Boa vista do Tupim vai realizar o 16° Festival do Jegue no final de março

Um festival inusitado, atraente, e, especialmente nordestino, vai acontecer no município de Boa Vista do Tupim, entre os dias 25 e 26 deste mês, quando a cidade inteira se prepara para receber as delegações e jegues afamados da Bahia e de vários estados do Nordeste. Organizado por Josenilton Silva, o popular Zé de Vanda, o festival vem contando com apoio da Prefeitura Municipal e de muitos apoiadores do comércio local, tendo uma comissão organizadora composta por vários voluntários ajudando a organizar o evento. Este ano, as belas jovens Lorane e Lauanny, vão desfilar como Rainha e Princesa do festival.
Conforme Zé de Vanda, defensor dos jegues e jumentos, “o jegue é um símbolo da resistência da caatinga, um animal dócil e muito trabalhador que merece nosso carinho e respeito, por isso estamos realizando a cada ano esse festival em sua homenagem”, disse Zé de Vanda entusiasmado como o esperado sucesso do festival. Ajudando na organização estão, Danilo Silva, Renan Aragão e Jorciel de Negão.

O jegue é um animal resistente e útil.
O jegue é um animal resistente e útil.

A programação do festival prevê para o sábado, 25, um grande forró na praça, animado pelo cantor Alex Ouro, o grupo Meninos da Vaquejada e a Banda Fogo de Munturo. No domingo, 26, tem o café da manhã para toda tropa, muitas piegadas e diversões, seguido da cervejada, o desfile dos mais belos jegues e a famosa corrida de jegue, finalizando com a distribuição de prêmios até R$2.0 mil reais.
O jegue
Nada é mais tradicional no Sertão nordestino do que o jumento. Este animal que popularmente é chamado de jegue, já foi a principal montaria para o transporte de pessoas e cargas no interior das caatingas. O jumento sempre chegava aos locais mais inóspitos sem qualquer problema. No transporte de mantimentos, água, pessoas, etc. Toda família no interior do Sertão tinha seu jumentinho para realizar suas atividades diárias, principalmente, a busca de água para beber. Essas qualidades do jumento foram devidamente reconhecidas pelo Padre Antônio Vieira em seus sermões lá no interior do Ceará na capela de Várzea Alegre. Foi ele que em 1964 exaltou o jumento no livro “O jumento, nosso irmão”. Com essa campanha veio a música de Patativa do Assaré e Luiz Gonzaga  intitulada “É verdade, meu senhor / Essa estória do sertão / Padre Vieira falou / Que o jumento é nosso irmão”. Força, paciência e mansidão são palavras que definem a sua figura persistente, que durante anos serviu e ainda serve ao povo simples do sertão. (blog Fatos e fotos da caatinga)

Os pequenos proprietários tem sempre um jumento para os serviços de apoio.
Os pequenos proprietários tem sempre um jumento para os serviços de apoio.

O jumento foi “o maior desenvolvimentista do sertão”, como diria Luís Gonzaga. Todavia, como tudo passa, os tempos de glória do jumento passou, hoje com as facilidades de transportes, motos, caminhões chegando em todos os rincões do Sertão, os jumentos estão abandonados nas caatingas e as margens das rodovias, merecendo maiores cuidados.
 
Fonte: O Paraguaçu

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.