A história do Brasil ganha a luta dos baianos e baianas na batalha verdadeira pela Independência proclamada mas, não aceita pelos portugueses.
O tempo passa e quando chega o centenário desta vitória inquestionável, cidadãos morrenses resolvem colocar um marco bem no coração da cidade do frio e lá realmente está cravado o marco que norteia todo o referenciamento geográfico, juntando esforços e recursos para a construção da Torre da Capela, Igreja, hoje Santuário Diocesano de Nossa padroeira Nossa Senhora da Graça, como descreveu o Jornal Correio do Sertão, edição 442, de 11 de julho de 1926, transcrita sem edições, apenas ajustes para o formato do portal LRN. Acompanhe:

‘A inauguração da Torre do Centenario e a commemoração do dia 2 de Julho
Embora sem os floreios de uma bonita linguagem e sem o brilhante resplendor dus aprofundados escriptores, todavia, com o mesmo rascunhar da rude penna que possuímos e que por vós sertanejos já é por demais conhecida, mesmo assim, passamos singelamente com toda veracidade a discrever o histórico das festas que se realizaram no dia 2 e 4 do corrente mez.
Primeiro de tudo fazemos esclarecer ao publico que, o principal motivo e o imenso jubilo destas festas, foi a Inauguração da Torre Monumental do Centenario da Independência na Matriz desta Cidade, cuja pedra fundamental teve à sua colocação solemne no dia 2 de julho de 1923.
Fazem portanto trez anos de trabalhos relevantes sobre abençoadas fadigas pelos seus dirigentes, ficando porem para o Morro do Chapo, o fructo sagrado de uma grandiosa obra admirada pelos presentes e muito querida pela posteridade.
A sua construcção, escultura e architectura, merece francamente os melhores elogios dos bons esculptores, sendo mestre da referida obra desde o seu principio o competente artista italiano Miguel Angelo Guerreiro, digno de parabens.
Podemos dizer sem o menor receio, que, a Torre Monumento do Morro do Chapèo, é a primeira do sertão da Bahia, desafiando com raras excepções, as suas congeneres da Capital do Estado.
Por gosto pode se ver e apreciar. A construcção desta grandiosa obra que ora se inaugura nesta terra, sob a direção de uma commissão de distinctos cavalheiros e auxiliada pelo povo, registre-se nas paginas da história, que, a sua completa realização deve-se aos infatigáveis esforços do Padre José de Magalhães e Souza, Vigário da Freguezia, que, alem do seu trabalho como director chefe, gastou do seu bolso seguramente a metade do seu custeio, orçamentado em alguns contos de reis. Diga-se tambem que dentre outras pessoas, salientaram-se com serviços e donativos especiaes os digníssimos senhores Vicente Grassi, Dr. Dantas, major Joaquim Sampaio, cap. João Gomes da Rocha, e bem assim D. Adelia Ribeiro Paraguaçu ficando, porem, no avesso da medalha certos homens aqui residentes que não quizeram concorrer ainda com cousa alguma. Assim se fez e assim està feita.
-Em 2 de Julho
Ao alvorecer do dia 2 de Julho, a população da cidade foi despertada com repiques de sinos, entre o espoucar de foguetes, ouvindo-se depois estridentes notas de um trombone, que em logar. de uma corneta, parecia ter vontade de… relembrar os feitos da gloriosa datal…. As 10 horas do dia quando o povo se agglomerava para assistir a Missa festiva, crescido numero de creancinhas de ambos os sexos trajadas de branco, estando as meninas de véo e grinalda, sahiram da residência de D. Maria Josepha de Oliveira Costa sob a direcção desta, e, em ordem de marcha dirigiram para a Igreja Matriz, afim de receberem alli a primeira communhão, cujo acto foi o mais solemne que se pode imaginar.
Avultado numero de pessoas affluiram para a assistencia da missa, achando-se o templo caprichosamente enfeitado como nas outras festas, solemnisando o acto, lindissimos canticos religiosos, acompanhados por maviosa flauta, ouvindo-se por fim, bonita e prolongada pratica exibida pelo Rvm. Vigario da Freguezia, sobre os pontos principaes das festas desse dia. As quatro horas da tarde depois de alguns baptisados e casamentos, teve logar a “Inauguração da Torre Monumental,” presente frande multidão, ben cidade e de fora, como, uma orchestra de seis musicos, que expontaneamente se prestaram, fallando antes de tudo, ao publico, no corêto ar mado para a commemoração dos festejos nacionaes, o lilm. Sur. cap. Antonio Nunes da Silva advogado provisionado e dade e elevando condignamen-Prof. Antonio Gabriel de Oliveira, sobre a grandiosa obra que ia ser inaugurada nesta cite os méritos do Rvm. Vigario Josè Magalhães, pelo gosto e boa vontade de que é legitimo possuidor.
Em seguida passou o Revmo. Vigario a fazer o acto da inauguração na frente da mesma Torre, discursando e esclarecendo tudo ao povo, resumindo com vivas a Religião Catholica, ao Povo Brazileiro e ao dia 2 de Julho, os quaes, foram interrompidos com o Hymno Nacional executado pela orchestra, sob girandolas de foguetes, lavrando-se depois circumstancia da acta que foi assignada por muitos dos presentes.
A noite ainda reunindo novamente o povo na Igreja Matriz, fallou o Revmo. Vigario sobre essenciaes esclarecimento religiosos, uftimando com a benção do Santissimo Sacramento como resumo da mesma festa.
Em commemoração a gloriosa data 2 de Julho, e sobre a iniciativa dos patrioticos cidadãos Bellarmino Rocha e Claudemiro Gonçalves, foi armado lindo coreto na mesma Praça da Matriz, que, enfeitado com as cores nacionaes de verde e amarello, do centro sobresahia grande mastro com o magestoso pavilhão brasileiro.
Algumas ruas da cidade foram arborisadas primorosamente, prendendo-se cordões de bandeirolas nas arvorers da praça dos festejos.
A’s tres horas da tarde teve logar a sahida de um Carro enfeitado de flores naturaes, puxado por seis bois adestrados por competente carreiro e cheio de gentis senhoritas fantasiadas, guarnecendo este, um grupo de gaiatos rapazes em trajes car-navalescos; acompanhava este carro um batalhão de meninos vestidos de branco com carabinas de madeira sob o comando do joven cidadão Floriswaldo Costa, a orchestra dos festejos que jà referimos e bem assim grande massa popular, que em passeiata pelas ruas da cidade, ouvia-se estrondosos vivas ao 2 de Julho, a Nação Brasileira e ao povo do Morro do Chapo.
A noite depois da benção do S.S. Sacramento, a orchestra fez executar alguns pedaços musicais em cima do corêto, ouvindo-se também alguns recitativos por intelligentes senhoritas, que terminaram os festejos desse dia com bonitos cânticos patrióticos.’

