A saúde pública enfrentou muitos desafios urgentes em 2024. Com uma epidemia de dengue contribuídas palas enchentes do Rio Grande do Sul, a população precisou contar com o sistema de saúde e ações das autoridades para conseguir reduzir os riscos envolvidos. A crise envolvendo os transplantes de órgãos também chamou a atenção da sociedade. Por outro lado, a melhora dos índices vacinais trouxe esperança a população brasileira.
A imunização foi uma das principais políticas da atual gestão do Ministério da saúde. A cobertura vacinal do calendário infantil, dentro do Programa Nacional de Imunizações (PNI), mostra uma tendência de crescimento, e o país deixou pra trás uma lista dos 20 países com menos crianças vacinadas. Entre os maiores aumentos, a BCG em recém-nascidos saltou de 83,67% em 2023 para 92,25% em 2024. No entanto, o desabastecimento de alguns imunizantes colocou pressão sobre o Ministério da saúde.
Casos de gripe aviária em humanos causou preocupação em autoridades. Trabalhadores da indústria de laticínios estão entre os mais afetados, por estarem diariamente em contato com bovinos infectados. Ainda não há registro de casos de transmissão entre humanos, mas há risco de mutação e potencial para se tornar a próxima pandemia, trazendo uma alerta ao mundo todo.
O Brasil viveu a pior epidemia de dengue da sua história, influenciada pelas mudanças climáticas. Mais de 6,6 milhões de casos prováveis foram registrados em 2024, com 5.922 óbitos. O impacto da arbovirose no país levou o governo a ser cobrado por ações de prevenção e controle. Apesar de ter adquirido muitas doses de vacinas contra a dengue, a quantidade limitada não foi suficiente para contribuir com a redução de casos. Existe tensão sobre como o ciclo da doença irá se comportar em 2025, bem como, qual será a resposta do Ministério da saúde.
Outro aspecto em destaque foram os transplantes de órgãos, embora este fora ofuscado pelo fato de seis pessoas, até o momento, terem sido constatadas com HIV após receberem órgãos de pessoas contaminadas no Rio de Janeiro. O caso ocorreu no Rio de Janeiro e acendeu um alerta para falhas no processo de exames que verificam a infecção, essencial para o processo de transplantes. O laboratório de referência estar sendo investigado por suspeitas de falsificação em documentos. A empresa já respondeu a processos judiciais anteriores pelo mesmo motivo. O Ministério Público investiga se houve irregularidades no processo de licitação.
Apesar dos percalços, a área da saúde ganhou novos avanços científicos que prometem auxiliar o tratamento e acompanhamentos de pacientes. O uso da tecnologia segue cada vez mais em alta, com a expectativa da aplicação prática de soluções. E novos medicamentos pode revolucionar a vida dos pacientes, com as vacinas ainda sendo uma das ferramentas mais importantes para a prevenção de doenças.
Em 2024, os medicamentos agonistas do receptor do GLP-1, como a semaglutida, ganharam força no mercado. No entanto, descobertas científicas ocorridas ao longo do ano apontam para um potencial que vai além do tratamento da obesidade e do diabetes. Segundo sugerem achados iniciais, o medicamento pode contribuir com a redução de casos de acidente vascular cerebral (AVC), demência e até uso abusivo de álcool.
A revista Science elegeu o lenacapavir, princípio ativo de uma vacina desenvolvida para a prevenção do HIV, como o maior avanço científico do ano. Desenvolvido pela Gilead Sciences, o imunizante deve chegar ao mercado em 2026. Com duas aplicações anuais, alcançou índice de 100% na prevenção de novos casos da doença nos estudos de fase 3.
As primeiras doses da vacina da dengue, produzida pela Takeda, chegaram em janeiro ao Brasil. O Ministério da Saúde fechou acordo para receber 6,5 milhões de doses em 2024. Para os próximos anos, a pasta tem apostado em um novo imunizante produzido pelo Instituto Butantan. O laboratório solicitou registro na Anvisa no último dia 16 de dezembro.
Os avanços da saúde pública no Brasil, como a descentralização, a municipalização de serviços e a melhoria da atenção à saúde, afetaram os municípios de várias formas, por exemplo:
- A expansão dos serviços municipais de saúde aumentou a oferta de cuidados básicos;
- A implantação do Programa Saúde da Família também contribuiu para o aumento da oferta de cuidados básicos;
- A ampliação dos quadros técnicos das Secretarias Municipais de Saúde também aumentou a oferta de cuidados básicos;
- A incorporação de tecnologias e inovações, como prontuários eletrônicos, indicadores e gestão da qualidade, melhorou o serviço prestado ao cidadão.
A Prefeitura é a principal responsável pela atenção básica à saúde nos municípios, e deve aplicar no mínimo 15% de sua receita na área da saúde. A comunidade pode participar do SUS por meio de canais institucionalizados, como as Conferências Municipais de Saúde e os Conselhos Municipais de Saúde.

Pedro Honorato – Profissional de Saúde Publica
Morro do Chapéu – BA