Antônio Dourado traz texto de Albertina Montenegro: Um Herói Esquecido

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Um herói esquecido

Albertina Montenegro

 

Em 1939 o mundo mergulhou em um dos mais terríveis conflitos de sua história, com a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista, começava a Segunda Guerra Mundial na Europa.

No ano de 1942, uma reunião em Petrópolis, Rio de Janeiro, contando com os Chanceleres de todas  as Américas, fosse do Norte ou do Sul, desencadearia uma reação em comum. Enquanto o conflito acontecia no outro lado do mundo, submarinos alemães começaram a afundar navios brasileiros, cinco deles em apenas uma noite.

Em 31 de agosto de 1942 o Brasil declarou guerra e passou a integrar a União dos Países aliados contra o nazismo. Durante os seis anos de Guerra estima-se a perda de 50 milhões de vidas entre militares e civis. A Segunda Guerra Mundial foi armado que o mundo jamais presenciou.

A Segunda Guerra Mundial teve seu fim anunciado em 02 de setembro de 1945, com a assinatura da ata de rendição incondicional do Japão, a bordo do couraçado Missouri.

Quero parabenizar ao jovem Álvaro Cleverson da Silva Souza  pelo trabalho monográfico apresentado em 2004 ao Curso de Licenciatura Plena em História da UNEB, relatando a participação dos filhos morrenses que deram sua contribuição a Segunda Guerra Mundial, em especial ao Soldado Claudionor de Sena Marques, conhecido como Cláudio, convocado para servir o exército brasileiro na guerra. Após ter a certeza de sua convocação através de edital da Junta de Alistamento Militar, o soldado foi até o prefeito pedir ajuda para se deslocar a capital. Aí o prefeito disse: “Soldado tem que andar a pé ou de jegue”. O descaso do poder público municipal foi total; o Sr. Cláudio só conseguiu chegar até Salvador com ajuda da família. O Soldado não hesitou em colocar sua vida em risco na defesa da Liberdade e da Democracia.

Com o fim da Guerra, Cláudio retona a terra natal, muito esperado por todos, festas, desfiles nas ruas, discursos de autoridades, missas, etc…, homenagens estas que após 63 anos do fim da Guerra, o filho da terra que defendeu o nosso Brasil permanece esquecido na memória do povo morrense.

A história de Morro do Chapéu foi injusta com Cláudio, em nenhum livro local é encontrada uma citação sequer do ex-pracinha, nenhuma praça, rua, etc… “honrou o Brasil, defendeu nosso Brasil com sua própria vida, tirou sua liberdade e não houve recompensa em nada”, o descaso é total a um ser humano que se viu obrigado a pegar em armas para defender uma democracia e uma liberdade que não existia em seu próprio país.

Sobreviver a uma Guerra não é tarefa fácil, sobreviver a uma Guerra Mundial então… Para os cerca de 450 brasileiros que morreram na Europa, entre 1943 e 1945, lutando contra alemães e italianos restam as lágrimas e a certeza: morreram como heróis. Para os outros 25 mil brasileiros que voltaram, restaram a luta contra a falta de apoio, o esquecimento, o descaso e muitas vezes  o preconceito de um país que confundiu  o amor e o respeito a seus veteranos de guerra com o desprezo pela ditadura militar.

Espero que nossas autoridades fiquem sensibilizadas, resgatando os valores da nossa própria história, a herança de lutas, sofrimentos e vitórias e, principalmente, o sentimento de “Brasil”.

*NOTA A morrense que é filha de D. Abelina, é formada em Ciências Sociais e, através da ASFAM, já vem prestando seus serviços em prol dos mais humildes de nossa cidade.

2 comentários em “Antônio Dourado traz texto de Albertina Montenegro: Um Herói Esquecido”

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