Carlos Karoá escreve: ‘AS PROFISSÕES’

Aos 27 de maio de 1921, nascia em Saint Joseph no estado de Michigan, um jovem infrator americano chamado Caryl Whittier Chessman, ou simplesmente Caryl Chessman, nome que o fez se tornar conhecido mundialmente. Como todo bandido, iniciou sua vida de crimes muito cedo, assaltando, raptando e praticando estupros, crime imperdoável nos Estados Unidos. No início dos anos 50, Caryl foi preso e a ele, além dos crimes pelos quais foi indiciado, um cabedal de infrações de um misterioso ladrão, que usava uma lanterna de luz vermelha nas suas ações, lhes foi imputado. Renegou estes crimes, renegou a alcunha de “Red light bandit”, em português “O bandido da luz vermelha”.

Caryl, recusou um advogado e resolveu fazer sua própria defesa.”Vi ainda garoto em Barra do Mendes, um filme sobre a sua vida, cujo título” 2455 a cela da morte” tinha no protagonismo o ator William Campbell. Depois de alguns livros escritos por ele e editados com o mesmo ainda na prisão, não obteve êxito e em 2 de maio de 1960, Caryl Chessman foi executado na câmara de gás na penitenciária de San Quentin em Los Angeles, Califórnia. Seu ponto positivo, foi fazer o mundo repensar sobre o ato de se usar as leis, para se tirar sem o calor da emoção, a vida de um ser humano.

Caryl, recusando um advogado e fazendo ele próprio a sua defesa, negligenciou a capacidade de quem milita nos tribunais da justiça. Não sei, jamais saberemos se um profissional das leis conseguiria livra-lo da morte, mas o fato é que devemos admitir quem melhor usa o taco, quando sobre o tapete verde da mesa do jogo, o prêmio é nada mais nada menos do que a nossa própria vida.

A advocacia brasileira não merece citação literária com louvores nas junções das frases. Envolvida em escândalos financeiros quase que diariamente, tem nos grandes escritórios jurisconsultos, as células cancerosas do crime organizado. Mas, por outro lado, só esta casa da defesa pública, merece os louros da gloria do ofício, quando de forma corajosa e digna, resgata das garras da justiça mafiosa, um inocente que estava a pagar por um crime que não cometeu. Com está redenção, por fim, é que faz valer a pena se lutar por uma causa. Quando os critérios da justiça são pontuados, obedecendo aos trâmites legais das leis e quem não carrega o dolo do crime pode sair pela porta da frente dos fóruns, não há dinheiro que pague esse ato glorioso das leis dos homens.

O segmento médico brasileiro é um luxo só. Apartados do convívio popular, na grande maioria, vê-los em carne e osso só dentro de clínicas e hospitais. Distoam em nuanças contundentes da classe medica de tempos atrás. Corporativistas, forjados em faculdades publicas ou não, nem todos os profissionais têm seus aventais branquinhos como deveriam ser. Não é regra, felizmente é exceção. Têm o ágio gratuitamente de poder cometer erros e não sofrer punições, mas são os seus acertos que nos mantém espigados, serelepes e cheios de vida. A classe médica é um bem necessário em qualquer lugar do mundo. Segmentos fantásticos da medicina prestam serviços memoráveis à humanidade a cada segundo passado no tempo. Não podemos compará-los a outros vetores sociais, porque a matéria prima do seu manuseio é a vida humana. Há desvios de conduta sim, mas aqueles que assumem o estetoscópio como sacerdócio merece o bater de Palmas do velho Hipócrates.

Certamente não há glamour na profissão de camioneiro. Controlar um bruto com mais de trinta pneus, carregado de milho, trigo ou soja e por Associação com qualquer outro tipo de peso pras rodas do distinto, precisa acima de tudo de um amor visceral por um volante de mais de 50 toneladas. Dirigindo na maioria das vezes de peito nu, porque o calor das estradas neste país tropical não permite casaquinhos de lã, esses bandeirantes do asfalto, merecem com certeza o “Oscar” e o desfile no tapete vermelho.

Não sei a porcentagem correta do transporte brasileiro via rodovias, mas sei que é bem acentuado em relação a outras terras de meu Deus.

Já tivemos experiência de ficar sem eles a transitar por alguns dias e o que nos foi mostrado, é que sem os seus préstimos o país não anda. Mas esse lado da corda, corroído com pedacinhos de fraqueza, fica nas mãos de quem dia e noite se dedica ao volante e ao característico espirro de ar dos tambores de frenagem.

Armas de fogo tem fascínio, armas de fogo matam, armas de fogo também salvam vidas. O segmento de proteção às famílias, a polícia militar, carrega no paramento obrigatório, as temidas armas de fogo. São obrigatórias pela necessidade de uso durante o exercício do ofício. Muitos excessos são cometidos por maus policiais, ações descabidas nos chegam quase que diariamente nos noticiários de rádio e TV.

Mas, sem eles, os nossos mastins de farda, é inviável a vida em Sociedade praticamente em quase todo o planeta.

Má índole, desonestidade, crueldade e falta de altruísmo é pertinente aos seres humanos desde o começo dos tempos. Vide Caim e Abel, só como ilustração. Naturalmente admitir essa fábula bíblica nos dias de hoje, só em novelas de TV.

O fato real é que os policiais militares serão sempre bem vindos lá no meu terreiro.

B com a Ba, B com e Be, B com i Bi  e por aí vai até a última vogal.

Foram assim os primórdios do meu aprendizado no ABC. A cartilha com vovô viu a uva e vovó vai à vila, veio logo depois. Geralmente não nos esquecemos da primeira namorada, daquela nossa famosa primeira vez e do nosso primeiro mestre ou mestra. Esses são mágicos, adorados, inesquecíveis até quando a senilidade não bater à nossa porta. Nada mais nobre nessa vida, que ensinar os primeiros passos do b a ba, para as mentes infantis. É como abrir as cortinas num palco ainda virgem, das coisas ruins que neste mundo tem. É tirar os pontinhos escuros do alvor inocente, de quem tem sede de aprender, é carrear para estradas de pedras polidas quem precisa receber as mãos de apoio e dar os primeiros saltos. Numa homenagem singular, faço aqui ao professor Nozinho de Barra do Mendes, uma saudação de profundo respeito e gratidão. Foi ele que me ensinou a juntar as letras, quando chegou meu tempo de acordar pra vida.

Os médicos, que nos dias de hoje, quase ausentes de parteira, são eles que nos apresentam os ares da terra. Os professores são eles que nos trazem os encantos do universo literário. Os policiais, é que nos dá a garantia do direito sagrado de ir e vir, na hora que a conveniência nos diz.

Os advogados são eles que representam a porta de acesso aos tribunais de justiça e os agricultores e os camioneiros, os nossos provedores, merecedores de todo respeito e admiração de nós cidadãos.  Todos estes segmentos têm em suas hostes, as células da vergonha, que nos entristecem, mas infelizmente é pertinente na raça humana.

E assim, médicos, policiais, professores, advogados, agricultores e camioneiros, tornaram-se um sexteto de peso no contexto social brasileiro. Ficar sem o acesso aos préstimos destes profissionais, é aleijar direitos conquistados, por vezes até, com o sacrifício de alguns. Muitos destes trabalhadores, especialistas de determinadas áreas, pertencem a agremiações ou corporações centenárias, merecedoras do respeito de todos nós. É assim que devemos demonstrar o nosso apreço. Os maus coorporadores vão passar. As instituições continuarão fincadas nos pilares da servidão humana. Há uma máxima, todavia que nunca devemos esquecer:

Ninguém neste mundo é melhor sozinho.

Carlos Karoá, amante de música e cinema, também tem paixão pelo universo das letras. Em 1970, deixou Morro do Chapéu com destino a Salvador, como fazia todo jovem interiorano daquela época. Hoje aposentado, retorna à nossa cidade em busca de uma vida mais tranquila. Gosta de escrever crônicas e pequenos contos, sejam eles verdadeiros ou não.

 

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