Carlos Karoá escreve: O COLÉGIO NESTOR COELHO

O COLÉGIO NESTOR COELHO

 

Em meados de 1963, começaram a circular nos meios acadêmicos de Barra do Mendes, conversas venturosas de que havia possibilidades reais de criação de um colégio de ensino médio na cidade. Não demorou muito para a notícia se espalhar como chuvas abençoadas, numa terra de longo estio. O prefeito da época era Dr. Francisco Vieira Tosta e seu escudeiro mor, era o dedicado secretário, Sr.  Edisio Mendonça.  Os acertos e decisões de gabinete, com o governo do estado, através da secretaria de educação, eu não sei absolutamente nada, mas a luta aguerrida de três heroínas da nossa terrinha vermelha, para tornar este sonho uma realidade local, isto eu sei de cor e salteado, como diz o almanaque.

Seus nomes: Valdeir Seixas Dourado, Maria Matos e Florista Alves.

Assim que o sinal verde da acessibilidade foi aceso, estas três guerreiras, puseram as canelas na estrada. Passaram a arrebanhar postulantes ao exame de admissão ao ginásio, igual a formiguinhas no labor. Visitavam os alunos que haviam concluído a quinta série do ensino fundamental, na sede da cidade e em povoados vizinhos, inquiriam alunos que há tempos tinham abandonado os estudos por falta de opção, mas que mostravam capacidade para a continuidade e faziam aula de convencimento a pais e responsáveis, numa alusão criteriosa de que estudar valeria a pena. Num exemplo virtuoso de dedicação e amor às letras, os seus esforços foram premiados e o Colégio Estadual Nestor Coelho, se tornou merecidamente, um divisor de destinos, da juventude Barramendense dos anos 60. Em 1964, uma turma de 49 alunos, mais um corpo docente dos mais respeitáveis, deram início à vida acadêmica do meu, do nosso inesquecível ginásio. A lembrança dos nomes de quase todos os meus colegas, ainda permanece vivíssima em meu coração.

A trajetória do Colégio Estadual Nestor Coelho, passou por louvores e decantos dos maiores enlevos, porém por dissabores que estão além da minha compreensão, simplesmente desapareceu. Sucumbiu-se no comodismo mórbido da burocracia, foi por demasia afrontado na sua serventia honrosa, pelo puxa-saquismo dos governantes do seu amado berço. Para mim, aluno fundador, um fato de impossível aceitação.

Para Dr. Tosta, nosso professor de ciências biológicas, para o Sr. Juliezer, cujo sobrenome não me lembro, nosso professor de matemática, para as minhas três heroínas, as minhas mãos estendidas de gratidão. Não as esqueço, meu carinho meu apreço, do fundo do meu coração.

 

Carlos Karoá, amante de música e cinema, também tem paixão pelo universo das letras. Em 1970, deixou Morro do Chapéu com destino a Salvador, como fazia todo jovem interiorano daquela época. Hoje aposentado, retorna à nossa cidade em busca de uma vida mais tranquila. Gosta de escrever crônicas e pequenos contos, sejam eles verdadeiros ou não.

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