Episódios do JUNHÃO III: ‘MENOR INFRATOR’

EPISÓDIOS DO JUNHÃO agora compilados em um livro

LRN tem conquistado amigos, espaço e mostrado que é possível fazer um trabalho sério que noticie mas, oportunize entretenimento àqueles que também buscam algo diferente num site de notícias.

Assim, nasceu também a parceria que lançou os episódios do Junhão que, agora torna-se um livro de crônicas e poderá estar na sua biblioteca particular.

Os “Episódios do Junhão” é um seriado de crônicas onde os capítulos relatam dramas familiares. O enredo das estórias se desenvolve com humor onde há discussões acaloradas entre uma mãe e o filho criado sem limites. Durante a infância ela satisfez todas as vontades como forma de compensar a ausência do pai que é um vendedor e viaja muito para poder manter a família. Criando o filho sozinha, ao ficar adulto ele se acha cheio de direitos tornando-se insolente e preguiçoso sempre querendo obter vantagens indevidas. Sem ter a quem recorrer, a mãe tem que aturar os abusos psicológicos de um filho irresponsável dentro de casa. O enredo é hilariante quando a mãe fica quase enlouquecida por causa dos desatinos cometidos pelo filho. Mas, apesar das confusões, Ceiça é complacente e o Junhão sempre escapa sem punição. Quanto ao marido, Alcebíades, por estar sempre trabalhando desconhece as tramoias que ocorrem em seu lar, porque a esposa esconde os malfeitos do filho. Apesar do conteúdo apresentar semelhanças com determinados fatos, no entanto são meras coincidências.

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NOTA

O autor do seriado “Episódios do Junhão” informa aos leitores deste conceituado site Léo Ricardo Notícias que doravante, as estórias do Junhão serão encontradas no site da livraria www.amazon.com

Para acessar basta digitar Episódios do Junhão em buscar. O livro, volume 1, é impresso em papel e contém capítulos inéditos. As estórias constantes no livro estão em ordem cronológica para que o leitor compreenda melhor a evolução do perfil psicológico do personagem.

Aproveita a oportunidade para agradecer o apoio recebido dos leitores desde o início em que publicou as estórias hilariantes. A aprovação dos contos motivou que o seriado fosse editado em papel no intuito de propagar a sua divulgação. Deseja que continuem lendo os Episódios do Junhão no livro para se divertirem com a vida desregrada da personagem.

Apesar de todos os desatinos que comete, será que ainda haverá a possibilidade de Junhão se regenerar?

Autor: Joswilton Lima

Joswilton Lima é natural de Ilhéus-Ba, mas é domiciliado há mais de vinte anos em Morro do Chapéu. Tem formação em Ciências Econômicas, mas sempre foi voltado para as artes desde a infância quando começou a pintar as primeiras telas e a fazer os seus primeiros escritos. Como artista plástico participou de salões onde foi premiado com medalhas de ouro e também de inúmeras exposições coletivas nos estados da Bahia, Sergipe e Pernambuco. Possui obras que fazem parte do acervo de colecionadores particulares e entidades tanto no Brasil, quanto em países do exterior, a exemplo dos E.U.A, Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha. Possui o site www.joswiltonlima.com onde tem uma mostra de algumas de suas pinturas em diferentes técnicas e estilos, sendo visualizado por inúmeros países.

Em determinada época lecionou pintura em seu atelier no bairro de Santo Antonio Além do Carmo, em Salvador, e foi membro de comissões julgadoras em concursos de pintura. Nesse período exerceu a função de Diretor na Associação dos Artistas Populares do Centro Histórico do Pelourinho (primitivistas e naif’s), em Salvador.

Como escritor também foi premiado em diversos concursos de contos tendo lançado um e-book com o título “Enigmas da Escuridão”, com abordagem espiritualista, tendo obtido a nota máxima de 5 estrelas de leitores do site www.amazon.com.br Outros contos e romances estão sendo escritos.

Concomitante às atividades artísticas sempre exerceu funções laboriosas em diversos setores produtivos, tendo se aposentado recentemente na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, onde trabalhou por muitos anos na Fiscalização.

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Finalmente, releia o episódio publicado aos 19 de abril de 2020:

MÃE

Sessenta anos. Chega em casa muito alegre. Está rindo à toa e comenta:

– Até que enfim consegui me aposentar!…

JUNHÃO

Quarenta anos. Está deitado no sofá da sala descansando – não sei de que. Ao ouvir o que a mãe disse, demonstra surpresa e debocha:

– Mas como conseguiu se aposentar, se você nunca trabalhou?!…

MÃE

Faz de conta que não ouve o questionamento do filho e continua a falar:

– Olhe aqui o meu cartão do “éni-pê-éssi”. Todo final de mês terei direito a um salário mínimo; é só eu ir ao banco e sacar o meu dinheiro. De hoje em diante serei a dona do meu nariz. Não vou mais precisar ficar pedindo dinheiro ao seu pai. É a minha independência financeira.

E completa cor fervor religioso:

– Oh, Glória! Jesus é poderoso!…

JUNHÃO

Ainda está curioso como ela conseguiu tamanho feito e sugere:

– Se é assim na maciota eu também vou me aposentar. Quero que me dê o “canal” de quem você subornou lá na repartição. “Me diga” quem foram os caras que fizeram esse trambique prá você. Amanhã cedo irei à Previdência Social pra conseguir também a minha carta de alforria recheada de dinheiro todo mês. Também estou querendo a minha independência financeira. Vivo doido pra me livrar de vocês.

MÃE

Fica irritada com a ofensa gratuita e rebate:

– “Peraí” mocinho, veja como fala comigo!… Em primeiro lugar eu não sou do seu “naipe” pra andar fazendo trambique. Para ter esse direito eu paguei o carnê como autônoma por longos anos. Não fiz nada de errado! Além do mais sou uma mulher de respeito e não aceito esse negócio de corrupção. E tem mais: se você quer se livrar da gente é só ir embora.

E conclui com veemência fazendo bico com os beiços apontados em direção à saída do apartamento:

– A porta da rua é a serventia da casa!

JUNHÃO

Fica sem argumentos e cala-se. Pouco depois comenta baixinho:

– Já sei que a “velha” está cheia do dinheiro da aposentadoria. Com certeza ela vai me liberar uma boa grana pra minhas farras. Já tou até pensando em aumentar o meu harém de “ficantes”.

Após pensar por momentos conclui o raciocínio:

– É por causa do tal carnê que ela pagava, que o dinheiro andava regrado aqui em casa. Mas no final tudo termina bem. – E sorri com cinismo.

MÃE

Está tão eufórica que continua explanando as suas pretensões cheias de sonhos e desvarios:

– Já estou cansada de tanto trabalhar nessa casa. Afinal de contas, vida de aposentada é para não fazer nada. Vou viver de pernas “proar”, só viajando… Por isso eu vou contratar uma diarista prá fazer faxinas diárias no apartamento. Adoro limpeza! Com o meu dinheiro vou poder pagar uma fornecedora de marmitas pra não precisar mais cozinhar. Aos domingos iremos, eu e o Júnior, fazer as refeições em bons restaurantes. Comprarei roupas e sapatos novos de grife. Vou dar uma escova permanente nos cabelos pra “ficar linda” e, possivelmente, vou financiar um carro “mil” em oitenta meses para a gente viajar pelo Brasil.

Nota 1: Em nenhum momento a “nova-rica” aposentada se lembrou em ajudar o pobre marido caixeiro-viajante nas pesadas despesas do lar.

JUNHÃO

Continua calado ouvindo os desvarios dela. Acha impossível que um salário mínimo dê para tanta coisa. Mas, mesmo assim, ele teme que não sobre dinheiro para as suas farras.

 

Início do mês seguinte – DIA DE RECEBER O PRIMEIRO BENEFÍCIO

MÃE

Ela está acamada sem poder se levantar da cama por causa da virose de uma gripe muito forte. Chama o filho e pede um favor quase implorando:

– Filhinho, essa gripe virótica me deixou de cama, “toda quebrada”, justo hoje, o dia que eu deveria ir ao banco para sacar a minha primeira aposentadoria. Por isso estou lhe pedindo que me faça o favor de ir ao caixa buscar o meu dinheiro.

JUNHÃO

Não perde a oportunidade de mostrar o seu lado oportunista. Sem pestanejar, exige:

– E eu vou ganhar quanto? Também preciso de roupas e sapatos novos, sabia? Só vou se puder ir e voltar de táxi, “na boa”.

MÃE

Apesar de estar fraca, revolta-se e, muito nervosa, dita ordens entre tosses intermitentes:

– Não vou pagar táxi zorra nenhuma!… Você vai e volta de “buzú”, do mesmo jeito que você vai às suas farras!

JUNHÃO

Frustrado em seu plano ganancioso, lança mão de outro recurso ardiloso:

– Assine uma folha de papel em branco que eu irei fazer uma procuração, assim você não terá mais o trabalho de ir ao banco todos os meses. Faço esse trabalho exaustivo “numa boa”. É só pôr a assinatura nessa folha de papel. E pode deixar que o resto eu faço tudo no “zero-oitocentos”.

MÃE

Com a testa franzida, arregala os olhos demonstrando temor e diz incisiva:

– Não precisa de procuração! No próximo mês eu já estarei livre dessa gripe desgraçada e irei pessoalmente buscar o meu benefício. Agora pegue o cartão e a senha e vá logo!

JUNHÃO

Abaixa a cabeça e sai – provavelmente maquinando alguma coisa. Mas, ao contrário de todas as perspectivas ele age de forma correta perante a mãe quando volta do banco. Entrega todo o dinheiro da aposentadoria a ela e gaba-se:

– Está vendo aí?!… Trouxe até o último centavo; não quis deixar nada lá no banco prá não dar lucro ao governo! Você sabia que eles roubam o dinheiro que fica na conta porque cobram taxas de armazenamento?

E conclui comentando com deboche:

– Onde já se viu, cobrar pra guardar dinheiro?… Se você quiser guardar a aposentadoria em minha mão, eu não cobro nada.

A seguir dá uma sonora gargalhada.

MÃE

Está em êxtase de contentamento. Afinal o seu filhinho cumpriu com primor a função que ela lhe delegou.

 

Um mês depois – DIA DO PRÓXIMO BENEFÍCIO

MÃE

Volta do banco espumando de raiva. Nervosa, está envolta em chamas. Os olhos vermelhos estão esbugalhados parecendo querer saltar das órbitas. Entra no apartamento aos berros:

– Venha cá vagabundo para devolver o dinheiro que você “mim” roubou!

JUNHÃO

Sai do quarto com uma calma impressionante e indaga:

– “Peraí”, o que houve?… Que escândalo é esse?! Pra quê esse bafô?!

MÃE

Está irritada com a situação e chora soluçando, mesmo assim continua gritando:

– Que houve o quê, sonso! Não pude sacar um centavo sequer da minha aposentadoria! A minha conta está zerada!

Mais calma, ela relata o que houve:

– Fiquei revoltada por não poder receber a minha aposentadoria e fui reclamar com o gerente do banco para eles corrigirem o erro. Mas fiquei com a “cara no chão”, quando me mostraram uma procuração que lhe dá plenos poderes para tomar quantos empréstimos quiser em meu nome. Você falsificou a minha assinatura, miserável! Isso é estelionato, sabia?!… Para que você não fosse preso, eu garanti que a firma era minha. Por causa dessa desonestidade sua eu vou ficar sem poder receber a minha aposentadoria por vários anos.

Depois lamenta:

– E agora, o que vai ser de mim, meu Deus?!… Estou cheia de dívidas por sua causa! Confiando em receber a aposentadoria eu comprei fiado em várias lojas para pagar as prestações a partir deste mês. Agora estou toda arrombada por sua causa. Como vou poder pagar as minhas dívidas? Os meus sonhos foram por “água abaixo”, me acode Jesus…

Incisiva, ameaça inutilmente por causa da idade ultrapassada do meliante doméstico:

– Eu vou ao Conselho Tutelar para prestar queixa contra você! Está “mim” ouvindo, seu ladrãozinho desnaturado?!… Seu menor infrator! Tomara que eles internem você na FEBEM!…

JUNHÃO

Ele já não pode ouvi-la. Aproveitou a fragilidade do estado emocional dela para evadir-se do apartamento em surdina. Na rua, entra no carro seminovo comprado com o dinheiro dos empréstimos e vai buscar a namorada Janete para irem curtir a “segunda-feira gorda da Ribeira”, regada a “pagodão”, cozido de verduras com carne de costela, de peito, músculo, charque, defumados, chouriços, pirão delicioso e molho “lambão” de pimenta malagueta e muita cerveja.

Curtindo na farra, nem de longe ele se lembra da pobre mãe que está acamada por causa do desgosto que tivera. E ela jamais irá imaginar que o seu filhinho amado está na farra tirando onda de novo-rico às custas dos seus sonhos.

MÃE

Apesar de estar deprimida com o golpe sofrido, ainda assim tenta justificar a atitude do filho:

– O juninho não faz por mal essas coisas erradas. É porque o coitado foi criado com o pai ausente.

Nota 2: A infeliz culpa o esposo trabalhador por suas falhas na educação doméstica do filho.

 

Autor: Joswilton Lima

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