Ciclos econômicos de Morro do Chapéu

O município de Morro do Chapéu ao longo da sua história, teve algumas fases econômicas promissoras e com perspectiva de desenvolver-se. Contudo, esses ciclos não foram tão profícuos como esperavam os filhos da terra. E dentre outros, destacam-se os seguintes ciclos:

O Ciclo dos Diamantes. Nos primórdios do Século XX, o município de Morro do Chapéu era um grande extrator e exportador de diamantes e carbonatos e, talvez tenha sido essa fase, a mais profícua de todas porque enquanto ela durou muitas melhorias chegaram para o município, inclusive a elevação da Vila à categoria de cidade. Naquele tempo, a sua principal vila, a do Ventura, em alguns aspectos, disputava pari passo com a sede, já que naquela época, o povoado tinha um forte comércio movimentado pelo lucrativo negócio de extração, compra e venda de pedras preciosas. Com o fim dos diamantes, os garimpeiros, negociantes de pedras e muitas outras pessoas migraram para outras regiões. Com isso, não só aquela famosa Vila, mas, todo o município sofreu consequências e entrou em decadência econômica, ficando a sua economia estagnada por algumas décadas.

O Ciclo do Café. Essa fase, data da primeira metade da década de 70, quando os povoados de Catuaba e Várzea do Cerco, região de grandes áreas propícias à lavoura cafeeira, ainda pertenciam a Morro do Chapéu. Nesse ciclo da criação do Polo Cafeeiro de Morro do Chapéu, surgiram oportunidades de trabalho e muitas vagas de empregos que contemplaram parte dos habitantes daquela região. Ao ser aberta essa nova fronteira agrícola, foram inauguradas as agências do Banco do Brasil (foto) e do Banco do Nordeste, além de serem instaladas na cidade escritórios do IBC, INTERBA e EMATERBA, que também empregaram muitos jovens do município. Contudo, essa fase foi efêmera e poucos anos depois esse ciclo entrou em decadência, frustando as expectativas dos filhos da terra.

E, mais recentemente, dois ciclos ainda estão em evidência no município, a saber:

Ciclo da cultura de frutas e verduras. Essa fase ainda perdura no município, sendo que a cultura que mais obteve êxito foi a de morango, cuja produção chegou a ser vendida para outros Estados, além de abastecer alguns supermercados da Bahia. Mas, infelizmente, alguns sinais já indicam que ela já está em declínio. Por outro lado, a cultura de verduras ainda está plenamente ativa e esse tipo cultivo ocupa áreas de quase todo o território do município que plantam tomate, cenoura, cebola e hortaliças. Assim sendo, esse segmento tem sido um grande gerador de trabalho, emprego e renda para muitas famílias morrenses. Também se insere nesse ciclo, a promissora plantação de uvas, com a implantação de videiras e com a proeminente produção de finos vinhos e espumantes com uvas cultivadas e colhidas no município.

Ciclo da energia eólica. Esse é o segmento que mais injetou recursos no município com a instalação de torres eólicas em muitas áreas do seu território, especialmente em partes tidas como improdutivas. Fora a renda para o município através de impostos, o conglomerado de empresas, que explora essa atividade no município, contempla grandes, médios e pequenos proprietários de terra que estão sendo remunerados com pagamento pelo uso de suas áreas para o assentamento das torres eólicas. Ademais, esse setor, momentaneamente, é o maior empregador de Morro do Chapéu.

Que a próxima fase econômica seja a Industrial, que é tão esperada pelos morrenses. Que ela venha logo e seja duradoura e profícua, vez que esse é o segmento que recolhe altos valores de impostos, gera muitos empregos, aumenta a renda das famílias, e com ela, Morro do Chapéu poderá desenvolver-se para alcançar o nível econômico há muito tempo esperado pelo seu povo

Salvador, 26 de abril de 2021

Octaviano Gonçalves de Oliveira
Morrense

Fotos: 1) Vila do Ventura; 2) Ag do BB instalada no Ciclo do Café; 3) Baú para transporte de morango; 4) Parque de Torres Eólicas

Octaviano Oliveira

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