Episódios do JUNHÃO IV: TATTOO MALDITA

EPISÓDIOS DO JUNHÃO agora compilados em um livro

LRN tem conquistado amigos, espaço e mostrado que é possível fazer um trabalho sério que noticie mas, oportunize entretenimento àqueles que também buscam algo diferente num site de notícias.

Assim, nasceu também a parceria que lançou os episódios do Junhão que, agora torna-se um livro de crônicas e poderá estar na sua biblioteca particular.

Os “Episódios do Junhão” é um seriado de crônicas onde os capítulos relatam dramas familiares. O enredo das estórias se desenvolve com humor onde há discussões acaloradas entre uma mãe e o filho criado sem limites. Durante a infância ela satisfez todas as vontades como forma de compensar a ausência do pai que é um vendedor e viaja muito para poder manter a família. Criando o filho sozinha, ao ficar adulto ele se acha cheio de direitos tornando-se insolente e preguiçoso sempre querendo obter vantagens indevidas. Sem ter a quem recorrer, a mãe tem que aturar os abusos psicológicos de um filho irresponsável dentro de casa. O enredo é hilariante quando a mãe fica quase enlouquecida por causa dos desatinos cometidos pelo filho. Mas, apesar das confusões, Ceiça é complacente e o Junhão sempre escapa sem punição. Quanto ao marido, Alcebíades, por estar sempre trabalhando desconhece as tramoias que ocorrem em seu lar, porque a esposa esconde os malfeitos do filho. Apesar do conteúdo apresentar semelhanças com determinados fatos, no entanto são meras coincidências.

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NOTA

O autor do seriado “Episódios do Junhão” informa aos leitores deste conceituado site Léo Ricardo Notícias que doravante, as estórias do Junhão serão encontradas no site da livraria www.amazon.com

Para acessar basta digitar Episódios do Junhão em buscar. O livro, volume 1, é impresso em papel e contém capítulos inéditos. As estórias constantes no livro estão em ordem cronológica para que o leitor compreenda melhor a evolução do perfil psicológico do personagem.

Aproveita a oportunidade para agradecer o apoio recebido dos leitores desde o início em que publicou as estórias hilariantes. A aprovação dos contos motivou que o seriado fosse editado em papel no intuito de propagar a sua divulgação. Deseja que continuem lendo os Episódios do Junhão no livro para se divertirem com a vida desregrada da personagem.

Apesar de todos os desatinos que comete, será que ainda haverá a possibilidade de Junhão se regenerar?

Autor: Joswilton Lima

Joswilton Lima é natural de Ilhéus-Ba, mas é domiciliado há mais de vinte anos em Morro do Chapéu. Tem formação em Ciências Econômicas, mas sempre foi voltado para as artes desde a infância quando começou a pintar as primeiras telas e a fazer os seus primeiros escritos. Como artista plástico participou de salões onde foi premiado com medalhas de ouro e também de inúmeras exposições coletivas nos estados da Bahia, Sergipe e Pernambuco. Possui obras que fazem parte do acervo de colecionadores particulares e entidades tanto no Brasil, quanto em países do exterior, a exemplo dos E.U.A, Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha. Possui o site www.joswiltonlima.com onde tem uma mostra de algumas de suas pinturas em diferentes técnicas e estilos, sendo visualizado por inúmeros países.

Em determinada época lecionou pintura em seu atelier no bairro de Santo Antonio Além do Carmo, em Salvador, e foi membro de comissões julgadoras em concursos de pintura. Nesse período exerceu a função de Diretor na Associação dos Artistas Populares do Centro Histórico do Pelourinho (primitivistas e naif’s), em Salvador.

Como escritor também foi premiado em diversos concursos de contos tendo lançado um e-book com o título “Enigmas da Escuridão”, com abordagem espiritualista, tendo obtido a nota máxima de 5 estrelas de leitores do site www.amazon.com.br Outros contos e romances estão sendo escritos.

Concomitante às atividades artísticas sempre exerceu funções laboriosas em diversos setores produtivos, tendo se aposentado recentemente na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, onde trabalhou por muitos anos na Fiscalização.

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Finalmente, releia o episódio publicado aos 26 de abril de 2020:

JUNHÃO

Vinte e dois anos. Está no quarto se olhando no espelho. Fica de costas pelejando para ver se consegue ver uma tatuagem que mandou fazer na batata da perna. Olhando de longe parece uma mancha preta, por isso ele se esforça em verificar se o símbolo tribal está bem tatuado. Depois vai para a sala e senta-se no sofá. Está de bermuda e cruza uma perna sobre a outra.

MÃE

Quarenta e dois anos. Está fazendo serviços de limpeza na cozinha. Ela gosta de deixar tudo bem limpo e brilhando. Depois de lavar os pratos vai para a sala pensando em descansar enquanto assiste uma novela na televisão. Mas, quando vê o filho esbugalha os olhos e a cabeça começa a fumaçar. Chega na frente dele tremendo de raiva. Coloca as mãos nas cadeiras e, enfurecida, pergunta com a voz alta:

– Mas que diabo é isso?!… Você endoidou de vez?!…

JUNHÃO

Está tranquilo devaneando e tem um sobressalto ao ouvir a voz estridente da mãe. Fica assustado sem saber o motivo da pergunta e inquire:

– Isso o quê?…

MÃE

Irritada a ponto de explodir, diz o motivo da sua indignação:

– Você com essas canelas “rapadas” iguais às de uma mocinha!…

A seguir comenta:

– É cada uma que eu vejo! Pensei que já tinha visto de tudo nessa vida e agora me aparece mais essa!

JUNHÃO

Fica calmo ao saber o motivo do escândalo. Tentando tranquilizá-la, fala:

– Ah, sim!… Agora entendi. É a tattoo que fiz… Eu raspei as pernas para que a arte fique bem visível.

MÃE

Ao ouvir a justificativa ela fica mais enfurecida ainda e fala quase gritando:

– Arte merda nenhuma, seu burro! Não venha “mim” enrolar!… Onde já se viu um homem de verdade fazer um malfeito fuleiro desse nas pernas, seu “cabra safado”?!…

JUNHÃO

Demonstrando constrangimento porque a mãe não aceitou aquele desenho na pele difícil de ser apagado, ele abaixa a cabeça e fica calado por alguns segundos pensando em algum argumento que a convença a aceitar a tatuagem. Pouco depois explica:

– É que está na moda tirar os pelos das pernas para que todos vejam a tattoo…

MÃE

Apesar de estar descontrolada ela volta a aparentar estar calma e sorri levemente. Aproveita para explanar a sua sabedoria popular adquirida quando era criança no interior:

– Eu nasci na roça e sei muito bem o que é tatu; aliás, é um bicho muito gostoso quando é cozinhado com óleo de Ouricuri.

JUNHÃO

Acha graça da ingenuidade dela e explica:

– Não falei do animal tatu e sim de tattoo, uma palavra em inglês que significa tatuagem. É porque já nos habituamos a falar muitas palavras em inglês.

MÃE

Volta a ficar estressada. Não se acalma com a explicação dele e reclama nervosa:

– “tou” nem aí!… Eu “tou” no Brasil e a gente tem que falar é “brasileiro”!… A gente mora aqui e devemos falar a nossa língua e não a do povo estrangeiro! Além do mais, você não mora lá “nas Europa”.

JUNHÃO

Fica calado balançando negativamente a cabeça em desaprovação ao falatório e à ignorância da mãe.

MÃE

Ainda revoltada e raivosa ela finge curiosidade. Indaga o filho na malícia com a voz branda:

– Cadê a tal de tatu?

JUNHÃO

Levanta-se do sofá entusiasmado pensando que a mãe finalmente teria cedido. Mostra com orgulho a tatuagem na batata da perna pensando que ao ver o símbolo tribal a mãe iria ficar agradada.

MÃE

Vê o desenho em silêncio analisando nos mínimos detalhes o emblema desenhado. Instantes depois ela conclui a observação minuciosa. De repente ela arregala os olhos e solta labaredas pelas ventas. Encolerizada, reage aos gritos:

– Misericórdia!… Mas que merda é essa?!… Você ficou doido de vez, seu sem noção?!… Ficar manchando o couro sem necessidade!…

A seguir censura:

– Que coisa mais horrorosa!… Só tem risco preto… Quando a gente olha de longe essa presepada pensa que é uma casca de pereba na perna. Qual é a graça disso?

JUNHÃO

Com a reprimenda ele fica com o olhar decaído demonstrando estar arrependido. Nem de longe se parece com o rapaz radiante que esperava ostentar a tatuagem para os amigos admirarem.

MÃE

Apesar de estar insatisfeita com o malfeito do filho, fala com lamúria:

– Coitado… Nasceu com o corpo todo limpinho e agora o inconsequente suja a pele com essas porcarias!…

JUNHÃO

Calmo, tenta tranquilizá-la para ver se consegue a aprovação da mãe. Diz:

– É apenas um símbolo tribal…

MÃE

Volta a ficar mais nervosa ainda e continua com o esporro:

– E você é algum índio pra usar símbolo de tribo?!… Eu não quero saber de canibal aqui em casa!… Onde já se viu?!… O sujeito tá “todo” errado e ainda quer ter razão. É um cabeça de merda. Estou abismada com tanta aleivosia. Eu não sei quem pariu esse peste, ele deve ter sido trocado na maternidade. Ele não puxou nem a mim e nem ao pai, porque a gente nunca teve essa doidice de manchar o couro da gente.

JUNHÃO

Faz careta e trejeitos de desaprovação pelo que está ouvindo. Apenas exclama:

– Ah, se arrependimento matasse!…

MÃE

Aparenta estar conformada e diz:

– Deus que me livre, você só faz merda!… Uma em cima da outra!…

JUNHÃO

Assustado com a reação dela, fica calado olhando para as paredes. Acuado, tenta se redimir do problema que arranjou com a tatuagem. A seguir argumenta:

– Mas os artistas fazem muitas tatuagens e ninguém diz nada…

MÃE

Volta a ficar totalmente sem controle emocional e esbraveja:

– E eu sou lá mãe de artista?! E você, seu cabeça de bagre, é artista aonde? Hem!… Só se você for o Pedro Malasartes, o rei da enrolação e da mentira. Copiar tudo que vê nos outros é inveja, sabia?… Agora eu vi merda aumentar de preço… Estou com um invejoso de meia-tigela aqui em casa. Mas aqui tem governo e vou lhe botar nos trilhos, seu cabeça de vento!

E ordena espumando pelos cantos da boca:

– Agora você vai pegar um caco de telha e depois vá para o banheiro!…

JUNHÃO

Franze a testa e arregala os olhos. Fica apreensivo com o que estar por vir.

MÃE

Conclui a sua sentença com a “autoridade” que só ela tem:

– Esfregue o caco de telha na perna em cima dessa coisa feia e “rape” essa merda de tatu até o couro ficar em “carne viva”! Não quero que o povo olhe pra você e pense que é um marginal delinquente!

JUNHÃO

Fica sem graça e vai para o quarto. Senta-se na cama. Passa a mão nervosamente pelo queixo, enquanto os olhos giram sem parar de um lado para o outro. Não sabe o que fazer para minorar a situação.

MÃE

Depois de algum tempo o sangue esfriou e está calma. Porém, fica angustiada com o pesado castigo que dera ao filho. Fala para si:

– Coitado, ele não fez por mal. Deve ter sido influenciado por algum amigo maligno. Amizades ruins é o que mais tem nesse mundo. Além do mais, ele é tão lindo que aquela coisa feia parecendo uma pereba não vai tirar a beleza dele.

E continua:

– Vou lá no quarto dizer a ele que eu “aceito ele” com aquela tal de tatu. Afinal foi uma perversidade eu mandar o meu filhinho “rapá” a canela com caco de telha. Quando o pai dele vier passar uns dias em casa eu vou dizer a ele pra não ficar de bermuda.

A seguir exclama:

– Espero que o Alcebíades não sonhe com uma desgraceira dessa! Tenho fé em Deus! Eu espero que o Deus que eu amo não me faça passar por um vexame por causa do Juninho.

 

Texto: Joswilton Lima

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