Baiano Ailton Aquino tem nome aprovado após sabatina e pode se tornar a primeira pessoa negra na diretoria do BC

Por Edu Mota, de Brasília

O baiano Ailton Aquino dos Santos, de 48 anos, está próximo de se tornar a primeira pessoa negra a fazer parte da diretoria do Banco Central. Natural de Jequié, no sudoeste baiano, Ailton Aquino foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Diretoria de Fiscalização do BC, e após ser sabatinado, teve seu nome aprovado pelos senadores da Comissão de Assuntos Econômicos, nesta terça-feira (4), com 24 votos sim e apenas um voto contrário. 

Depois da CAE, a indicação será analisada e votada no Plenário do Senado, ainda nesta terça. Se conseguir mais de 41 votos, Ailton Aquino substituirá o diretor anterior, Paulo Sérgio Neves de Souza, indicado ainda na gestão o então presidente Jair Bolsonaro.

Ailton Aquino dos Santos, que trabalha no Banco Central há 25 anos, onde é auditor-chefe, se formou em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal (UDF). Aquino possui também pós-graduação em ciências contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (1997), além de mais três especializações: contabilidade internacional, engenharia econômica de negócios e direito público.

Durante a sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos, o indicado para a diretoria do BC disse estar otimista em relação ao futuro da economia brasileira, e enxerga o início de um ciclo virtuoso. O auditor chefe da instituição citou as atuais projeções dos principais indicadores econômicos divulgadas pelo Boletim Focus, e afirmou que as estimativas são de maior crescimento do PIB e queda da inflação neste ano, o que, para ele, demonstra o grau de confiança dos agentes econômicos e da população na gestão econômica do atual governo.

Ao falar de sua trajetória profissional, Ailton Aquino lembrou os obstáculos que enfrentou por vir de uma família pobre do interior da Bahia. Aquino também agradeceu pela indicação feita pelo presidente Lula, e salientou qual será o seu papel à frente da Diretoria de Fiscalização do Banco Central.

“Agradeço com especial apreço a confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Emociono-me especialmente por me lembrar de que, para chegar à condição de indicado a um cargo tão relevante, foram muitos obstáculos e desafios que um garoto negro, de família pobre, do interior da Bahia, teve que superar. Nesse contexto, considero muito importante agradecer aos meus familiares e professores”, disse. “Como Diretor empossado, poderei seguir contribuindo para o atingimento dos nobres objetivos do Banco Central, os quais contemplam, dentre outros: estabilidade de preço, estabilidade do sistema financeiro, suavização das flutuações do nível da atividade econômica e fomento ao pleno emprego”, completou o indicado.

Sobre o seu papel à frente da diretoria, Ailton Aquino disse se tratar de um trabalho desafiador, mas salientou que precisa ser feito, pois, afinal, as crises financeiras custam “bilhões aos países”. Ele falou ainda da importância das ações da área para a macroeconomia, a estabilidade do sistema e também questões microeconômicas. 

“É um trabalho desafiador supervisionar todo o universo de instituições bancárias e não bancárias em um país tão vasto e complexo como o nosso, mas é um trabalho fundamental. Crises financeiras custam bilhões aos PIBs dos países. Lembro-me da grande crise financeira internacional de 2008-2009. Além do custo econômico e financeiro, crises sistêmicas empobrecem e desorganizam a sociedade e abrem espaço inclusive para rupturas de natureza política e social. Fica claro que as autoridades reguladoras e supervisoras dos sistemas financeiros precisam se manter atualizadas, vigilantes e com plena capacidade de supervisionar o sistema financeiro”, afirmou.

http://bahianoticias.com.br

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