Carlos Karoá escreve: ‘A RUA DAS ÁRVORES’

Num campinho de várzea de uma cidadezinha interiorana, um grupinho de garotos, pelejam a beleza e a nobreza do gol. São amiguinhos adolescentes, moradores quase da mesma rua, e praticar esportes, fazer aquilo que se gosta, é estar com os pés na soleira da longevidade, prima mais próxima da nossa velha conhecida e absolutista, a eternidade.

Há entre eles, apesar da puerilidade, gostos e visões de mundo diferentes, como reza a Santa lei estabelecida, de que pra cada cabeça, existe uma sentença.

Alguns detestam um cortadinho de maxixe, outros não. Alguns não gostam de cuscuz com ovos; eu os degusto, quase que diariamente; outros gostam de giló, eu os detesto; outros criam passarinhos em gaiolas, talvez por desconhecer o valor da liberdade; eu criminalizo está prática perversa, deveria ser proibido no mundo inteiro; alguns preferem a luz branca do luar e serão notívagos até o criador lhes chamar ao seu redor; eu sou diurno em demasia, adoro o amarelidão da luz solar. Estas linhas, apontam uma verdade inegável e indiscutível da vida humana: A “diversidade de pensamentos”, um quesito que nos livra do preto e branco, que nos empurra para a pluralidade do colorido, que nos ensina que as gavetas sombrias do “ontem” devem ser abertas para a luz do amanhecer de um novo dia. Por esta razão, a rua das árvores pontua duas linhas de pensamentos: Quem cultua tradição, quer ela do jeitinho que está. Quem acha que a sua validade está vencida, quer ela de piso novo.

O buchicho de agora, a rondar a cabecinha de “unszonzotros” é o calçamento centenário da Rua Cel. Dias Coelho, conhecida carinhosamente como “a rua das árvores”.  Lembra um programa do grande Silvio Santos cujo “mote” de ajustes era a pequetita frase “Para ou continua”.

A nossa velha conhecida, a rua das árvores, carece penosa e lamentavelmente de quase tudo que deve habitar, num logradouro público. O transitar não é seguro, a irregularidade do piso, requer redobrada atenção no ir e vir, principalmente das pessoas de idade mais avançada. Um tropeço na hora errada, pode causar acidentes graves, se neste instante houver trânsito acentuado.  Se fealdade não tem, beleza também, não tem pra oferecer.

“Para ou continua”

Se continua como está:

1- Não oferece segurança a transeuntes

2- Causa danos aos automóveis

3- É um entrave pros comerciantes

Sei do respeito e da devoção que devemos cultuar pelos costumes e tradições e a nossa cidade tem um viés turístico a ser observado pelos seus gestores, não é uma decisão das mais fáceis a ser resolvida.

É preciso de forma racional, alinhar tradição e modernidade. Quando entre estes dois vetores, há contrassenso, alguém certamente será desrespeitado e quando o bom senso vai embora, o rastro deixado é de degradação. Vejamos um exemplo: As touradas de Madrid, tradição milenar espanhola, geradora em dividendos de milhões de “pesetas”, enfrenta nos dias de hoje, forte resistência mundo afora, por quem tem amor a vida. É uma brutalidade pública que felizmente aos poucos, está indo embora. Não há sentido algum, em sacrificar publicamente um animal de tamanha envergadura, em nome de velhos costumes ou tradição, ou seja, lá o nome que se queira dar. Existe neste nosso maravilhoso mundo, pouca coisa que mereça o carimbo de “para sempre”, tudo tem seu tempo de validade, é preciso observar critérios existenciais, porque somos nós, o bicho homem, que apontamos o Norte para uma vida de razão e confortabilidade. Remar contra o” Novo” não me parece uma ideia das mais acertadas. Cultuar “Costumes” e “Tradições”

Têm critérios merecedores de análises. Se a razão estiver sendo descontinuada, o devido culto para mim, não faz mais sentido.

Uma consultoria pública, poderia apontar o que fazer com a nossa velha rua de tantas histórias. Caso a decisão seja de mudanças, espera-se uma avenida moderna, com os adereços atuais de uma via renovada.

Piso asfáltico

Árvores preservadas e com um novo canteiro central.

Pistas laterais para ciclistas e pedestres

Calçadas padronizadas

Iluminação com posteamento futurista, para segurança em trânsito noturno.

Certamente teríamos maior fluxo automotivo, mais apoio aos lojistas, e com certeza, mais beleza urbana. A minha preferência, respeitando os apoiadores da continuidade, é de uma nova avenida Cel. Dias Coelho, afinal, quando os nossos interesses estão em jogo, mesmo em tempo de cultura às tradições, não assentamos em nossas casas, ladrilhos de barro cozido, como faziam nossos pais. Preferimos mesmo com os preços aviltados, porcelanatos luzidios e decorativos, que trazem asseio, lindeza e praticidade para o lugar onde dormimos, pois quando o assunto é bom senso, conforto e comodidade, não é bom negócio, olhar pra trás.

Carlos Karoá, amante de música e cinema, também tem paixão pelo universo das letras. Em 1970, deixou Morro do Chapéu com destino a Salvador, como fazia todo jovem interiorano daquela época. Hoje aposentado, retorna à nossa cidade em busca de uma vida mais tranquila. Gosta de escrever crônicas e pequenos contos, sejam eles verdadeiros ou não.

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