Dia desses, num sábado, resolvi fazer um lanche noturno, lá na praçona onde se ver bem grandão, o glorioso Banco do Brasil. Beirando um dos lados, uma fila razoável de barraquinhas de merendas, os chamados “Truck foods”.
Tava no meu juízo, pedir um beiju recheado de carne do sol e foi o que fiz.
Enquanto esperava, fiquei a observar o local de acolhimento de clientes e possíveis visitantes de outras cidades vizinhas e lamentavelmente, a visão foi de águas turvas. O piso, de calçamento de paralelepípedos, bem sujinho, parecendo que não via vassouramento já há muito tempo. As mesinhas e cadeiras, de um branco desbotado, como se a ação do tempo e falta de zelo, lhes tirasse de vez, a vontade de acolhimento de pratinhos e copinhos. Os guardanapos, usados, sujos amarrotados ou não, passeavam ao sabor do vento, indo de mesa em mesa ou pela ruazinha carente de limpeza. Mas, foi uma outra coisa, que me fez fazer a promessa de não mais voltar à aquele lugar: A quantidade de cães e gatos, dividindo vergonhosamente e piedosamente, aquele espaço que deveria estar livre de quaisquer insalubridade..
Quando chegou a minha encomenda, dois cachorros se postaram diante de mim, com olhares caritativos, inquisitivos, como se quisessem saber, a que horas do tempo do meu consumo, cada um iria receber o seu quinhão. Depois de observá-los por alguns segundos, reparti entre nós, o meu bendito beiju com carne do sol, comi meu pedacinho, paguei e quando questionei com a barraquista a presença dos animais, a resposta foi bem mais angustiante: Hoje tem poucos, tem dias que tá cheio deles.
Para uma cidade que vislumbra a possibilidade de aferimento de receita explorando o turismo, a quem cabe esta responsabilidade, que não acho ser de impossível solução?
Lembro que quando se mostrou para a cidade uma casa de zoonose, a propaganda foi bem relevante.
Com certeza a nossa alcaide de saias não sabe dessas desditas noturna, pois, se soubesse, já teria delegado alguém, para sumariamente, resolver o imbróglio.

Carlos Karoá, amante de música e cinema, também tem paixão pelo universo das letras. Em 1970, deixou Morro do Chapéu com destino a Salvador, como fazia todo jovem interiorano daquela época. Hoje aposentado, retorna à nossa cidade em busca de uma vida mais tranquila. Gosta de escrever crônicas e pequenos contos, sejam eles verdadeiros ou não.