Bate Papo de Ceiça, a mãe do Junhão, bota ordem na casa e manda mais um episódio

Nosso incansável e criativo autor, envereda por diversos caminhos em seus escritos, a coadjuvante do JUNHÃO estrelando seus momentos modernos. Confira:

Autor: Joswilton Lima

Joswilton Lima é natural de Ilhéus-Ba, mas é domiciliado há mais de vinte anos em Morro do Chapéu. Tem formação em Ciências Econômicas, mas sempre foi voltado para as artes desde a infância quando começou a pintar as primeiras telas e a fazer os seus primeiros escritos. Como artista plástico participou de salões onde foi premiado com medalhas de ouro e também de inúmeras exposições coletivas nos estados da Bahia, Sergipe e Pernambuco. Possui obras que fazem parte do acervo de colecionadores particulares e entidades tanto no Brasil, quanto em países do exterior, a exemplo dos E.U.A, Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha. Possui o site www.joswiltonlima.com onde tem uma mostra de algumas de suas pinturas em diferentes técnicas e estilos, sendo visualizado por inúmeros países.

Em determinada época lecionou pintura em seu atelier no bairro de Santo Antonio Além do Carmo, em Salvador, e foi membro de comissões julgadoras em concursos de pintura. Nesse período exerceu a função de Diretor na Associação dos Artistas Populares do Centro Histórico do Pelourinho (primitivistas e naif’s), em Salvador.

Como escritor também foi premiado em diversos concursos de contos tendo lançado um e-book com o título “Enigmas da Escuridão”, com abordagem espiritualista, tendo obtido a nota máxima de 5 estrelas de leitores do site www.amazon.com.br Outros contos e romances estão sendo escritos.

Concomitante às atividades artísticas sempre exerceu funções laboriosas em diversos setores produtivos, tendo se aposentado recentemente na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, onde trabalhou por muitos anos na Fiscalização.

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Finalmente, leia o episódio de hoje:

BATE-PAPO DE CEIÇA – nº 02

 

São dez horas da manhã e Junhão ainda ressona na cama. O telefone toca e Ceiça corre para atender temendo que ele acorde zangado por causa da campainha estridente. Após pegar o aparelho, senta-se no sofá, cruza as pernas finas e começa a fofocar. Usa um vestido azul cerúleo, folgado em seu corpo magro. Tem na cabeça um lenço amarelo, desbotado, que encobre os bóbis enormes usados para cachear os cabelos. Muito sorridente, conversa com uma amiga:

– Então… e não é isso Miriam?!… Eu estou “mim” pelando de medo. Os lazarentos ficam trancados nos laboratórios incentivados pelo satanás para inventarem os tais de vírus que estão matando o povo.

– Você está surda?! É exatamente isso que estou falando. Agora preste atenção!!… Eu “tou” lhe dizendo é que os malignos querem matar a população a todo custo. Será que já é o apocalipse da bíblia, amiga?!

– Minha filha…, estou em tempo de endoidar por causa disso. Se o que eu estou pensando for verdade, ainda não estou preparada para o arrebatamento, mesmo que seja para a glória de Deus.

– Já vi que você não está entendendo nada do que estou falando. Que tipo de cristã é você?!…

– Deus disse que no final dos tempos iria aparecer um bando de falsos profetas e que o mundo ia ser governado pelos demônios. É porisso que os “cão dos infernos” disseram que esse vírus infame era só uma “gripezinha”. Veja se isso não é pra acabar com a humanidade?!

– É por causa desse tipo de declaração que eu acho que o mundo está findando.

– Mesmo sendo da vontade de Deus, eu ainda não estou preparada para o projeto Dele. Não quero morrer de maneira nenhuma.

– Pois é, querida. Fico orando para que Deus “mim” leve por último. Se eu faltar, quem vai cuidar do meu Júnior?!… Jamais vou abandonar o meu filhinho só pra ir para o Reino dos Céus.

– Desconjuro!… Como é que você fala uma besteira dessa?!… Se você quiser ir, que vá! Mas eu ainda estou muito nova pra morrer.

– Apesar do Juninho já estar com quarenta e dois anos eu não posso faltar. Deus que “mim” livre e guarde dessa má hora. Tenho que continuar bem viva pra cuidar do coitado. Ele ainda não se casou e eu, Ceiça, duvido muito que uma mulher qualquer que ele venha a se amancebar cuide bem do meu filhinho depois que eu morrer. Sou insubstituível! Por isso vou ficar firme e forte pra continuar “tomando de conta” dele.

– E eu não sei disso?!… Infelizmente esse menino não segue os meus conselhos. Vivo padecendo porque já vi que o indivíduo é um caso perdido. Eu não sei aonde ele vai parar participando dessas esbórnias. Ele é meu filho, mas a verdade tem que ser dita.

– Você não sabe do meu suplício, Miriam… Todas as noites eu fico com o coração na boca porque o sujeito não tem medo de ser contaminado por esse tal de “convide dezenove”. Não sei porque botaram esse número, porque a besta-fera já convidou milhões de finados.

– Claro!… A minha preocupação é porque o Júnior é meu filho único e todas as noites ele vai curtir nuns tais de paredão nos bairros da periferia. Mas, como o coitado é inocente e não teme a morte quem sofre com esse desplante dele sou eu.

– Mas filho é assim mesmo, amiga. Depois que crescem não querem mais obedecer. Eles se acham poderosos e pensam que sabem mais do que a gente. São uns ingratos.

– Mas é isso, menina!… Você agora acertou em cheio. Não adianta dar conselho, porque esse mau elemento daqui de casa vai pra esses locais promíscuos e não usa máscara no meio da multidão de baderneiros. Agora eu lhe pergunto: e se ele for contaminado por essa doença maldita, eu não “tou” arrombada?!…

– É lógico! Eu já sou idosa e o miserável nem liga pra isso, por mais que eu fale.

De repente Ceiça ouve um comentário da amiga e exclama raivosa:

– Oxente?!!!… E eu lhe pedi alguma opinião?!… Vá cuidar da sua vida, porque da minha cuido eu. Não quero que você fale mal do meu filho, ouviu bem, sua ordinária?!…

– Está pensando que eu não sei?! Você é quem tem a vida desmantelada! Eu soube de fonte segura que você também frequenta esses lugares de perversão. É toda errada e agora quer “defamar” o meu filho!

– O quê?!… Está me chamando de mentirosa?! Quem “mim” disse isso falou que já lhe viu indo pro paredão várias vezes.

– Não “mim” venha com conversa-fiada. E porque você não bota ordem na sua casa pra não precisar ficar zanzando pelas ruas mais de meia-noite procurando as suas filhas?!…

– Agora vem querer botar defeito no meu Juninho que é um rapaz bem-comportado. Ele é um menino de ouro e não uma piriguete solta na bandalheira igual às suas filhas! E tem mais: o nome dele é Alcebíades Júnior e não Junhão, ouviu, sua malandra!!!

Após falar isso Ceiça arregala os olhos, franze a testa, fica revoltada e comenta:

– Crém-Deus-pade… Que fulana mal-educada! Bateu o telefone na minha cara só porque eu disse que as filhas dela eram mundanas.

Depois indaga-se como que afirmando:

– E não são?!… Devia ter dito tudo o que acho de verdade sobre elas. Eu bem sei da má fama dessa devassa e das filhas. Mas, felizmente sou a educação em pessoa.

E fala com presunção num tom de deboche:

– Estou pra ver uma família depravada igual à essa da Miriam. E essa libertina ainda quer ter moral! Quem não te conhece é que te compra. Ah, sujeita sonsa!…

Sentindo-se poderosa, conclui afirmando:

– Pra cima de mim não, jacaré!… É cada merda que escuto desse zé-povinho por causa do Júnior!… Mas eu sou Ceiça e licuri é coco! Não venha não, porque sou barril dobrado!!!

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