Fico retada porque hoje em dia é tudo fabricado; até os frangos de granja eles entopem de remédio para que cresçam ligeiro. Acho que é porisso que o povo só vive doente. A cada dia aparece um tal de vírus pra atanazar a gente e enriquecer os laboratórios. Inclusive, agora inventaram um tal de “convide” que “tá” adoecendo meio mundo.

– É por causa desses venenos que os nascidos nesse novo tempo são molengas. Mas eu digo que essa moleza é pra umas coisas, porque pra outras, são muito espertos.

– Claro que eu acho isso, minha querida! A juventude atual vive no oportunismo sem querer trabalhar. Tudo começou quando o governo criou a chamada lei de Gerson, onde todo mundo tem que levar vantagem em tudo. Por causa dessa maldita lei eu já não aguento mais as explorações do Júnior.

– Pois é menina… E eu não digo?!… É assim mesmo. Devido à essa tal de lei não querem trabalhar. Atualmente só querem viver na boa-vida às custas das outras pessoas. E as moças, então?!… Ah, essas as piores! As fulaninhas não querem lavar nem os pratos que comeram e até mesmo as caçolas delas a burra velha da mãe é que tem que lavar, embaixo de esporro.

– Você bem sabe que estou falando a verdade, porque tem filhas. As sujeitinhas assanhadas só querem viver nas farras. Ficam doidas pra emprenharem e depois viverem da pensão do filho largando o menino nas costas da família para irem curtir nas farras. De vez em quando as miseráveis se arrombam quando o sujeito, pai do pivete, some no mundo. Bem-feito! Vão na usura e perdem a gordura.

– Quanto aos rapazes, mesmo já sendo homens feitos, não arredam o pé da casa dos pais pra ficarem usufruindo do bom e do melhor como se ainda fossem crianças. Quem bem sabe sou eu do que estou falando, porque tenho o Júnior aqui em casa.

– E não é, querida?!… Claro que estou certa! Pois é… O meu sofrimento é grande, porque o traste do Júnior quanto mais trato bem, pior ele fica. O elemento não quer estudar, não quer trabalhar e não quer se casar pra “se picar” daqui de casa. E ainda tenho que dar dinheiro ao miserável pra ele fazer farra todos os dias. Não sei que jeito eu vou dar nele. Pelo que estou vendo, acho que nem Jesus na causa…

– Digo isso porque tenho a minha mágoa, embora eu saiba que a sua situação é bem pior do que a minha. As suas três filhas não trabalham e estão enchendo a sua casa de netos. Soube que elas nem sabem quem são os pais dos bebês que pariram. A pessoa que “mim” contou o fuxico disse que o malandro que fez os filhos nelas é um tal de Tiquinho. Fiquei horrorizada quando soube que as crianças eram feitas de tiquinho de um, tiquinho de outro. Que esbórnia! Misericórdia!…

– E não é pra ficar abismada?! Cruz-credo! Em cada canto, espírito santo! E o povo ainda “mim” critica porque eu protejo o meu Juninho. Pense num menino ajuizado!…

– Prefiro continuar criando o meu filhinho que, apesar de já ter trinta e dois anos, é um menino de ouro. Deus que “mim” livre da má hora de criar umas quengas iguais às suas filhas.

De repente ela fica sisuda, tira o aparelho telefônico do ouvido e o olha com a testa franzida. Com os olhos arregalados, faz um bico com os beiços demonstrando contrariedade e exclama com raiva:

– Vixe-maria… Que sujeita bruta! Bateu o telefone na minha cara só porque eu disse a verdade sobre as filhas dela.

Ainda olhando assustada para o telefone, indaga-se afirmando:

– Oxente! E não são?!…

A seguir continua falando, já senhora de si:

– Já vi que a gente não pode dizer nada a essas invejosas porque se zangam à toa. Deviam saber que o mal do protegido é o protetor.

E conclui num tom solene:

– Graças a Deus, desse mal eu não sofro porque em minha casa tenho tudo sob controle.

Joswilton Lima – Autor.

LRN tem conquistado amigos, espaço e mostrado que é possível fazer um trabalho sério que noticie mas, oportunize entretenimento àqueles que também buscam algo diferente num site de notícias.

Assim, nasceu também a parceria que lançou os episódios do Junhão que, agora torna-se um livro de crônicas e poderá estar na sua biblioteca particular.

Os “Episódios do Junhão” é um seriado de crônicas onde os capítulos relatam dramas familiares. O enredo das estórias se desenvolve com humor onde há discussões acaloradas entre uma mãe e o filho criado sem limites. Durante a infância ela satisfez todas as vontades como forma de compensar a ausência do pai que é um vendedor e viaja muito para poder manter a família. Criando o filho sozinha, ao ficar adulto ele se acha cheio de direitos tornando-se insolente e preguiçoso sempre querendo obter vantagens indevidas. Sem ter a quem recorrer, a mãe tem que aturar os abusos psicológicos de um filho irresponsável dentro de casa. O enredo é hilariante quando a mãe fica quase enlouquecida por causa dos desatinos cometidos pelo filho. Mas, apesar das confusões, Ceiça é complacente e o Junhão sempre escapa sem punição. Quanto ao marido, Alcebíades, por estar sempre trabalhando desconhece as tramoias que ocorrem em seu lar, porque a esposa esconde os malfeitos do filho. Apesar do conteúdo apresentar semelhanças com determinados fatos, no entanto são meras coincidências.

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NOTA

O autor do seriado “Episódios do Junhão” informa aos leitores deste conceituado site Léo Ricardo Notícias que doravante, as estórias do Junhão serão encontradas no site da livraria www.amazon.com

Para acessar basta digitar Episódios do Junhão em buscar. O livro, volume 1, é impresso em papel e contém capítulos inéditos. As estórias constantes no livro estão em ordem cronológica para que o leitor compreenda melhor a evolução do perfil psicológico do personagem.

Aproveita a oportunidade para agradecer o apoio recebido dos leitores desde o início em que publicou as estórias hilariantes. A aprovação dos contos motivou que o seriado fosse editado em papel no intuito de propagar a sua divulgação. Deseja que continuem lendo os Episódios do Junhão no livro para se divertirem com a vida desregrada da personagem.

Apesar de todos os desatinos que comete, será que ainda haverá a possibilidade de Junhão se regenerar?

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