Dia 25 de Julho: Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha

25 de julho é o 206.º dia do ano no calendário gregoriano (207.º em anos bissextos). Faltam 159 para acabar o ano.

Apesar de corresponder a 53% dos brasileiros, a população negra ainda luta para eliminar desigualdades e discriminações. São cerca de 97 milhões de pessoas e, mesmo sendo a maioria, está sub-representada no Legislativo, Executivo, Judiciário, na mídia e em outras esferas. Em se tratando do gênero, o abismo é ainda maior. Apesar da baixa representatividade de Mulheres Negras na política e em cargos de Poder e de decisão, cada ascensão deve ser comemorada como reconhecimento.

Para a presidenta da Fundação Cultural Palmares (FCP-MinC), Cida Abreu, o Brasil ainda se revela racista. As demandas do movimento social negro passaram a fazer parte da agenda política, a partir do governo ex-presidente Lula. O Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010), serviu de base para a elaboração do PPA. Tem sido a referência para as cotas nos concursos públicos e nas universidades, como um dos caminhos, a se percorrer para reduzir e reparar essas desigualdades, reforçou.

Feminismo Negro – A partir de 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, com a realização do 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, criação da Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas e a definição do 25 de julho como Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha.

A data – A Lei nº 12.987/2014, foi sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza de Benguela foi uma líder quilombola, viveu durante o século 18. Com a morte do companheiro, Tereza se tornou a rainha do quilombo, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças de Luiz Pinto de Souza Coutinho e a população (79 negros e 30 índios), morta ou aprisionada.

Homenageadas – Assim como Tereza, outras mulheres foram e são importantes para a nossa história. Com trabalhos impecáveis e perseverança, elas deixaram um legado, que cabe a nós reverenciarmos e visibilizarmos a emancipação das mulheres negras, como forma de homenagear; Antonieta de Barros, Aqualtune, Theodosina Rosário Ribeiro, Benedita da Silva, Jurema Batista, Leci Brandão, Chiquinha Gonzaga, Ruth de Souza, Elisa Lucinda, Conceição Evaristo, Maria Filipa, Maria Conceição Nazaré (Mãe Menininha de Gantois), Luiza Mahin, Lélia Gonzalez, Dandara, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Mãe Stella de Oxóssi, entre tantas outras.

Tereza de Benguela e Piolho

O ano era 1740 quando o Quilombo do Quariterê surgia, mais conhecido como  Quilombo do Piolho, sendo ele o maior no Mato Grosso. Pesquisas apontam que a liderança dele era feita por Tereza de Benguela, , desde o seu surgimento, ao lado do marido, José Piolho. 

A força e estratégia de Benguela não foi esquecida, nem silenciada, apesar dos poucos registros de sua luta. Ela navegava imponente pelos rios do Pantanal, e todos a chamavam de “Rainha Tereza”. A jovem representante comandou a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo, que abrigava mais de cem pessoas, entre elas negros e indígenas.

A importância de lembrar de seus passos foi sentida e repercutida séculos depois, especificamente na década de 1990, quando o dia 25 de julho se tornou um marco internacional de luta e resistência de mulheres negras, latino-americanas e caribenhas. Elas se reuniram para discutir juntas suas vivências e identidades e, assim, partir para a ação.

“Os encontros geraram, em 1999, a importância de criar marcos e de estruturar luta pelo presente. Se estamos em 2020, esse processo de marco de identidade, de história e luta só existe porque estamos bebendo em uma fonte de muita luta na década de oitenta”, conta Aline.

Foi a partir dessas lutas, do Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, há 27 anos, e principalmente do reconhecimento e lembrança da atuação das mulheres do passado,  que nasceu o dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, em homenagem à luta de Tereza de Benguela contra o sistema que escravizava negros e negras na época.

Não é uma data comemorativa, mas sim de lembrança

Quando comemoramos um aniversário, por exemplo, é um momento de recordar a data em que alguém nasceu, considerando que esse  dia foi fundamental para a pessoa. É assim que funciona também o  dia 25 de julho – não uma comemoração, como as datas festivas, mas sim um momento de recordar o passado e, a partir dele, pensar no futuro.

“A memória tem a função de preservar uma história, de projetar o futuro e dá a possibilidade de conexão entre o indivíduo e o lugar – tanto micro enquanto cidade, sociedade, bairro,  quanto um lugar macro, como países, e continentes”, argumenta Aline.  “O dia da mulher negra latino caribenha é uma forma de integrar tanto esse lugar micro por falar sobre a importância das mulheres das mulheres negras em um contexto micro da vida cotidiana, como falar no contexto macro que é pensar a diáspora negra na América Latina”, aponta.

Falar sobre o dia da mulher negra, então, significa lembrar de quem foi Tereza de Benguela e pensar que as mulheres de hoje são frutos de sua ancestralidade. “Para mim é tão impactante pensar que somos herança. E ser herança é entender que só podemos e conseguimos fazer e falar com mulheres negras por conta de lutas de tantas mulheres negras do passado”, explica Aline.

Na Cidade de Senhor do Bonfim centro norte baiano , foi  produzido um relevante trabalho artístico premiado nacionalmente pela Fundação Palmares que de forma impactante mostra a força da mulher negra ” Sussurro das Lavadeiras”  Vídeo clip Com música composta pelos emergentes artistas Wagner Rosa, Dagui Guizzo e Antônio Lucas que vem chamando a atenção pela sua originalidade e qualidade artística. Confira:

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