A sede da Escola Maria Felipa em Salvador. — Reprodução/Redes Sociais
A escola afro-brasileira Maria Felipa, localizada no bairro do Garcia, em Salvador, anunciou o encerramento de suas atividades na capital baiana nesta quarta-feira (7), por meio das redes sociais. A instituição tem como proposta uma educação voltada à valorização da história afro-brasileira e indígena, em contraposição aos modelos eurocêntricos tradicionais.
Em nota, as sócias, a professora doutora Bárbara Carine e a empresária e dançarina, sócia-fundadora, Maju Passos, informaram que buscaram diferentes caminhos para sustentar o negócio, mas que após um investimento superior a R$ 1 milhão de recursos próprios e impactos na saúde, decidiram encerrar as operações da unidade de Salvador após nove anos de funcionamento.
“Por isso lutamos todos esses anos pela manutenção do projeto na cidade. Entretanto, chegamos ao entendimento de que, no momento, não é possível darmos continuidade”, afirmam.
No comunicado, as fundadoras também agradeceram às pessoas que contribuíram para a construção e transformação do projeto ao longo dos anos na capital baiana.
“Queremos agradecer a todas as pessoas que contribuíram com a construção desse projeto que transforma tantas vidas na nossa cidade de Salvador. Agradecemos às nossas crianças (razão do nosso existir), agradecemos às/aos profissionais de educação que atuaram todos esses anos nesse sonho, agradecemos às famílias que confiaram a sua maior preciosidade em nossas mãos. Nossas histórias mudaram para melhor por meio deste nosso encontro com cada um/uma de vocês”, diz o comunicado.
Fundada em 2017, a escola se tornou referência na educação antirracista na capital baiana por adotar um ensino afro-referenciado, decolonial e trilíngue — em português, inglês e Libras.
A rede seguirá apenas com a unidade do Rio de Janeiro, citada pelas fundadoras como modelo de viabilidade, “caminhando para a autossuficiência, tendo quadruplicado o seu número de matrículas em um ano”.
Após o comunicado, Bárbara Carine afirmou em um vídeo publicado nas redes sociais que uma das possibilidades estudadas é transformar a instituição privada em um modelo de escola comunitária, visando captar recursos e dar continuidade ao projeto. Segundo ela, isso só seria possível após o encerramento dos custos atuais seguido de uma transição.
O espaço foi a primeira instituição de educação infantil afro-brasileira cadastrada no Ministério da Educação (MEC) e conquistou prêmios como o Educar com Equidade Racial e de Gênero (2022) e o World’s Best School Prizes (2022).