De quilombolas a catadoras!

A ONU Mulheres e o Ministério das Mulheres divulgam o resultado da Chamada 001/2026 (Mulheres e Clima), que vai apoiar 27 organizações da sociedade civil lideradas por mulheres em iniciativas de justiça climática. O investimento total do Ministério das Mulheres é de R$ 3.907.877,55 e as propostas contempladas preveem beneficiar diretamente 1.783 mulheres em 14 estados e no Distrito Federal, nas cinco regiões do país. Uma equipe de 13 profissionais da ONU Mulheres conduziu a avaliação em três fases: triagem de elegibilidade, análise de viabilidade técnica e financeira e avaliação qualitativa.
| Nome da organização | Estado-sede da organização (CNPJ) |
|---|---|
| Associação das Mulheres em Ação de Jequiá da Praia – AL/Brasil | AL |
| Associação Mulheres Quilombolas Dandara dos Palmares | BA |
| Comunidade Quilombola Nossa Senhora Aparecida | GO |
| Associação dos Trabalhadores Rurais Quilombolas do Marajá Vitória do Mearim-MA | MA |
| Associação religiosa, cultural e beneficente Akofá – Casa das Folhas | MA |
| Associação Areme das Mulheres Indígenas Meruri | MT |
| Cooperativa de Trabalho Santo Antônio Gestão Ambiental | RS |
| Associação Mãe dos Extrativistas da Resex de Canavieiras | BA |
| Observatório do Marajó | PA |
| Associação Comunitária Quilombola de Pitombeira | PB |
| Associação dos Moradores, Pescadores e dos Pequenos Agricultores Rurais do Quilombo de Tamandaré | PE |
| Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Imperatriz | MA |
| Associação Comunitária Wewetyj da Aldeia Recanto dos Cocais | MA |
| Associação Indígena do Grupo Wpyra Swpyrá | AL |
| Associação Comunitária, Cultural e de Apoio Social – Fórum Nacional de Pessoas Travestis e Transexuais Negras e Negros FONATRANS | PI |
| Tenda de Umbanda Filhos Oxalá e Yemanjá – T.U.F.O.Y | PR |
| Instituto Social Afro-Religioso dos Filhos e Amigos do Príncipe Formoso – INSPRINFOR | PA |
| Associação Quilombola dos Produtores Rurais do Povoado Santa Helena do Município de Itapecuru-Mirim-MA | MA |
| Associação Hahi de Mulheres Krahô | TO |
| REDESUL Sudoeste MG – Central das Cooperativas de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis Ltda | MG |
| Instituto Peabiru | PA |
| Cooperativa de Produção e Comercialização Agroecológica Carajás – COOPERCARAJÁS | DF |
| Coletivo Herdeiras do Quariterê | MT |
| Cooperativa de turismo e artesanato da floresta- TURIARTE | PA |
| Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Região Semiárida | BA |
| Associação Barraca da Amizade | CE |
| Associação Nacional das Mulheres Ciganas | BA |

Contato individualizado
A equipe da ONU Mulheres procurou individualmente cada organização selecionada para comunicar o resultado e explicar os próximos passos para receber e gerir os recursos. As organizações com propostas não selecionadas também receberam feedback individualizado por e-mail.
Propostas de todo o país
As 657 propostas inscritas vieram de todos os estados e do Distrito Federal, além de 25 propostas de alcance nacional. Considerando os estados indicados nas propostas (uma mesma proposta pode abranger mais de um estado), o Nordeste concentrou 36,1% das indicações, seguido pelo Norte (27,4%), Sudeste (18,7%), Centro-Oeste (9,1%) e Sul (8,6%). Pará (153), Sergipe (83) e Bahia (66) foram os estados com mais propostas apresentadas.
Entre as contempladas, o Nordeste fica com 55% dos recursos, seguido por Norte (19%), Centro-Oeste (15%), Sul (7%) e Sudeste (4%). Maranhão lidera em número de projetos (5), seguido por Bahia e Pará (4 cada), Alagoas e Mato Grosso (2 cada). Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Sul e Tocantins têm um projeto cada. Dezessete projetos serão executados em territórios rurais (R$ 2.114.242,00) e dez em áreas urbanas (R$ 1.793.635,55).
Diversidade de mulheres no centro da seleção
A chamada previu 10 pontos de bonificação para organizações de grupos prioritários: povos e comunidades tradicionais, mulheres negras, indígenas, catadoras de materiais recicláveis, pessoas LBTI, pessoas migrantes, apátridas e refugiadas e pessoas com deficiência. Das 27 organizações contempladas, 19 (70%) receberam essa bonificação.
Entre as 27 propostas contempladas, foram escolhidos 6 projetos de organizações de mulheres quilombolas, 4 de mulheres indígenas, 3 de mulheres de comunidade de terreiro, 3 de mulheres catadoras, 3 de mulheres ribeirinhas e 2 de mulheres rurais, além de uma proposta em cada um dos seguintes grupos: mulheres extrativistas, mulheres em periferias urbanas, mulheres negras, mulheres pescadoras, mulheres trans e travestis negras e mulheres ciganas.
Entre as 657 propostas inscritas, os grupos mais presentes foram mulheres em situação de vulnerabilidade (131 propostas), mulheres rurais (113), indígenas (63), negras (62), quilombolas (61), catadoras (42), de periferias urbanas (41) e mulheres das águas (32), além de propostas de migrantes e refugiadas, mulheres com deficiência, jovens e mulheres LBTQIA+.
Todas as 27 organizações contempladas têm pelo menos 30% de mulheres em seus órgãos de direção, e 12 delas (44%) têm as mulheres como público prioritário de sua atuação previsto em estatuto. Em todas, são mulheres que fazem a gestão dos recursos do projeto.
O que os projetos vão fazer
As iniciativas se distribuem entre os dois eixos da chamada: 7 projetos no Eixo 1 (autonomia econômica das mulheres no contexto da justiça climática), 7 no Eixo 2 (participação política, organização social e formação) e 13 nos dois eixos simultaneamente.
Os projetos incluem quintais produtivos e agroecologia, gestão comunitária da água, gestão de resíduos sólidos e trabalho de catadoras, segurança alimentar, turismo de base comunitária e educação ambiental, prevenção e combate a incêndios, reflorestamento, planos municipais de adaptação climática, enfrentamento a desastres e incidência em políticas públicas climáticas.
As mudanças climáticas afetam de forma desproporcional mulheres e meninas, especialmente aquelas que vivem em contextos de pobreza, desigualdade e exclusão social. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2024, até 2050 a crise climática poderá empurrar mais 158 milhões de mulheres e meninas para a pobreza e ampliar a insegurança alimentar para outras 236 milhões. Embora desempenhem papel central na segurança alimentar, na proteção dos recursos naturais e na resiliência dos territórios, as mulheres ainda enfrentam barreiras significativas de acesso à terra, financiamento, participação política e tomada de decisão. Esse cenário tem levado a comunidade internacional a reconhecer a igualdade de gênero como elemento indispensável para uma ação climática efetiva.
Contexto da chamada
No Brasil, esse compromisso vem sendo fortalecido por instrumentos como a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), a Estratégia Transversal Mulheres e Clima do Plano Clima 2024-2035 e o GAP de Belém (Plano de Ação de Gênero), aprovado sob a presidência brasileira da COP30, que representa um marco ao ampliar a incorporação da perspectiva de gênero e diversidade, incluindo pela primeira vez mulheres afrodescendentes em um plano global de ação climática.
Nesse contexto, promover a liderança, a autonomia econômica e a participação das mulheres é fundamental para a construção de soluções climáticas mais justas, inclusivas e sustentáveis, onde as mulheres e meninas façam parte das soluções.
Mais informações
Edital, anexos e regras da chamada:
Fonte: brasil.unwomen.org