EPISÓDIOS DO JUNHÃO e O “CONCURSEIRO”

MÃE

Cinquenta e seis anos de idade. Está cuidando dos afazeres domésticos na cozinha enquanto aguarda o filho acordar. Ansiosa, consulta a todo o momento as horas no relógio de parede. Com o avançar do horário ela fica impaciente e começa a andar nervosa pela casa verificando para ver se tudo está limpo e no devido lugar. Após a inspeção, senta-se no sofá para aguardar o seu reizinho se levantar da cama.

Enquanto espera, está revoltada com a vida absoluta que o filho está levando sem se preocupar com o futuro. Já são onze e meia da manhã. De repente ela tem um sobressalto porque ouve um barulho e se levanta num ímpeto. Percebeu que o filho já havia acordado e se dirige até a porta do quarto dele. Está angustiada e irá reclamar sobre a preguiça dele em não querer trabalhar.

JUNHÃO

Trinta e seis anos de idade. Quando abre a porta do quarto e vê a mãe quase impedindo a sua passagem fica com raiva. Sem dar uma palavra ele sai empurrando a mãe com rispidez para o lado e passa fingindo não perceber a presença dela. Os olhos dele estão vermelhos iguais a brasas e tem pressa para ir ao banheiro. As olheiras roxas lhe dão um aspecto decaído e o mau hálito denuncia uma noite de bebedeira. Está com um aspecto horrível por causa da ressaca misturada com uma noite maldormida.

MÃE

Ceiça está revoltada e espumando de raiva por causa do modo grosseiro do filho. Reclama quase gritando:

– “Peraí”, rapazinho!… Que “ingnorância” é essa?!… Você não tá me vendo aqui?! Pelo menos dê “boa tarde”, seu “maleducado”! Meio-dia é hora dum homem acordar?!… Você se levanta da cama num rompante que até parece gente grande.

JUNHÃO

Ao ouvir o que a mãe lhe diz ele para e olha a mãe enfezado. Segundos depois resolve falar demonstrando estar contrariado:

– Pô!… Você não me dá trégua! Não vê que estou cansado e não quero papo com ninguém?!… A sua vida é ficar me estressando. Não sabe de nada e já vem esculachando. Estou pra ver uma criatura incompreensível igual a você!

MÃE

Ela está indignada com o modo malcriado do filho. Estando contrariada, exige explicações:

–  Cansado de quê, seu ordinário?!… Nunca ouvi dizer que dormir cansa alguém. Cadê o dinheiro que eu te dou para as inscrições nos concursos públicos? Quero saber aonde foi parar a dinheirama, porque não vejo você estudando e nem fazendo as provas.

E conclui enraivada:

– Com certeza você “tá” estourando toda a grana na cachaça com as quengas nessas farras! Ah, sujeito folgado!…

JUNHÃO

Ele interrompe a reclamação da mãe e diz acusando:

– Vamos falar usando de honestidade! Você não trabalha, portanto não tem dinheiro para me dar. O dinheiro quem lhe dá é meu pai! E o velho nunca fez questão de nada.

Depois, aproveita o momento para reverter a situação e sugere:

– Pensando bem, como você não faz nada o dia todo, deveria trabalhar como diarista aqui na vizinhança. É só fazer os cartões dizendo que Ceiça faz uma faxina benfeita e colocar o número do telefone. Depois vá entregar nos edifícios que vai chover freguesia. Você vai ganhar um bom dinheiro com essa ocupação. Nesse caso, quando você estiver me repassando a grana, poderá ficar com a sua chiadeira insuportável alegando que me dá dinheiro.

CEIÇA

Ao ouvir o que o filho lhe disse Ceiça fica explodindo de raiva. A cabeça fumaça por entre os bóbis e ela grita enfezada:

– Você quer “mim homilhar”, seu “fela da puta”!!! Quem precisa trabalhar é você, seu peste!

A seguir comenta injuriada:

– Eu não preciso trabalhar porque tenho um bom marido! Esse menino é um sem noção. Já não basta o trabalho que tenho aqui em casa, agora o sujeito quer ficar dormindo enquanto eu vou fazer limpeza na casa dos outros.

Ainda zangada, conclui:

– Esse sujeito nem se preocupa que vou sofrer discriminação aqui no prédio. O pessoal daqui é tirado a rico e não vão querer ser vizinho de uma faxineira. Parece que ele só quer vantagem para si; os outros que se arrombem.

JUNHÃO  

Não dá ouvido ao que a mãe fala e acusa-a:

– “Tá” vendo aí que você é preguiçosa?! Se você não quer fazer faxina, então vá vender os produtos da Javoni. E não se esqueça de me dar o dinheiro das comissões que ganhar.

Depois muda o semblante e diz demonstrando satisfação:

– Com referência às minhas farras, não fique com essa conversinha-fiada, porque eu estava comemorando a minha aprovação no concurso! Pode me dar os parabéns, porque de agora em diante o seu filho é um funcionário público!

E continua falando sorridente:

– Quando vi as perguntas fáceis nas provas que fiz, respondi tudo bem rápido. Como estava fazendo muito calor eu entreguei os gabaritos preenchidos em pouco tempo. Até o pessoal da coordenação do concurso ficou abismado com a rapidez com que terminei as provas.

A seguir se justifica dizendo:

– A sala de aula não tinha ar-condicionado e o calor estava insuportável parecendo que eu estava numa sauna. Por causa disso e das questões com pergunta idiotas precisei ir refrescar a mente indo tomar umas cervejas num barzinho do outro lado da rua.

E continua orgulhoso dizendo:

– Velho, a galera ficou admirada com o pouco tempo em que resolvi todas as questões. Também pudera, eles são uma cambada de burros. Um dos que fizeram as provas na minha sala foi aquele “carinha” que é todo molenga, o filho da sua amiga Júlia.

Continua falando:

– Quando ele saiu do colégio foi no barzinho onde eu estava para comprar água mineral. Imagine, o sujeito queria água mineral?!!… Já pensou?!… O tonto não aceitou a cerveja que ofereci porque disse que preferia ir pra casa estudar. Acabou de fazer uma prova e já queria ir correndo para continuar estudando!… “Tou” pra ver um sujeito burro igual a ele.

Junhão está revoltado porque o rapaz muito estudioso não aceitou ser o seu parceiro de farra e continua esculachando o rapaz:

– O “fulaninho” disse que só entregou o gabarito quando encerrou o tempo do concurso. Essa é a maior prova da burrice dele. Não adianta ele querer ser “cê-dê-éfi” porque é tão abestalhado que mesmo que passe “arrastado” no concurso vai ser reprovado no psicoteste, digo isso com certeza.

E fala sorridente:

– O único que está aprovado sou eu, o seu filhinho querido.

MÃE

Ao ouvir a boa notícia da aprovação do filho no concurso público ela quase desmaia de alegria. Reage parecendo ter ouvido as palavras mágicas com as quais sonhou e aguardou por toda a sua vida. A seguir fica enlouquecida pulando feito maluca dentro do apartamento, enquanto dá urros de alegria audíveis por todo o quarteirão. Depois para e, enternecida, grita com fervor religioso:

– Jesus ouviu as minhas orações! Finalmente o Juninho está engajado no serviço público e com o futuro dele garantido, graças ao meu bom Deus!

Para de glorificar e diz com entusiasmo:

– Vou contar pra todo mundo o seu sucesso! Primeiro vou contar ao seu pai e depois vou dizer a todas as minhas amigas que o meu filhinho agora é uma autoridade do governo! Elas vão ficar morrendo de inveja, principalmente aquelas fulanas que ficam fazendo fuxico dizendo que você é um “pra nada” na vida e um explorador dos pais.

JUNHÃO

Nesse momento ele arregala os olhos e berra:

– Peraí, rapaz!… Você tem um “bocão” da zorra! Não vai dizer nada a ninguém. Vamos aguardar o resultado do concurso sair primeiro… Por enquanto essa comemoração é só nossa.

MÃE

Não entende a reticência dele e o interpela:

– Ué?!… E essas comemorações que você fez ontem à noite?! Cadê a sua aprovação no concurso? Você não disse que já estava aprovado?! “Tou” pra ver uma criatura cheia de picuinha igual à essa!

JUNHÃO

Ouve em silêncio, enquanto articula a sua defesa. A seguir, imperioso, diz a sua verdade:

– O seguinte é esse: eu fiz provas excelentes; acredito que acertei todas as questões. Tenho o primeiro lugar garantido, mas ocorre que o serviço público não é ágil. É uma burocracia “retada” de lerda.

MÃE

Fica confusa com tanta conversa enrolada. Atônita, inquire:

– Mas que diabo é isso?! Afinal você passou ou não no concurso? Se foi aprovado, por que não pode começar a trabalhar logo?

Incisiva, pergunta vaidosa:

– Agora “mim” diga, você concorreu pra qual cargo no concurso?! Foi pra ser diretor de alguma empresa do governo? Ah, filhinho… Você “mim” dá um orgulho tão grande!…

JUNHÃO

Fica embaraçado com a curiosidade da mãe e responde baixo como se estivesse envergonhado:

– Eu fiz o concurso para o cargo de auxiliar de serviços gerais

MÃE

Fica revoltada de repente com o que ouve e exclama exaltada:

– “Népussivel” uma merda dessa! Quer dizer que eu “mim disgraço” a vida toda te dando dinheiro pros estudos e depois de todo o meu esforço você faz um concurso pra ser faxineiro?!… Já vi que tenho em casa um cabeça de bagre!

JUNHÃO

Está revoltado com o questionamento da mãe e argui:

– Você é mesmo uma songamonga, por isso não entende nada. Eu vou entrar como auxiliar de serviços gerais, mas depois de pouco tempo trabalhando serei promovido para um cargo superior devido à minha alta capacidade intelectual. Simples, assim!

MÃE

Está abismada com a sabedoria do filho. Para ela tudo que o Júnior faz está certo. Mas está magoada e diz para si:

– Só porque ele é super inteligente fica se achando no direito de “mim” chamar de burra. Só Deus sabe como “mim” sinto mal com essas agressões dele.

JUNHÃO

Mesmo percebendo que está convencendo Ceiça, ele está a ponto de estourar de raiva com tanta indagação dela. Sisudo, continua a conversa afirmando:

– O mais importante de tudo isso é que eu fiz uma prova “show de bola”, com probabilidade de ser aprovado em primeiro lugar. Devido a isso já posso me considerar um funcionário público com estabilidade total. O único problema é que para ser nomeado são “outros quinhentos”. Por isso tenho que pedir a um pistolão forte para começar a trabalhar.

A seguir continua lamentando:

– A gente passa num concurso, mas depois tem que sair com uma cuia na mão mendigando na politicagem para ser nomeado. Se o aprovado tiver uma família grande com muitos votos, talvez o sujeito minta dizendo que fará o possível. Falam isso no “cheiro mole” porque os caras não ligam para ninguém; só querem saber dos nossos votos.

MÃE

Ao sentir a amargura do filho ela fica enfezada e esbugalha os olhos. Está revoltada com a informação e exclama com a boca espumando de raiva:

– Mas que merda é essa?!… Quer dizer que estudo e inteligência não vale nada pra essa gente?!… Só porque demos um “votinho” à essa laia ruim eles ficam pensando que são os donos do mundo?!… “Destá”, jacaré, porque a lagoa vai secar, tenho fé em Jesus Cristo! Se depender de mim esses “malestrosos” vão papocar nos quintos dos infernos!

JUNHÃO

Após falar o que queria para induzir a mãe, ele se acha cheio de razão e diz:

– Apesar da sua pouca escolaridade, no entanto o seu raciocínio está certo quando diz que não deveria haver essa necessidade humilhante.

Depois determina:

– Agora se não for demais da sua parte em me dar licença, preciso ir buscar a minha gata pra gente continuar comemorando a minha aprovação. Hoje a farra vai ser dez!

MÃE

Estando ofendida em seu brio por não ter sido convidada para a comemoração, fica ressentida e apenas murmura consentindo:

– Tem toda, meu senhor…

A seguir senta-se no sofá. Está acabrunhada. Os pensamentos invadem a sua mente com muitas recordações e diz para si demonstrando mágoa:

– Que arrependimento, meu Deus!… Fiquei sofrendo nove meses carregando na barriga esse “pedaço de cavalo”. Quantas noites eu perdi com essa criança. Quantos dias eu levei esse menino nas clínicas médicas… Quantas mentiras eu continuo dizendo ao meu marido para esconder os malfeitos desse peste, desde quando era pequenino. E agora, que já está adulto, vira esse brutamontes que vive “mim homilhando” só porque é sabido. Só Jesus na causa…

E continua relatando o seu desgosto:

– Olha aí o resultado da minha dedicação como mãe: o pestilento quando consegue um bom emprego me chama de abobalhada e vai alegre farrear com uma quenga. No modo de ver dele, eu não valho nada. Quem é a boa para ir comemorar o sucesso com ele é uma “fulaninha” qualquer. Por isso lembro do que a minha mãe dizia: filho criado, trabalho dobrado… O exemplo “taí” com o Juninho.

Depois conclui demonstrando sofrimento:

– E o pior de tudo é que as “miséras” vão comemorar o resultado do concurso esbanjando o meu dinheiro. Vão comer, encher o rabo de cachaça, darem risadas, enquanto isso eu fico em casa “roendo os cotovelos” de raiva. Mas ele vai pagar essas ruindades que “mim” faz.

JUNHÃO

Após se arrumar ele sai radiante, todo perfumado. Está exalando um cheiro inebriante porque encharcou o corpo todo com perfume francês. Passa arrogante pela mãe com o queixo erguido e o nariz empinado; não lhe dá sequer um até logo.

MÃE

Assim que o filho sai, ela passa de imediato do estado de tristeza que a deprimia para o de euforia. A seguir corre para telefonar para as amigas. Talvez por uma doce vingança, já que ele a proibiu de que contasse o fato a alguém. Entusiasmada, sistematicamente diz a mesma coisa para todas as amigas:

– Pois é Hortência, depois de muitas orações eu alcancei uma graça divina: o meu Deus vivo iluminou os caminhos de meu filho. Ele foi aprovado num bom concurso público. E passou em primeiro lugar! O meu Juninho quando for nomeado vai assumir um grande cargo no governo.

A amiga faz um elogio e ela continua:

– Pois é, minha amiga!… Também pudera, o menino tem uma inteligência superior porque foi muito bem criado. Eu chegava a ser enjoada “injigindo” muito dele.

A amiga faz um comentário e ela completa:

– E não é isso, menina?!… Graças a Deus eu vou tirar esse fardo pesado das minhas costas. Mas no final Jesus foi meu “adevogado”. E pior agora é que o infame “tá” praticamente amasiado. Está “chamegado” com uma “fulaninha”; a vida dele é correr atrás dela.

Novamente a amiga diz algo e ela concorda. Logo depois, comente:

– E não é, querida?!… Pelo que estou vendo é a “tampa e o balaio”. Ou melhor: “é a meia rota com o sapato furado”. Já estou odiando essa sujeita oportunista.

E continua revoltada fofocando:

– Eu não sei onde ele arranjou esse “istrupício”. Só sei que o “ex-vagabundo” daqui de casa, “tá” arriado os quatros pneus e o socorro por essa criatura. Ouvi dizer que o nome da inditosa é Janete e que mora numa tal de comunidade, mas não sei aonde fica.

Depois, vangloriando-se, diz:

– Pelo que percebi, os dois começaram esse “discaramento” tem poucos dias. Mas essa sem-vergonhice é da raça, porque homem não pode ver um rabo de saia. Mas graças a Deus, Alcebíades, o meu marido, não é dado as essas aleivosias.

A seguir dá uma gargalhada nervosa. Hortência comenta algo e ela conclui mentindo:

– É isso mesmo! Mas apesar desse “tipinho” estar entrando na vida dele, hoje ele jurou de pés juntos que ao ser nomeado a minha vida será a de uma rainha. Disse que vai “mim” dar tudo do bom e do melhor. Glória a Deus, amada!

E despede-se satisfeita. Depois liga para outras amigas com o mesmo teor da conversa.

Dias depois de sair o resultado do concurso

JUNHÃO

Nove horas da manhã. Ele dorme a sono solto, ronca e se revira na cama por estar sentindo muito calor devido à grande ingestão de bebidas alcoólicas. A noite insone devido à gandaia deixou-o totalmente amolecido, mas nada perturba o seu descanso. A não ser…

MÃE

Está enfurecida em tempo de endoidar. Tem os olhos vermelhos, esbugalhados e saindo fogo pelas ventas. Com o cabo da vassoura ela bate forte repetidas vezes na porta do quarto até perceber que ele acordou.

JUNHÃO

Sai do quarto revoltado porque a mãe foi acordá-lo antes do meio-dia. Aproveita para dar um esculacho em Ceiça:

– “Qualé” velha? Que “nóia” é essa?!… Isso é um abuso de autoridade, ouviu?! Você é muito abusada! Vem me acordar de madrugada sem motivo só pra bagunçar a minha vida! Vou me mudar daqui assim que for nomeado.

MÃE

Está envolta em chamas de tanta raiva. Não se contém e explode gritando os motivos da sua fúria:

– Miserável! Vigarista! Desumano! Você não é “qualidade de gente”! Vai se mudar só se for “pru” inferno, sua “miséra”! E vai ser nomeado só se for pra ser o “criado-mor” do diabo! Ontem eu falei com as minhas amigas e todas disseram que o resultado do concurso já saiu! Você não foi aprovado zorra nenhuma e “mim” fez passar por mentirosa. E não “mim” diga nada porque hoje estou com a “pá virada”!

A seguir se joga no sofá fingindo estar passando mal. Abana-se nervosamente com um pedaço de papelão e logo finge desmaiar.

JUNHÃO

Mesmo estando acuado tenta se defender:

– Mas o concurso que eu fiz teve um problema e o resultado para o cargo que me candidatei foi adiado e não souberam informar quando irá ser publicado. Suas amigas são mentirosas! Não sei o que eu fiz a essas bestas-feras pra ficarem fuxicando com o meu nome.

MÃE

Imediatamente se recupera do piti que estava tendo e parte para o ataque. Com a veia carótida a ponto de explodir ela exclama:

– Tome vergonha na cara, “cabra sem vergonha”! Rodolfo, aquele garoto novo, filho da minha amiga Júlia, ao contrário do que você disse ele é muito inteligente. Ele fez o concurso para assistente administrativo e foi aprovado. Já foi nomeado e começa a trabalhar no próximo mês.

E continua expondo a sua raiva dizendo:

– E aquele outro menino, o Adalto, filho de Inês, que você esculhambou chamando o coitado de burro, também foi aprovado para trabalhar na área de informática do governo e já vai começar a trabalhar. Eles não precisaram pedir nada a ninguém. Enquanto isso você fica mentindo pra mim dizendo que pra ser faxineiro precisa de pistolão!

Logo depois começa a sentir falta de ar e se abana com uma toalha de rosto. A seguir fala espumando de raiva:

– Enquanto você, que se acha o maior sabichão do mundo, inclusive pra ficar “mim” chamando de burra, não consegue passar em nenhum concurso, nem pra ser servente de limpeza. Ah, “mim” faça uma garapa, ouviu?!…

JUNHÃO

Ele fica indiferente à desilusão da mãe. Apenas continua mentindo. Repete com a voz firme:

– Só se saiu o resultado deles, porque o meu ainda não saiu. Esse povo mente muito só pra se vangloriar. Mas você é uma tonta e acredita em tudo que lhe dizem.

MÃE

Ao ouvi-lo na sua renitência, desmaia de vez e fica inerte.

JUNHÃO

Apático, deixa a mãe desfalecida no sofá e sai do apartamento resmungando:

– Essa “coroa” não acredita em nada do que falo. Ora, se ela não fosse tão sem noção iria saber que eu não tenho culpa da desorganização do concurso.

A seguir fala se justificando:

– Também depois eu raciocinei melhor e não admito a coação de Ceiça. A velha é amalucada e fica insistindo para eu fazer o que não quero. Ela é tão burra que até hoje não entendeu que detesto trabalhar. Mas, o tempo é o senhor… Ainda vou dobrar a Ceiça.

Depois diz sorridente:

– O mais certo agora é eu ir buscar a minha Janete pra gente ir tomar “umas canas” porque ela é a única pessoa que me entende nesse mundo. “Tou” fissurado na mulatinha…

Autor: Joswilton Lima

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