Sou feliz por ser cria das esquinas das famosas histórias do saudoso Jorge Homero e da Nilo Peçanha do cavaleiro da meia noite.
-Ali roubávamos manga no quintal de dona Bela.
-Sentávamos à noite nas calçadas p ouvir os causos engraçados de Rení da Conesp.
-Era lá que alugávamos bicicleta na mão de Dilo p satisfazer nosso sonho de criança.
-No portal da rua da tripa,pirraçavamos Romeu todas as seis horas subindo p cumprir com sua missão.
-Foi lá que aprendemos a ganhar dinheiro vendendo bunda de tanajura p Roberval da Conesp.
-Por lá,os enfermos já passavam levados p o hospital em veículos não adequados.
-Era,entre uma pedra e outra, a gente via pacientemente o saudoso Lunguinha subir com sua pipoqueira sem reclamar da trafegabilidade.
-Lá sim. Nêgo Fininho descia meia noite e nunca chegou a cair. No máximo uma trupicada,onde murmurava:
Hum,hum,hum. Ô tentação Ódom Zú.
-Ali sim. A gente podia pongar no jipe de seu Nêgo,pois passava devagarinho.
-As pedras da Nilo Peçanha nos dava segurança pois nelas o fusquinha do sargento Duda não podia correr p pegar nossa bola.
– Por ali,os Vicentinos desciam lentamente p suas reuniões ao entardecer.
É. Confesso que o barulho das pedras nas patas do cavaleiro da meia noite da Nilo Peçanha por muitas vezes me meteu medo.
Mas, confesso que o barulho das máquinas nelas também.
Não o medo de perder a minha rua, que não é minha, mas sim a minha história.
Está sim, é minha e lutarei para que ninguém a destrua.
Josemar Bento – Balili
