Temporariamente os Episódios do Junhão serão substituídos por textos de contos do autor Joswilton Lima. O primeiro livro que vai iniciar a jornada literária e será publicado em capítulos aos domingos é a estória fantasiosa com o título de “O Cigano Violeiro”.
As situações hilárias e as malandragens do Junhão vão continuar, porém em outro estilo. A ficção certamente irá agradar os leitores na medida que a narração do conto avançar para terminar com um final fantástico.
SINOPSE

O título do conto é fictício e narra uma estória fantasiosa, onde um sujeito bem-falante disfarçado de cigano visita fazendeiros ingênuos para vender belíssimos cavalos. Muito convincente e astucioso, consegue despertar neles a ganância para ficarem ávidos em comprar os animais.
O enredo é iniciado em uma zona rural do sertão baiano e relata a vida simples de quem mora na roça e também sobre as superstições existentes nas comunidades do interior. A estória narra o desespero dos compradores ao perceberem que foram ludibriados pelo esperto mercador de cavalos, que sumiu depois de receber todo o dinheiro que eles tinham guardado em casa.
O final do conto é surpreendente, quando descobrem que nada poderão fazer diante de forças ocultas para recuperar o dinheiro perdido. Estão amargurados porque caíram na lábia do hábil vendedor e ficou apenas a lição de que devem desconfiar de conversa-fiada que oferece grandes vantagens.
O autor
Capítulo 1
REGIÃO DO CAFUNDÓ
Em um vale bonito e verdejante no sertão baiano mora um homem de nome Gastão com a esposa Jovelina e cinco filhos menores de idade. A pequena fazenda de nome Ouricana é localizada no sopé de uma serra e possui uma casa ampla na sede, porém simples, de taipa e com o chão de barro batido. Na frente da residência há uma varanda coberta com telhas, cujas pilastras de madeira servem para armar redes de algodão, onde a família descansa se embalando para conversarem ou cochilarem, acreditando que vivem no paraíso.
Na cozinha, apesar do fogão ser à lenha e enfumaçar bastante, as panelas são bem areadas porque são esfregadas com areia. Quando não estão sendo utilizadas ficam expostas em cima da prateleira. No compartimento de baixo, pratos e copos são cobertos por um pano de morim bem alvo para evitar que sejam contaminados por moscas ou outros insetos. Na casa tudo é muito limpo graças ao esmero de dona Jovelina. Em um canto da sala na entrada da casa tem um grande porrão em cima de um tamborete contendo água potável, cuja tampa de madeira é coberta por um pano de linho branco com bordas de renda da mesma cor. Em cima dele tem um caneco de alumínio com alça que serve para que todos recolham água no pote para beberem em copos de vidro bem limpos.
No oitão da habitação tem um pé de goiaba que dá frutos de polpa branca e também serve para fazer um pouco de sombra. Na goiabeira as crianças se exercitando subindo e descendo, além de brincarem na gangorra onde se balançam. Também existe um pomar com muitas árvores frutíferas que produzem pinhas, mangas, umbus, cajás, graviolas, jacas, laranjas, limões, tangerinas, abacates, acerolas, bananas e outras frutas. Na frente da casa tem um enorme terreiro onde as crianças correm picula e se distraem jogando futebol. Todos têm uma vida simples, porém são muito felizes.
Na fazenda Ouricana, seu Gastão planta feijão, milho e mamona, cujos grãos são colhidos na época da safra para serem vendidos na feira livre do povoado de Aguada Nova, que ocorre aos domingos. Além disso, tem criação de galinhas carijós que botam ovos de gemas bem vermelhas para serem fritos na manteiga e servidos no café da manhã. Dona Jovelina também utiliza os ovos para fazer gemada com leite para fortalecer o organismo das crianças, quando estão gripadas. A fazenda também possui algumas vacas e cabras que produzem um leite muito saboroso que é tirado dos animais no curral ainda de madrugada por seu Gastão, que se levanta bem cedo da cama. Após esse trabalho matinal ele solta os animais para comerem capim no pasto durante o dia. Depois vai para casa e acende a lenha do fogão para ferver o leite que será servido no desjejum da família. Pouco tempo depois dona Jovelina acorda e conclui os afazeres para servir o café da manhã. Porém, o maior trabalho dela é para acordar os filhos e fazer com que, à muito custo, consiga que eles se levantem da cama para fazerem a higiene pessoal.
Seu Gastão cuida muito bem das criações e todos os animais têm nomes e atendem prontamente quando são chamados por ele ou pelos filhos. O nome do galo é Naldão e o da galinha preta é Nêga Jú, enquanto que a outra galinha atende pelo nome de Liu; e assim por diante. A vaca que mais produz leite o nome é Malhada e ainda tem as vacas de nomes Ruça e Meia-Lua, por causa de um sinal branco no meio da testa. Os porcos e as cabras também têm nomes. O bode, pai do chiqueiro, é chamado de Marrudo, por dar marradas em quem estiver na sua frente. O nome de uma das cabras é Piriguete e o da outra é Cabriola, por serem muito buliçosas e não gostarem de respeitar as cercas da propriedade, porque sempre estão procurando fugir do cercado. O porco mais gordo tem o nome de Baé e a porca que pare muitos filhotes é chamada de Porqueira. Os animais são criados com muito carinho, parecendo que fazem parte da família.
Ainda na fazenda Ouricana, tem duas mulas bem parecidas porque são brancas, fortes, de ancas largas, arredondadas e bem nutridas. A de nome Azebrina tem a pelagem com inúmeros pontinhos vermelhos parecendo ferrugem, dando a impressão de que o pelo está sujo de poeira. Quanto à outra mula, de nome Azulada, também tem o pêlo branco sujo por causa da terra vermelha do lugar. Esses animais de carga servem para que seu Gastão transporte a produção agrícola da sua roça até à feira livre no povoado para onde a mercadoria é levada a fim de ser comercializada.
Aos domingos seu Gastão vai para a feira no raiar do sol tangendo as mulas que transportam os produtos da roça. A viagem a pé por seis quilômetros através veredas e estradas irregulares de barro e cascalho é cansativa. Na época das trovoadas o sofrimento dele aumenta, porque as chuvas encharcam o caminho e ele tem que escolher bem o lugar na estrada para guiar os animais a fim de evitar que atolem e se deitem com a carga dificultando o seu trabalho de tropeiro.
Em virtude das dificuldades durante as viagens ele sonha em possuir um lindo cavalo baio que lhe sirva de montaria para tanger as mulas com as cargas. Imagina que ao chegar na feira montado num bonito cavalo marrom-avermelhado, seria admirado por todos ao dar a impressão de ser um fazendeiro bem-sucedido. À noite, quando estão descansando na varanda da casa, ele sempre fala para a família sobre a sua aspiração em possuir um belo cavalo para amenizar o seu trabalho. Nesse momento enche o peito e diz orgulhoso com um tom solene que o nome do seu cavalo portentoso será Ypisilone. Apesar do seu pouco estudo escolar, ele comenta que esse nome é em homenagem à penúltima letra do alfabeto. Altivo, recita em voz alta todas as letras do alfabeto como forma de ensinar aos filhos e finaliza pronunciando forte as últimas: ípsilon, zê!
Ele tem a convicção de que possuindo um cavalo com um nome imponente irá deixar abismados todos os seus amigos na feira. Lá no fundo, seu Gastão aspira em ser respeitado e admirado por suas posses, mas, por enquanto, ainda não possui os recursos financeiros necessários para adquirir o animal. Porém, essa sua vontade em ter um bom cavalo de montaria depende de colher uma boa safra para ter dinheiro suficiente. Nesse momento, quando se lembra desse detalhe, ele fica triste por se lembrar da sua impossibilidade, embora o sonho permaneça em sua mente.
Mas, apesar da vontade estar distante da sua realidade por falta de recursos financeiras para adquirir o almejado animal, a vida segue normal. Na fazendinha há uma horta do outro lado da casa onde dona Jovelina colhe hortaliças para fazer as saladas servidas no almoço. Os filhos adoram comer alface, brócolis, rúcula, repolho, nabo, rabanete, tomate, pimentão, agrião, batata-doce, abóbora e outras verduras deliciosas que fazem muito bem à saúde da família. Levam uma vida simples, porém com muita fartura.
Após realizar todas as tarefas, a zelosa dona de casa aproveita para fazer deliciosos bolos de aipim, de puba, de milho e de tapioca. No final da tarde quando seu Gastão chega do trabalho na roça se reúne com os filhos para comerem as gostosuras que foram preparadas a ponto de ficarem empanturrados. Depois vão descansar nas redes da varanda.
Durante o dia, enquanto seu Gastão trabalha exaustivamente na roça para prover a família, dona Jovelina cuida dos infindáveis afazeres domésticos e as crianças brincam sempre atentas ao cacarejar de alguma galinha no meio do mato. O canto da ave é o indicativo de que a penosa botou um ovo. Nessa hora, os meninos partem correndo na direção da moita de capim aonde a galinha anunciou o grande feito com estardalhaço. Dona Jovelina ao ouvir a zoada dos filhos, corre para o lado de fora da casa e grita prevenindo:
– Vocês tomem cuidado com as cobras peçonhentas nesse mato!
O alerta dela não adiantou, porque as crianças já estavam longe procurando o local onde tinham ouvido o cacarejo. Logo depois estão de volta satisfeitos mostrando orgulhosos vários ovos recolhidos no ninho escondido da galinha fujona. Como prêmio por terem executado tamanho feito, pedem à mãe com a voz angelical:
– Mainha, a gente pode ir tomar banho lá na represa?
Dona Jovelina pensa um pouco e depois diz de modo tenro:
– Está bom meus filhos, mas não demorem. Tomem muito cuidado.
Ao ouvirem o consentimento, as crianças saem em desabalada carreira. Estão ansiosos para se refrescarem do calor do sertão, embora a água deverá estar morna àquela hora do dia.
Além do Junhão e de O Cigano Violeiro, o autor presenta outras obras:
Ilustrações e pinturas: Joswilton Lima
Ângela – e-book – O personagem tem uma grande alegria ao encontrar o amor da sua vida em uma festa, porém fica decepcionado no final surpreendente. Será que a desilusão dele foi um engano?
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Ilustrações e pinturas: Joswilton Lima
NOTICIAS-MORRO-LRN-JUNHÃO-ANITA-Certidão-Registro-Biblioteca-Nacional
Ilustrações e pinturas: Joswilton Lima
Analice – e-book – Em uma viagem para a capital, o personagem fica deslumbrado ao conhecer o grande amor da sua vida. Ficam apaixonados nesse primeiro encontro e fazem planos para o futuro, porém ele não sabe que o final será surpreendente. Será que o planejamento de ambos é coincidente?
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Ilustrações e pinturas: Joswilton Lima
Resumo da biografia do autor

Joswilton Lima é natural de Ilhéus-Ba, mas é domiciliado há mais de vinte anos em Morro do Chapéu. Tem formação em Ciências Econômicas, mas sempre foi voltado para as artes desde a infância quando começou a pintar as primeiras telas e a fazer os seus primeiros escritos. Como artista plástico participou de salões onde foi premiado com medalhas de ouro e também de inúmeras exposições coletivas nos estados da Bahia, Sergipe e Pernambuco. Possui obras que fazem parte do acervo de colecionadores particulares e entidades tanto no Brasil, quanto em países do exterior, a exemplo dos EUA, Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha.
Em determinada época pretérita, lecionou pintura em seu atelier no Bairro Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, e foi membro de comissões julgadoras em concursos de pintura. Nesse período exerceu a função de Diretor na Associação dos Artistas Populares do Centro Histórico do Pelourinho, entidade de artistas primitivistas que produziam obras no estilo Naif.
Como escritor também foi premiado em diversos concursos de contos e já lançou vários livros. Na literatura dois estilos se destacam em suas obras e praticamente são interligadas: a ficção com estórias de finais surpreendentes e a crônica, onde o autor aborda situações da atualidade de modo crítico, satírico e hilariante. Concomitante com as atividades artísticas, sempre exerceu funções laboriosas em diversos setores produtivos.
O Cigano Violeiro – e-book e livro impresso – A ficção relata a ingenuidade dos sertanejos que aprenderam na infância sobre as superstições nos lugarejos. Devido à essa credulidade, os personagens foram enganados por malandros astuciosos. O final inesperado é surpreendente.
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