‘EMBORA TENHA A MAIOR SAFRA DE GRÃOS, O BRASIL PASSA FOME’

Um Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 mostra por que, no Brasil, a fome tem gênero e raça. Pelos dados de 2020, 11,1% dos lares chefiados por mulheres estavam enfrentando a fome contra 7,7% quando a pessoa de referência era homem. Das residências habitadas por pessoas pretas e pardas, a fome esteve em 10,7%. Entre pessoas de cor branca, esse percentual foi de 7,5%. No levantamento do Datafolha, em que 88% dos entrevistados disseram perceber que a fome no país aumentou, a situação também é mais sentida por mulheres, negros e pessoas menos escolarizadas faltou comida para 40% dos que têm apenas o ensino fundamental completo.

 O Brasil vive um pico epidêmico de fome, isso tem sido apontando em pesquisas como dissemos antes, que a crise econômica agravada pela pandemia está fazendo com que a insegurança alimentar se estenda, inclusive entre os que não se encontravam em condição de pobreza antes da pandemia. Muitos lares constituem o grupo com maior proporção de insegurança alimentar leve por volta de 40%, o que sugere o impacto da pandemia também entre famílias que tinham renda estável. É verdade que a insegurança alimentar cresceu em todo país, mas as desigualdades regionais seguem bem mais acentuadas agora.

Proporcionalmente, ainda há maior parte da população em situação de fome no campo, mas a não quantitativamente, pois, em grandes proporções a miserabilidade acontece principalmente nas grandes periferias dos grandes municípios no interior de todo país, principalmente no Norte e Nordeste, mas nas grandes cidades como São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro também se encontram as mazelas da fome, segundos dados da mesma pesquisa.

De acordo com o IBGE em 2020, o país alcançou a safra recorde de grãos, exportando não apenas milho, soja e café, mas também produtos como arroz e feijão entre outros, ainda prevê uma safra ainda maior para este ano de 2021. O agronegócio encara o alimento como mercadoria, não apenas como uma comodity, não tem olhar social, as grandes empresas e o governo abocanham todo alimento produzido no país deixando cerca de 40% dos brasileiros com fome. Ele não vislumbra em nenhum momento a perspectiva de alimentar uma população em sua maioria empobrecida. O agronegócio trabalha em cima do lucro. Tá aí o seu apego ao colocar toda nossa produção no mercado externo. Por isso mesmo, não dá para ter expectativa de que esse modelo vá garantir comida na mesa do brasileiro, nunca.

Ao contrário do que anuncia, o agronegócio não alimenta o país, tampouco deixa o país mais rico, porque todo o valor que produz está muito concentrado na mão de poucos que já são ricos. O agronegócio não é um modelo produtivo que distribui riquezas, mas sim acentua cada vez mais a pobreza no país, pois concentra riqueza. Por outro lado, a agricultura familiar nos deixa indagados, a qual tem o papel de produz a comida que vai para o nosso prato, essa não se mostra viável e fundamental na contribuição do abastecimento local, pois ainda tem uma visão de agronegócio ou de alimentar as empresas atravessadoras desse setor, escravizando-se por este.  O exemplo vívido disso estar aqui nas cidades ao nosso redor, na região de Irecê no norte da Bahia, o qual produz uma grande quantidade de alimentos pelo processo de irrigação, sendo todo este destinado ao Centro de Abastecimentos de Salvador – CEASA-BA, também a exportação através das grandes empresas que compram toda agricultura, do Vale do São Francisco que se configura como um polo produtor do nordeste.

Os processos de produção local de alimentos ainda é cada vez mais capilarizado, minimizando as condições para resolver a crise, os municípios não incentivam o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA que poderia amenizar a fome na camada mais pobre da sociedade. As afirmações ora apresentadas também são frutos de uma pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em municípios brasileiros, em 2020, essa ainda revelou que cidades que tinham relações mais próximas entre campo e cidade tem maior possibilidades conseguirem responder mais rapidamente ao problema de desabastecimento e da alta de preços gerados pela pandemia, consequentemente amenizaram fome dos seus munícipes.

Pedro Honorato

Profissional de saúde

1 comentário em “‘EMBORA TENHA A MAIOR SAFRA DE GRÃOS, O BRASIL PASSA FOME’”

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: