Deputada Neusa Cadore se solidariza com jovem Mariana Ferrer Caixa de entrada

A deputada estadual Neusa Cadore (PT) apresentou, nesta quinta-feira(5), Moção de Solidariedade a Mariana Ferrer, pelo estupro sofrido e pelo tratamento misógino ao qual a jovem foi submetida durante audiência do caso que culminou na absolvição do réu, o empresário André de Camargo Aranha, em Florianópolis (SC). De acordo com informações da imprensa, a blogueira Mariana Ferrer teria sido drogada e estuprada pelo empresário, em dezembro de 2018, numa boate no mesmo município.
Segundo a deputada, as imagens que vieram a público, durante o julgamento do caso ocorrido em setembro, mostram Mariana exposta a um conjunto de humilhações e comentários machistas proferidos pelo advogado de defesa, Cláudio Gastão da Rosa Filho, diante da conivência do magistrado que conduzia a audiência. “Além da situação vexatória, soma-se ao fato a absolvição do acusado, um homem rico, branco e influente, e a culpabilização da vítima, mesmo com provas contundentes da prática criminosa”, disse Neusa, que preside a Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembleia Legislativa da Bahia.
Neusa ressaltou que a população vive num sistema patriarcal e machista, responsável por perpetuar uma série de desigualdades de gênero.Ela lembrou a ascensão da extrema direita no país e afirmou que o ódio contra as mulheres é ainda mais ameaçador. “O Brasil é um dos maiores campeões mundiais de violência contra a mulher, uma situação alarmante que causa indignação e revolta. São 12 assassinatos de mulheres por dia no país e uma marca preocupante de 135 estupros diários, um a cada oito minutos”, comentou a deputada.
Ainda de acordo com a parlamentar, é preciso desconstruir a cultura do estupro. “Não podemos deixar de manifestar nossa solidariedade a essa jovem duplamente violentada, tanto pelo seu algoz, como pelo poder do Estado que deveria zelar pela sua honra e dignidade. Nos causa repulsa e constrangimento a sentença e a conduta do representante do judiciário, que pode abrir um precedente perigoso para naturalizar a violência e diversos crimes contra mulheres. Esperamos que as medidas cabíveis sejam tomadas para que atos como esses não voltem a se repetir”, afirmou Neusa.
Dados da 14ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam o crescimento dos crimes de homicídios dolosos de mulheres e os feminicídios em comparação a 2019. Entre os homicídios registrou-se um aumento de 1.834 para 1.861, um acréscimo de 1,5%. Já os números de feminicídios passaram de 636 para 648, um aumento de 1,9%.

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