EDUCAÇÃO, UMA CRISE DENTRO DA CRISE

O cenário da educação brasileira na pandemia é de “uma crise dentro da crise”, as desigualdades estruturais emergiram à superfície nesse momento de pandemia. As políticas adotadas para a educação, como a implantação de educação remota mediada por tecnologias, foram pensadas de forma alheia a essa desigualdade, sem trazer caminhos de solução dos problemas estruturais, elas não deram certo. Em um momento em que se exige a manutenção dos estudos em casa, estudantes brasileiros convivem com problemas de saneamento, dificuldades de acesso a água e alimentos, ausência de um ambiente de qualidade para estudos e falta de apoio dos pais e responsáveis, que por vezes também não tiveram garantido o direito à educação ou precisam trabalhar em cargas horárias exaustivas.

Os países que melhor responderam aos desafios da pandemia foram aqueles que destinaram financiamento adequado e implementaram políticas com gestão democrática e cooperação. O Brasil não só é um mau exemplo no primeiro ponto, por conta das políticas de austeridade ainda vigentes e da falta de investimentos adequados, como também do segundo ponto, já que as decisões foram tomadas de forma verticalizada e descoladas da realidade do país, voltamos aos patamares da década de 80, onde a realidade escolar era totalmente diferente e muito pobre, comparáveis com países africanos, por exemplo.

Durante a pandemia, o Brasil não tem investido na formação de professores e em insumos adequados para a qualidade na educação, seja para implementar as atividades remotas ou para a reabertura segura com condições sanitárias. Professores e estudantes, sujeitos nucleares do direito à educação, não foram ouvidos por boa parte das redes de ensino antes de serem implementadas as políticas emergenciais e não estão sendo ainda. O governo está permeado de burocratas que não conhece a pobreza, nem se quer querem enxergá-la, o resultado disso é um aprofundamento das discriminações e da exclusão escolar.

No momento da pandemia, é preciso ainda garantir proteção social a estudantes, suas famílias e profissionais da educação, para evitar situações que comprometam a segurança alimentar, a saúde e outros direitos, como casos de exploração sexual e violência doméstica. A escola é um dos aparelhos públicos com maior capilaridade do país e por ela também precisam passar estratégias de proteção, com aprofundamento de vínculos entre comunidade escolar e famílias, de forma a prevenir, monitorar e dar encaminhamento adequado para casos de vulnerabilidade e violações. A política emergencial de educação deve levar em conta o cenário de seguridade social em que a população está inserida e atuar como um canal de diálogo, apoio e proteção e não ser mais um fator de pressão e estresse emocional e psicológico.

A realidade, porém, aponta para um cenário de discriminações e de aprofundamento das desigualdades sociais, educacionais e regionais, como resultado das políticas emergenciais adotadas na educação. Esse contexto inclui a tentativa de grupos privados de implantar uma política de educação a distância automatizada, gerando mais exclusão, além da precarização do trabalho dos profissionais do setor. É um cenário grave de redução do direito à educação e é preciso ter em mente que a causa não é só a pandemia, mas também o interesse privatista de grupos que defendem uma educação pobre para os pobres e que, ainda por cima, dê lucro para eles, pois se retalha tudo nos governos municipais loteando o transporte escolar fechando escolas para contemplar seus correligionários políticos e acertos de campanhas eleitorais.

Conheço muito essa realidade aqui no meu município, Morro do Chapéu na Bahia no assentamento X, Y, e Z, essas famílias não têm acesso ao sinal de telefone, água potável, e nem água para a higiene pessoal e muito menos de internet e gás de cozinha. Não há condições de uma criança nestas condições poder estudar de forma remota. O acesso à escola deve ser universal deve alcançar a todos. Falta de investimento aumenta a exclusão, sem a sabermos quando esse será resolvida.

Pedro Honorato

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