ACORDA POVO!

Homens parecendo deuses
Os homens que saem das urnas
Parecem falsos deuses
Todos eles! Ou quase todos!
Quase todos machos
Quase todos ricos
Quase todos brancos!
Parecem que odeiam fêmeas.
Homens de poderes efêmeros
Efêmeros como a casca de um limão
Llimão azedo. Sem excessao.
Deixe-me em paz na terra, na serra
Este foi, ou é o meu lugar de oração.
A luar não se cobre com o polegar
A lua mingua, depois cresce
Levantando marés bravias.
O povo unido é como lua que cresce
Levantando, todavia, marés bravias,
Vulcão aceso a nada poupa,
Nem o limão nem a casca,
Levanta povo, enquanto há tempo,
Neste lugar o sol ainda brilha
E em outro lado, só trevas e dor.
Levanta povo, antes das trombetas,
Tem homens sem escrúpulo
Cuspindo no papel da paz
Na terra dos canibais, de pindorama
Dos coqueirais, invadidas pelas tranqueiras
As bandeiras, as entradas e os marechais.
Acorda povo, que vem mais
O tempo ensina não dormir de toca
Com a luz da lua cheia no rosto
Pode despertar com a maré cheia no pé.
Acorda povo, acorda!

 

Cacique Payayá

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